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10 DE FEVEREIRO DE 1992

O Orador: - É só a política da AD -que conduziu o País ao caos económico e financeiro que estamos a viver...

Vozes do PCP- -Muito bem!

O Orador: - ... e que está a condenar o povo português à situação mais difícil que conheceu depois do 25 de Abril que está em causa!

Vozes do -PCP: - Muito bem!

O Orador: - É esta a situação que está em causa! É isto que os trabalhadores portugueses põem em causa!
Protestos do PSD, do CDS e do PPM.

E porque é assim, Sr. Presidente e Srs. Deputados, é que o Governo teme a greve! Porque sabe a política desastrosa que realiza!
E porque é assim é que a AD teme, é que a AD está em pânico, porque sabe do isolamento nacional que a está envolvendo!
E é por isso que o deputado Sousa Tavares, em nome do PSD, vem aqui apelar para outros, porque a AD está sozinha e não é capaz de se defender por si!
Aplausos do PCP e do MDP/CDE.
Risos do PSD, do CDS e do PPM.

E é por isso que o Sr. Deputado Sousa Tavares quer a seu lado o regime, quer a seu lado a história, quer a seu lado a cultura! É porque o Sr. Deputado Sousa Tavares sente a AD ir ao fundo!

Vozes do ]PCP: -- Muito bem!

O Orador: -É por tudo isto que a AD, que tanto mal tem feito à democracia portuguesa, veio agora esconder-se por detrás da democracia portuguesa! Mas, ao fazê-lo, Sr. Presidente e Srs. Deputados, fá-lo com a linguagem que ouvimos, com os insultos ...
Aplausos do PCP e do MDP/CDE.
Protestos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Sr.Deputado Carlos Brito, terminou o seu tempo.
Tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.
O Sr. Borges de Carvalho (PPM): -Também vem com o emblema da greve geral do PCP! Revisa!
O Sr. Mário Tomé (UDP): - Vou ser muito breve até porque vou ter ocasiões de abordar este tema na declaração política que farei dentro de momentos.
Quero apenas fazer um pequeno protesto e, em primeiro lugar, quero frisar que, para 'o Sr. Deputado Sousa Tavares, estamos num momento grave da vida nacional. Mas, porque é que estamos num momento grave da vida nacional?
Para o Sr. Deputado Sousa Tavares, que atacou a greve geral como um processo criminoso, ...

0 Sr. Sousa '!cavares (,PSD): --E é!

O Orador: -- ... não estamos num momento grave da vida nacional pelo facto de o Governo e a AD terem levado o nosso país à situação em que ele se encontra, terem levado o nosso povo a. não ter sequer direito à saúde, à habitação, ao pão! ...

Vozes do PSD e do CDS -Eh!

O Orador: - Não é por isso que, para o Sr. Deputado Sousa Tavares, a situação é grave! A situação é grave porque os trabalhadores se levantam, em luta legítima, contra esta situação, dispostos a não a suportarem mais! É por isso que a situação é grave!
15to é, o Sr. Deputado Sousa Tavares está aqui a representar, de uma forma clara, todos aqueles que se têm servido das instituições, dos ataques à Constituição, da estrutura económica do País para roubarem e expoliarem o nosso povo, tentando levá-lo à miséria, enchendo-se!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Alexandre Herculano, Almeida Garrett, António, Sérgio e Cortesão com certeza que neste momento estariam ao lado dos trabalhadores contra o Governo reaccionário!

O Sr. Presidente:- Tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Sr. Presidente., Srs. Deputados: Com a serenidade com que estes problemas deveriam ser encarados em democracia, com que o exercício de direitos fundamentais deveria sei encarado em democracia, quero deixar aqui o meu protesto.
Não poderia ficar indiferente quando se apelida de acto criminoso, de ataque ao regime, de insulto aos trabalhadores, uma greve geral que o meu partido apoia deforma clara e inequívoca. E apoia de forma clara e inequívoca porque nós procuramos estar, sistematicamente, por princípio, -por opção, por escolha ideológica, ao lado dos trabalhadores, ao lado das suas lutas, decorram elas onde quer que decorram, seja na Polónia ou em Portugal, na Turquia ou no Chile, em S. Salvador ou no Afeganistão)

O Sr. César de Oliveira (UEDS): -Muito bem!

O Orador: - Não podemos conceber que se considere como um crime, como um atentado ao regime, o uso legítimo de um direito consignado na Constituição e utilizado pelos trabalhadores para a defesa dos seus interesses, dos seus legítimos direitos, que é o que está em causa.
E, afinal, aqueles que começam por afirmar que não haverá greve geral, parecem muito preocupados com ela!
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Apoiamos esta greve porque compreendemos que perante a situação de degradação do nível de vida, ele atentado às liberdades sindicais, de atentado aos direitos laborais, os trabalhadores têm o direito de se manifestar.
E se esta manifestação, esta greve, tem uma componente antigovernamental é porque o responsável pela situação que. se vive de degradação e de ataque às liberdades laborais e sindicais é o governo AD!
Querer confundir o Governo com o regime e a contestação do Governo com a contestação do regi