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4 DE MARÇO DE 1982 2499

do seu programa e continua a hesitar doutrinariamente entre o socialismo de produção e o socialismo de distribuição.
De modo que, a meu ver, a Aliança Democrática é a única solução para Portugal, já porque só a AD pode fazer as reformas de fundo de que o País precisa, já porque a AD governa melhor do que o PS, como ficou demonstrado nesta intervenção, já porque só a AD está em posição de proporcionar a estabilidade governativa. \
Portugal, que ainda é o país mais pobre da Europa Ocidental com graves problemas económicos estruturais por resolver, no meio de uma seríssima crise internacional e numa fase ainda inicial da sua vida democrática, só retiraria prejuízos de mais uma crise política neste momento.
Do que o nosso pais precisa, como de pão para a boca, é de estabilidade, de bom governo e de muito trabalho, para conseguir subir de posição no concerto europeu e melhorar as condições de vida dos seus filhos, em especial os mais desfavorecidos.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Não queremos, não aceitamos, continuar a ser os últimos na estatística do bem-estar e os primeiros na estatística dos acidentes de viação.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Como se dizia no programa eleitoral da AD, «temos de fazer de Portugal um vencedor».
Para isso contámos com o apoio claro e inequívoco desta maioria desta Assembleia, que estamos certos, rejeitará em bloco a infundada moção de censura do Partido Socialista.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Pediram a palavra os Srs. Deputados Lopes Cardoso, Carlos Brito, Sousa Marques, Jaime Gama, Almeida Santos e Marcelo Curto.
Tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Ministro Basílio Horta explicou-nos que estávamos num debate sobre uma moção de censura ao Governo, que o Governo estava em causa, que se recusava a responder pela AD e respondia apenas pelo Governo. Lógica, a meu ver, irrespondível.
O Sr. Vice-Primeiro-Ministro subiu à tribuna, esqueceu, o Governo e falou-nos da AD. Será que o Sr. Vice-Primeiro-Ministro considera mais fácil defender a AD do que o Governo? Ou será que o Sr. Vice-Primeiro-Ministro preferiu colocar-se acima do Governo e assumir-se aqui perante nós como líder da Aliança Democrática?

Aplausos da UEDS, do PS e da ASDI.

Seguramente as duas razões. Já sabíamos que o Sr. Vice-Primeiro-Ministro se assumia como líder da AD, com a aceitação do PSD. Mas foi bom que isso aqui tivesse ficado claro e sublinhado, não tendo sido esse um dos menores méritos da iniciativa do Partido Socialista ao promover esta moção de censura ao Governo.

Aplausos da UEDS, do PS e da ASDI.

O Sr. Presidente: - Para um protesto, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Brito.

O Sr. Carlos Brito (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo, Sr. Vice-Primeiro-Ministro: Além de um protesto que faço em nome da minha bancada, vou, mais do que isso, fazer um comentário ao seu discurso.
Uma nota foi já salientada pelo Sr. Deputado Lopes Cardoso, mas parece-me incontestável que a maneira como o Sr. Vice-Primeiro-Ministro se apresentou na tribuna, como comentou a moção de censura apresentada pelo Partido Socialista e o modo como interveio no debate até agora realizado foi de quem se arroga, sem dúvida alguma, o papel de líder carismático da AD.

Uma voz do PSD: - Só tem isso para dizer!

O Sr. Carlos Robalo (CDS): - Que raio de argumento!

O Orador: - Muito estranhei, entretanto, toda a primeira parte do seu discurso. Dir-se-ia que a moção de censura era apresentada não em relação ao governo da AD, mas sim ao PCP!
Na verdade, porquê todo este agitar do espectro do comunismo, todo este agitar do perigo vermelha?

Risos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Portugal da Silveira (PPM): - O perigo é diabólico!

O Orador: - Ontem discutimos aqui na Assembleia da República algumas questões de mentalidade, hoje discutimos questões profudamente políticas. Ontem ouvimos o CDS falar de questões de mentalidade, hoje ouvimos o CDS falar de democracia. É o mesmo pensamento hirto, são as mesmas concepções ultramontanas.

Risos do PSD, do CDS e do PPM.

É a mesma voz do 24 de Abril, ...

Aplausos do PCP, do PS, da UEDS e do MDP/ CDE.

... mas uma voz que se exprime manhosamente e que manhosamente apela para o Partido Socialista nestes termos: «Meus senhores aguentem, aguentem tudo, porque a AD é a barreira ao comunismo.» Uma vez que se exprime manhosamente, dirigindo-se ao nosso povo: «aguentem, aguentem, porque é em nome do anticomunismo - aguentem os tectos salariais; aguentem as pesadas taxas hospitalares; aguentem as multas de 25$ sobre cada embalagem de medicamento; aguentem o corte absoluto de credito para a compra de casa própria; aguentem a política da AD de "não há casas para ninguém"; aguentem o aumento em flecha dos preços dos artigos alimentares e dos factores de produção agrícola; aguentem o aumento do desemprego; aguentem o caos econó-