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260 I SÉRIE - NÚMERO 9

Dialogar sem o próprio saber o que quer, sem se assumir a si próprio é uma- inutilidade. As intervenções dos Srs. Deputados Membros do Governo e de
deputados da maioria mostram um propósito e uma aproximação a um modelo que constitui um bom presságio.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, seja-me permitido referenciar dois membros do Governo: em concreto: os Srs. Primeiro-Ministro e Vice-Primeiro-Ministro.
Sr. Primeiro-Ministro, não escondemos nem fazemos tábua rasa do passado. Por vezes no passado não está vamos de acordo com V. Ex.ª. Mas, mesmo nessa altura,
os elementos de união a V. Ex.ª foram substancialmente
maiores do que os de afastamento.
Nenhum democrata português, nenhum cidadão de boa fé pode recusar a V. Ex.ª os epítetos de homem de Estado, de democrata e de patriota.

Aplausos do PSD, do PS e da ASDI.

Não precisamos hoje de o reafirmar, porque fizémo-lo quando participávamos em blocos de poder distintos.
Hoje testemunhamos-lhe apenas e sobretudo a nossa solidariedade, o nosso apoio e a nossa vontade. Sr. Vice-Primeiro-Ministro, se o PSD pôde estabelecer uma
coligação com o PS tal se deve, e em muito, à presença de V. Ex.ª na liderança do Partido.
Sem um resultado eleitoral favorável, o PSD teria de se assumir como oposição. E se hoje o não é, a sua pessoa, capacidade e determinação muito o explicam.
É V. Ex.ª um símbolo a conglomeração dos sociais-democratas.
O apoio que testemunhamos nesta Câmara será aquele que sempre os
sociais-democratas manifestaram à sua liderança.

Aplausos do PSD e do PS.

Em VV. Ex.ªs, Srs. Primeiro-Ministro e Vice-Primeiro-Ministro, revêem-se os dois partidos da coligação.
Com esperança e com dedicação.
Aliás, a experiência de cooperação interpartidária tem sido, desde 1977, um exemplo essencial ao robustecimento da nossa Democracia. Desde o plano par
lamentar no qual sobressaem os esforços expressos para a Revisão Constitucional, às experiências governativas PS/CDS, à da Aliança Democrática e à presente coligação, o País apercebeu-se do entendimento possível e visível entre os partidos políticos.
Recordamos hoje 1977 e as leis de estrutura do sistema económico na generalidade e hoje ainda em vigor foram objecto de diálogo e empenho do PS e do PSD nesta Assembleia desde a Lei de Delimitação de Sectores às indemnizações, passando pela Lei de Bases da Reforma Agrária e do Arrendamento Rural, foi possível travejar áreas sensíveis e importantes da vida portuguesa.

O Sr. Abílio Curto (PS): - Muito bem!

O Orador: - Num momento de verdade, no mo mento da verdade em que as facturas do passado se vencem hoje. sem apelo nem agravo, no momento em que o rigor vai ser ainda mais sentido por todos, e por todos o deve ser, desde o Estado - e perfilhamos o ponto de vista do Sr. Deputado Morais Leitão - aos cidadãos, é necessário' o mesmo empenho, o mesmo espírito de patriotismo, a mesma vontade e a mesma percepção quanto aos caminhos a seguir.
Fizemos a campanha eleitoral falando de dificuldades e de esforço para as ultrapassar. Não alteramos hoje o nosso discurso.
Assume o Governo a emergência que sente ser indispensável. Enceta o Governo a modernização que o País reclama.
Governe o Governo para o País, sem olhar a grupos concretos, antes olhando o todo nacional, e o País compreenderá a dificuldade, colaborará na acção e propiciará a recuperação que todos desejamos.
Não é fácil o caminho, talvez mesmo o mais doloroso que até hoje atravessámos.
Mas é necessário criá-lo porque só assim salvaremos o Estado democrático, dignificaremos Portugal e construiremos a nossa liberdade.
Estamos com o Governo para essa missão.

Que a cumpra, já que o apoio não lhe faltará: nosso e do País.

Aplausos do PSD, do PS e de alguns deputados do CDS.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Corregedor da Fonseca.

O Sr. Corregedor da Fonseca (MDP/CDE): Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros do Governo: Aguardávamos com expectativa a intervenção do Sr. Ministro da Agricultura. Por certo que o responsável por um dos sectores mais importantes e delicados da nossa sociedade teria alguns esclarecimentos a prestar a esta Assembleia da República.
Mas o Sr. Ministro optou por retirar a sua inscrição na lista dos oradores. Entrou mudo. Parece que vai sair mudo. É grave, Srs. Deputados, é mesmo muito grave.
O Sr. Ministro nada nos vai dizer sobre as intenções e medidas preconizadas para o seu Ministério. Não nos informa sobre as soluções que prevê para os gravíssimos problemas existentes no sector.
Pela nossa parte temos algumas dúvidas que passamos a expor e para as quais pretendemos obter respostas do Governo.
As medidas apontadas no Programa governamental para o sector agrícola, contrastam com os seus veementes apelos à superação da crise, pois aquelas só poderão começar a dar o seu efeito - se o derem a médio e longo prazo.
As medidas são para uma agricultura que se tenciona ter e não para aquela que temos efectivamente.

Face às características da nossa agricultura, as questões que pomos são as seguintes:

O Governo não indica as medidas que vai tomar para, sem perder de vista a perspectiva do desenvolvimento ou seja, de crescimento associado à justa redistribuição dos rendimentos, aumentar a produção agrícola nacional de modo a atenuar a nossa situação demasiado crítica de dependência externa ,em bens alimentares de primeira necessidade.
O Governo pretende a adesão à CEE, a qualquer preço e no prazo mais rápido possível, mas