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1 DE JULHO DE 1981 3619

O Orador: - Nós estamos aqui a discutir e a procurar trazer factos concretos à Assembleia da República. Informámo-nos. Trouxemos notícias concretas que nenhum Sr. Deputado desmentiu. Trouxemos, inclusivamente, o facto de a polícia ter atirado sobre pessoas indefesas, que estão hospitalizadas, e até agora ninguém nos desmentiu. O Sr. Deputado diz apenas que no passado havia arruaceiros com autocolantes do Partido Socialista que seriam comunistas.

O Sr. Fleming de Oliveira (PSD): - Não disse nada disso!
Vozes do PSD: - Não foi nada disso!

O Orador: - 15so é calúnia Sr. Deputado. 15so é calúnia baixa, é calúnia reles.

Vozes do PCP - Muito bem!

O Orador - O Sr. Deputado, como tal, não tem o direito de fazer isso.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Mas Sr. Deputado, creio que não temos muitas razões para estarmos impressionados: é que o Sr. Deputado, em todas as suas alegações, revelou tanta animosidade partidária contra o povo da Nazaré ...

O Sr. José Vitorino (PSD): - É falso!

O Orador: - ... e invocou tantos factos, que acabou por justificar os acontecimentos de domingo passado. O Sr. Deputado revelou que não é um democrata.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Revelou que não é capaz de compreender a oposição política.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Foi esse o pensamento que aqui trouxe, foi essa a afirmação de antidemocrático que aqui revelou.

Aplausos do PCP, da UEDS e do MDP/CDE.

Vozes do CDS: - 0lhe que não!

O Sr. Carlos Lage (PS): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Para que efeito deseja usar da palavra, Sr. Deputado?

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, queria apenas pedir à Mesa que, para conhecimento das declarações feitas pelo Sr. Deputado Fleming de Oliveira e do meu protesto, envie à Câmara Municipal da Nazaré a intervenção do Sr. Deputado Fleming de Oliveira e o meu protesto, para que a população da Nazaré possa avaliar qual dos dois tem razão.

Aplausos do PS, do PCP, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para contraprotestar, tem a palavra o Sr. Deputado Fleming de Oliveira.

O Sr. Fleming de Oliveira (PSD): - Relativamente à sugestão, do Sr. Deputado do Partido Socialista, começo por ela. Aliás, acho que ela nem sequer seria necessária, porque, seja a título de requerimento, seja a qualquer outro título, costumo dar informação às câmaras municipais dos assuntos que aos respectivos concelhos dizem directamente respeito.

E, se o Sr. Deputado Carlos Lage soubesse minimamente o que se passa naquela região, então até se dispensaria de fazer este tipo de observações.

Vozes do PSD - Muito bem!

O Orador: - Quanto ao Partido Comunista, gostava de dizer que se os senhores se informaram, eu também me informei. As nossas fontes de informação poderão ser diferentes, e naturalmente as vossas, na vossa perspectiva, serão tão idóneas como as minhas, na minha perspectiva. Mas aceito as vossas fontes de informação pelo valor que me merecem, assim como acho que os senhores devem aceitar as minhas pelo valor que também merecem.
Quanto ao facto de eu ter dito - segundo a vossa opinião, falsamente - que os autocolantes do Partido Socialista no referido comício eram usados por elementos ligados ao Partido Comunista, quero dizer-lhes que não referi absolutamente nada disso. O que disse foi simplesmente, que não fazia a injúria ao Partido Socialista de aceitar a ideia de que eram elementos do Partido Socialista que estavam a tomar essas atitudes provocatórias.
Ainda quanto ao facto de o Sr. Deputado Carlos Brito ter dito que não sou democrata, dir-lhei que, efectivamente, sou democrata. Todavia, tenho,
como os senhores bem sabem, e não pretendo convencê-los do contrário, um conceito de democracia completamente diferente do vosso.

Vozes do PSD: - Muito bem!

Vozes da UEDS: - Vê-se!

Vozes do PCP: - 15so é claro!

O Orador: - Portanto, também me parece absolutamente ocioso estarmos neste momento a discutir aqui conceitos de democracia. Aliás, penso que a expressão de que um deputado é mais ou menos democrata ou de que até nem o é devia ser banida
da linguagem desta Câmara. Por isso, se havia alguém que se pudesse sentir ofendido, esse alguém era eu.
Assim sendo, devolvo a expressão à procedência, isto é, ao Partido Comunista.

Aplausos do PSD.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Veiga de Oliveira, poderá informar a Mesa dos motivos por que pediu a palavra?