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10 DE FEVEREIRO DE 1982

da recuperação económica mesmo que isso seja à custa dos trabalhadores e das classes financeiramente débeis da nação.

Vozes do PPM, do CDS e do : - Muito bem!

O Orador: - Lançado desde há 3 meses numa escalada: frenética de destruição política, de objectivos claramente confessados e definidos, o PCP promoveu a aventura de uma greve geral como foguetão final da luta aberta contra a revisão constitucional e contra a política financeira definida pelo Orçamento do Estado e aprovado pela Assembleia da República.

Vozes do PSD: ---Muito bem!

O Orador: -.Para o PCP' a revisão constitucional parece soar como um dobre de finados. Nada lhe interessa e apenas constitui diversão de propaganda o conteúdo positivo ou negativo dos poderes presidenciais. O que interessa ao Partido Comunista Português é que, contra a profecia de Álvaro Cunhal, o Portugal democrático, constituído pelos partidos da oposição quer pelos do Governo, seja capaz de se dotar com um pacto institucional de regime, em que a democracia é uma realidade viva e não um trapo prostituído de linguagem cínica.

Vozes do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Os comunistas sabem que onde exista democracia não há nunca mais lugar para um ideal totalitário, para um processo de revolução continua, nem para um híbrido de poder militarmente tutelado.

E isso é que para eles é preciso evitar a todo custo! Que o sonho democrático à sombra do qual se gerou intelectualmente a Restauração de 1640, se criou a vontade libertadora de Herculano e Garrett, de Mouzinho e de Passos Manuel, que se reafirmou nos sonhadores e nos heróis puros da I República, simbolizando os primeiros em Teófilo e em José Relvas e os heróis: puros em homens como Machado Santos e Carlos da Maia, que se perpetuou ao longo da noite sombria da contra-revolução, na esplêndida teoria dos resistentes da liberdade - desde Sérgio e Cortesão, de Azevedo Gomes e Cunha Leal, de Luís de Almeida Braga a Rolão Preto, de Mário Soares até Francisco Sá Carneiro, desde os Padres Alves Correia e Abel Varzim até ao Bispo do Porto, desde Humberto Delgado a Sarmento de Beires, desde Agatão Lança até António de Spínola-, que esse sonho de liberdade que ficou para sempre no canto dos poetas desde Jorge de Sena a Sofia de Melo, desde Daniel Felipe a Manuel Alegre, desde Torga a António Ramos Rosa, que esse sonho de criar e florir a democracia humana e livre, sem prisões nem grilhetas, sem hospitais de psiquiatria nem goulags de trabalhadores forçados, se possa realizar em Portugal.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Mas o elemento mais espantoso desta greve geral, anunciada e usada como puro argumento político, é que seja promovida, sem qualquer complexo de hipocrisia nem de vergonha, por um partido, por uma ideologia e por um conjunto de homens e de forças políticas, que se solidarizou com a sufocação do direito à greve, que defende o alinhamento dos sindicatos pela vontade dos governos e que escarra a sua troça e a sua indiferença na cara dos trabalhadores martirizados por um governo de força.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O ódio à liberdade, o cínico impudor com que a verdade do sinistro regime que se pretende implantar em Portugal, à custa da miséria, da fome e da desordem da rua, revela-se todo inteiro no insulto lançado sobre o secretário-geral do Partido Socialista pelos representantes do imperialismo russo.

Expressamos aqui em nome do PSD o nosso repúdio por essa baba lançada sobre alguém que, seja qual for aquilo que nos divide, desde sempre nos habituámos a ver como símbolo da luta constante pela liberdade da Pátria e dos homens.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

E por isso, não podemos deixar de registar que ele próprio tenha neste momento grave da luta pela democracia, a coerência de dizer que quem ama a liberdade não pode pactuar com o totalitarismo e com as tentativas subversivas de assalto ao poder. Não levou infelizmente o seu partido a coerência democrática até dizer que o dever de todo o trabalhador livre é recusar á farsa de uma greve geral que repugna pelos seus fins, pelos seus fundamentos e pela sua ética, a toda a consciência socialista ou social-democrata ou democrata-cristã, numa palavra, a toda a consciência simplesmente nacional.

Mas a estrutura sindical em que o PS exerce a sua influência negou a sua adesão à greve e a tendência sindical socialista em reunião com o secretário-geral e a Comissão Permanente do secretariado do partido •fez dela um repúdio total e claro como mera manifestação golpista, que é, de assalto ao poder.

Porque nem o lavar de mãos de Pilatos, nem o silêncio eivado de responsabilidade cúmplice, se podem perdoar perante o ataque despudorado ao regime. Se o Governo oscilasse perante esta greve, seria, e o PS sabe-o bem, o fim da democracia parlamentar em Portugal. Não oscilará e a Pátria saberá reagir ao assalto desestabilizador, ordenado, como bem o disse Mário Soares, .por um poder imperialista estrangeiro. Mas o repúdio deveria ser universal para que uma vez mais - como nos dias ainda quentes da Fonte Luminosa e do 25 de Novembro - se soubesse em toda a parte que Portugal, a imensa maioria das mulheres e dos homens nascidos nesta terra, fez da liberdade parte integrante da vida e não quis escapar das garras da PIDE para cair nas mãos, mais cruéis, da polícia impiedosa dos fascio-marxistas.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Como ainda ontem disse Torres Couto, é um mau serviço para os trabalhadores a desvirtuação do direito à greve. A chamada greve geral do dia 12 é um insulto à democracia, um atentado contra a independência da Pátria e uma descarada manipulação dos trabalhadores, dos seus motivos . de descontentamento e da sua força de trabalho, ao serviço da