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S DE FEVEIBEURRO DE 1982

tava que tinha vários estilhaços, consequência da guerra colonial.
Ao entrar, aos empurrões, na esquadra do Largo do Regedor foi alvo do gáudio boçal e pidesco dos 12 polícias fardados que ali se encontravam, 11 homens e uma mulher. Lá estava também o célebre Bailarino. Ferido, escorrendo sangue dos lábios rachados, a cara tumefacta e cheio de dores na cabeça, foi-lhe negada assistência médica. Negado lhe foi também o conhecimento da identidade dos policias agressores.
O Bailarino negou descaradamente que tivesse havido a agressão e deteve arbitrária e ilegalmente o primeiro sargento Carmo Vicente até às 11 horas da noite:
Um tal major Martins (?), comandante da brigada, apesar de lhe ter comunicado que não havia qualquer acusação contra ele e que podia ir-se embora, contemporizou com a situação, limitando-se a dizer-lhe que podia apresentar queixa!

O Sr. Fernando Roriz (PSD): - E o cabo?

Risos do PSD.

O Orador:- O comandante de brigada, face a uma tal situação, faz depender a sua actuação da existência ou não de queixa, limitada esta, obviamente, pela impossibilidade prática de identificação dos agressores! ...
Responsabilidade assumida dos métodos violentos e das sevícias ou submissão à mafia interna da Polícia?
Esta intolerável agressão exige uma resposta inequívoca das forças democráticas e dos militares que se reivindicam da defesa das liberdades e do 25 de Abril. Exige a investigação exaustiva e a punição exemplar dos criminosos.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: No dia 4 de Outubro de 1973, corria já célere o movimento dos capitães, dois capitães, Gastão Silva e Morais da Silva, foram sujeitos a intoleráveis provocações e vexames e mesmo agressões no caso do primeiro, por parte de forças policiais dependentes do célebre Maltês Soares, hoje um dos pilares da hierarquia militar.
O facto de se terem identificado, ao contrário do que seria de esperar, foi motivo para a elevação de tom e violência dos impropérios e insultos como «porcos», «levá-los para Caxias» e «capitães desordeiros».
Também o capitão Maltês Soares impediu a possibilidade de identificação dos agressores enquanto fazia uma preclara dissertação sobre a intervenção das forças da ordem e o tema «o oficial do exército é apolítico». Viu-se depois até que ponto! ...
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Os regimes; reaccionários precisam de servidores dóceis mas violentos. Precisam de lacaios e por isso utilizam a cenoura e o chicote, o aliciamento e a repressão, o paternalismo e a violência.
Os sargentos são uma classe militar a que a hierarquia sempre negou horizontes e sempre tentou manter num ghetto, enredando os seus elementos numa infinidade de laços de subordinação militar, social e económica, Deles tentou fazer lacaios submissos, repressores directos. A eles sempre lhes limitou o acesso ao conhecimento e à cultura, impondo-lhes

um estatuto de profissional de segunda, certamente como vingança mesquinha dos tempos em que era o oficial quem não sabia ler.

Mas os sargentos sempre lutaram na defesa dos seus direitos, defesa essa que esteve sempre ligada à luta pela democracia.

O 31 de Janeiro de 1891, há dias comemorado, é um exemplo claro da luta dos sargentos ligada aos interesses mais gerais do povo sacrificado pelo peso dos preços, dos impostos, e da opressão, mas também revoltado contra a política cobarde e antipatriótica da monarquia.
Os sargentos portugueses recordam o 31 de Janeiro não como uma peregrinação nostálgica mas com o sentido da justiça que é preciso impor hoje para garantir o 25 de Abril, a que aderiram com entusiasmo e preparar um futuro digno para si próprios, para os seus filhos, para o povo português.
Qual foi, entretanto, a posição assumida pela hierarquia através do Conselho dós Chefes dos Estados Maiores?
Desaconselhou! E fê-lo quando, entretanto, nada tinha dito àcerca das manifestações do coronel Jaime Neves por posições assumidas enquanto militar.
Desaconselhou uma reunião democrática, no mais puro espírito do 25 de Abril, comemorando uma data importante quer na história da classe de sargentos, quer na história do povo português.
E o eufemismo desaconselhar significa, na linguagem da hierarquia militar, uma determinação a toda a cadeia hierárquica para dificultar, impedir, pressionar, ameaçar, marcar, perseguir.
Mais uma vez 1 milhar de sargentos deu a devida resposta: pôs em prática um elementar direito democrático, reunindo-se e expressando a sua fidelidade aos ideais de Abril e a sua determinação de por eles lutar com firmeza!
Desta tribuna saudamos a realização do encontro comemorativo do 31 de Janeiro de 1891 e o seu alto significado, seguros de que é nesse caminho, da fraternidade e da democracia, na defesa para os civis e os militares dos direitos e liberdades consignados na Constituição, que se acabará de vez com atentados como aquele de que foi vítima o primeiro-sargento Carmo Vicente ou outros, que atingem tantos cidadãos, garantindo assim a efectivação dos ideais do 25 de Abril.

O Sr. Luís Coimbra (PPM): -Ainda não estamos no Carnaval! ...

Risos do PPM.

Entretanto, assumiu a presidência o Sr. vice-presidente José Vitorino.

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Amadeu dos Santos.

O Sr. Amadeu dos Santos (PSD): -Sr. Presidente, Srs. Deputados: Devo dizer que costumo perder pouco tempo com as intervenções do Sr. Deputado Mário Tomé, mas para mim o desassombra com que aqui nos aparece o major Tomé a fazer uma intervenção destas ainda muito maior é.
Salvo pelo gongo, como foi pelo Partido Socialista, aquando da Lei. da Amnistia --porque senão muito