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I SÉRIE - NÚMERO 49

habitação para o povo, impedir a revisão reaccionária da Constituição, suspender os acordos com o FMI e as negociações com a CEE, proibira instalação de armas nucleares em Portugal e sair da NATO. Os trabalhadores querem derrubar o Governo porque ele não responde de forma positiva a estas exigências, antes as justifica cada vez mais. Por isso, também aos trabalhadores não lhes servirá qualquer política que não se caracterize ,pela satisfação e concretização daquilo que hoje assume carácter imperioso e decisivo: um Serviço Nacional de Saúde, um Serviço Nacional de Habitação, efectiva igualdade de oportunidade no acesso à educação e à cultura, desenvolvimento da Reforma Agrária ao serviço de quem trabalha a terra e de todo o povo, desenvolvimento da agricultura no apoio à pequena e média produção camponesa, defesa do sector nacionalizado e cooperativo e uma verdadeira política de independência nacional sem subordinação a qualquer dos blocos agressivos, na defesa da Constituição e do 25 de Abril. Escusado é, ,pois, tentar usar a greve geral para adulterar o sentido da luta e pô-la a reboque e subordinada a interesses que não sejam os dos trabalhadores.
A importância da greve geral e dos seus resultados é de tal ordem que, quer o Governo, quer os sectores liberais e reformistas ,pretendem de um ou outro modo desearacterizá-la, caluniando os seus intentos, lançando uma campanha provocatória e intimidatória como já se não via há uns bons tempos desde a morte de Sá Carneiro. O Governo sem convicção, dividido, sem iniciativa, desqualificado, enfraquecido, pantomineiro, quer encontrar a coerência que lhe falta, no ataque à greve e, nos seus estertores, pretende fazer mossa ... Lança a provocação, intoxicas população com a sua propaganda fétida, faz apelo às veras ,ia alma e às vascas da agonia, tenta ressuscitar o entusiasmo trauliteiro e reaccionário das campanhas de 80 e prepara como aqui se vê e viu o confronto.

Entretanto o secretário-geral do PS não hesita, embora de forma aparentemente ambígua, em servir de cobertura à manobra reaccionária da direita contrbuindo, ao identificar os interesses e necessidades dos trabalhadores e do povo com a política do PCP, para lançar a confusão, caluniar a greve e desviar as atenções do ponto nodal: a greve geral exigida e imposta .pelos trabalhadores socialistas, comunistas, revolucionários sem .partido, é hoje a fronteira entre os que não querem este governo nem a política de liquidação das conquistas de Abril e os que estão dispostos a servir-se dos trabalhadores para as negociatas da revisão constitucional e da partilha do poder.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: A bomba posta à portado amarelo Torres Couto faz parte da campanha reaccionária e provocatória lançada contra -os trabalhadores e a sua greve geral e é em si mesmo um acta de provocação, e qualifica em definitivo as denominadas FP25 e colocando-as do lado da barricada oposto àquele que os trabalhadores ocupam.

Por outro lado, a tentativa desesperada de o Governo e as forças suas aliadas, ainda que pontualmente, colarem a greve geral ao PCP e à sua táctica depressão sobre Eanes,visa retirar-lhe o seu verdadeiro conteúdo massivo e popular, dividir os trabalhadores e em última instância vem demonstrar
aquilo que sempre afirmámos: a convergência de todas as forças do regime novembrista na sua defesa, a tentativa de que a recomposição das forças não extrávasse os limites consentidos pela burguesia e pelo imperialismo. Com a AD ou com o bloco central ou democrático o que é preciso é impedir o desenvolvimento da ,política independente dos trabalhadores, não permitir que o movimento popular se unifique, se amplie, radicalize e fortaleça. Com bombas, com a UGT, passando pelo PS, pelo PCP ou por Eanes, de uma ou de outra forma é preciso que o regime do capital, o regime novembrista seja defendido ...
Mas todas as tentativas para impedir o êxito da greve falharão porque não têm em conta a realidade e a vontade .dos trabalhadores em actuarem de acordo com ela. A realidade mostra-nos que a situação do povo em geral não pode resolver-se de outra forma que não seja a .luta firme e unificada contra o Governo AD e contra a política do 25 de Novembro, contra a ,política anticonstitucional, antipopular e antipatriótica que tem sido prosseguida.

Os trabalhadores querem habitação, saúde, educação, liberdade, pão trabalho e paz. Nada disso cabe no reforço ou desenvolvimento do regime novembrista, na recomposição, de forças que já mostraram não poderem nem quererem solucionar os problemas do povo. É por isso que, exceptuando os revolucionários que .proclamam a sua necessidade .há três anos, todos se opuseram ou dificultaram a concretização da jornada de luta nacional, da greve geral.

É a .própria campanha ideológica e política lançada pelo governo AD e pelos seus aliados da direcção amarela da UGT que aponta aos trabalhadores o único caminho de acordo cem os seus interesses: não trabalhar no dia 12 de Fevereiro, pois fazè-lo é, sem subterfúgios, também uma ;colha política -favorecer a política de miséria e repressão da AD.

O Governo prepara os seus esquemas repressivos para sabotar a greve e violentar os trabalhadores e grevistas. A santa aliança reaccionária apresta-se para o embate. O Governo deve ser responsabilizado por quaisquer confrontos que ocorram no dia 12 entre os trabalhadores e as forças repressivas. As ameaças ido e ministério do interior têm de ser desmascaradas como ilegítimas e provocatórias. A situação exige a unidade dos trabalhadores e só a demonstração de sua força massiva e da sua determinação na luta para isolamento e derrube do Governo pode conjurar toda a manobra demagógica e provocatória engendrada pela direita, pesa AD e pela direcção da UGT.

Os trabalhadores só têm uma resposta: a comparência massiva nos locais de trabalho e nos piquetes de greve. A constituição de uma direcção unitária e firme .da greve. Realizar concentrações e manifestações. O inimigo è comum, a luta deve ser comum. A luta tem de ser .prosseguida depois do dia 12, construindo a unidade de todos os trabalhadores e antifascistas em torno da exigência de uma política de verdadeira mudança, assente nas exigências populares, visando 0 objectivo de um governo de Unidade Popular. Uma nova .política que faça os ricos pagarem a crise, promova o desenvolvimento e o bem estar .para os trabalhadores, leve a cabo a verdadeira democratização, da vida nacional, reprima os fascistas