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1104 SÉRIE - NÚMERO 30

juntura económica no nosso país foi maior do que a deterioração que se deu nos países da OCDE, seja no seu conjunto, seja nos países europeus, e era isso que era importante.
Em segundo lugar, direi também que, em relação ao problema de, para fazer umas projecções da inflação para o ano seguinte, eu ter tomado os valores de 1,5 º/o para os meses de Novembro e Dezembro e de, aparentemente, o número correcto para Novembro - que já é conhecido do Governo, neste momento- ser 1,2% e não 1,5 %, isso não altera em nada as conclusões que aqui tirei, isto é, se a média da inflação em 1981 não for os 20 % que assim obtive, será 19,5 %, 19,6 % ou 19,7 %, não havendo, pois, praticamente alteração nenhuma.
Aliás também não se altera a projecção que fiz no sentido de demonstrar que para que para o ano se atinja uma inflação média de 17 %, os preços durante o próximo ano terão de crescer cerca de 12 %, isto é, a média da inflação em 1981 não for os 20 % que assim obtive, será 19,5 %, 19,6 % ou 19,7 %. Portanto, não há praticamente nenhuma alteração.
Também não se altera a projecção que fiz no sentido de demonstrar que, para que se atinja para o próximo ano numa inflação média de 17 %, os preços terão de crescer cerca de 12 % no próximo ano. Esta conclusão também se mantém. Como tal, mantém-se a demonstração do irrealismo do objectivo do Governo. Isto é que era importante e não a discrepância entre 1,5 % e 1,2 % para o mês de Novembro.
Em terceiro lugar e relativamente aos números sobre o emprego na função pública, admito que existam diferenças de critério na classificação das estatísticas de uma publicação recente da OCDE. Mas, mesmo que duplicássemos os números que constam dessa publicação para o caso português, continuaríamos na cauda dos países da OCDE, com uma percentagem pequena do emprego total no sector público administrativo.
Portanto, não se alteram qualitativamente - embora neste caso se altere alguma coisa- as conclusões que tirei no sentido de internacionalmente a nossa situação não ser excessiva. Aliás, os números revelam também que na década de 70 em todos os países da OCDE aumentou largamente o emprego no sector público da economia. Foram precisamente aqueles países onde esse emprego mais aumentou os que conseguiram, apesar de tudo, manter taxas de desemprego menos elevadas, como acontece nos países do norte da Europa, na Áustria, etc. Portanto, essa foi uma tendência seguida por todos os países como resposta à crise económica, acontecendo também em Portugal por várias razões.
Portanto, não se pode dizer que a situação seja anormal, excessiva ou acima da média da dos países da OCDE. Esta é que é a conclusão que do ponto de vista qualitativo e político é importante retirar, para além da nossa opção sobre o papel do Estado na economia ser claramente diferente da opção do Governo.
Quanto à interpretação dos problemas do passado, não vamos envolver-nos aqui num debate académico e, como tal, preocupado com todas as nuances mais rigorosas dessa análise. É evidente que a situação conjuntural não era a mesma em 1978 e 1979 e agora em 1981. Simplesmente, isso não retira nada à análise que fiz no sentido de demonstrar que a gestão económica dos governos da AD durante este período foi claramente no sentido de deixar a desejar. Os números que citei atestam-no. Sobretudo, é politicamente importante recordar esse facto quando é certo que nos recordamos muito bem de tudo o que a AD disse - desde o seu Programa de Governo, em 1979, até intervenções sucessivas nesta Câmara ao longo dos governos que têm formado - sobre o que foi a gestão do PS quando este esteve no Governo. Não podemos esquecer as acusações de incompetência, de irresponsabilidade que nos foram feitas, quando é certo que a gestão da AD é a prova de que nessa matéria a AD deixa muito mais a desejar do que nós.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Com efeito, toda a interpretação que puder ser feita sobre diferenças de conjuntura num momento e noutro não consegue fazer iludir o facto de que a gestão económica do ano passado foi imprudente, excessiva, em vários aspectos irresponsável, e que, consequentemente, foi uma causa -entre outras- da situação grave que o País vive neste momento.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Se é certo que não houve apenas o primeiro choque petrolífero, mas também o segundo e a crise internacional -isto é evidente e eu não o nego-, quando recordei aqui os dados essenciais do primeiro choque petrolífero e das suas consequências sobre a economia portuguesa fi-lo no contexto de tentar chamar a atenção do Governo para o aproveitamento que as forças antidemocráticas em Portugal estão a fazer do alarmismo que o Governo lançou sobre a presente situação...

Vezes do (PS): - Muito bem!

O Orador: - ..., procurando com isso explorar contra o 25 de Abril e a própria democracia as dificuldades económicas que Portugal tem atravessado e que, em grande parte, tem partilhado com muitos outros países.

O Sr. Manuel das Santos (PS): -Muito bem!

O Orador: - Foi nesse contexto que recordei e sublinhei os efeitos económicos desse primeiro choque petrolífero, que de resto pouco preocuparam o PSD e o CDS quando o PS estava no Governo e nessa altura suportava as consequências inevitáveis desse facto.

Vozes do PS: - Muito bem!

Vozes do PSD - Não apoiado!

O Orador: - Finalmente e como penúltima questão, o problema das alternativas que aqui apresentei para a política conjuntural e que mereceram alguns reparos da parte do Sr. Ministro de Estado das Finanças e do Plano, gostaria de sublinhar que, a propósito da opção essencial do valor que se assume para a