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752 I SÉRIE - NÚMERO 21

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado João Amaral.

O Sr. João Amaral (PCP): - Sr. Presidente, Sr. Deputado José Junqueiro, o senhor fez o relato da sua leitura dos resultados das eleições autárquicas e no que toca ao Partido Socialista fê-lo com a legitimidade que tem como membro da respectiva direcção, mas resolveu fazer também alguns comentários acerca dos resultados das outras forças políticas, nomeadamente dos resultados da CDU, e eu vou questioná-lo precisamente nessa componente.
Sr. Deputado, os resultados que a CDU teve nestas eleições já nós assinalámos que foram negativos, mas isso não pode apagar, nem o Sr. Deputado o pode fazer, a realidade que é a de uma força política como a CDU ter obtido 660 000 votos, os quais, se somar os votos de Lisboa, rondam os 700 000, andar na casa dos 12/13%, deter a maioria em 41 câmaras do País e ser assim uma grande força política no poder autárquico. Tê-lo sido e continuar a sê-lo.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Esta é a realidade que o Sr. Deputado não consegue apagar.
Mesmo em relação aos casos que referiu e em que o resultado do PCP se traduziu na perda de maiorias em câmaras, isso não significa o desaparecimento da CDU dessas câmaras municipais. Desde a Câmara Municipal da Amadora, onde a CDU tem um resultado de 29%, até à Câmara Municipal de Cuba, onde tem um resultado de 46%, a CDU é uma força activa nesses municípios e continuará a trabalhar e a lutar por soluções para esses concelhos, no quadro da sua actividade política geral.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Ainda por cima, de entre os distritos que deu como exemplo, o Sr. Deputado referiu o de Setúbal. Ora, no distrito de Setúbal, a CDU detém a maioria em 10 dos 13 concelhos e se algo há de interessante no distrito de Setúbal é que na capital do distrito o PS perdeu 10000 votos e a maioria absoluta!

Aplausos do PCP.

Esta é uma realidade concreta da posição do PS.
O PS também tem de olhar para os resultados, medindo-os politicamente. O PS perdeu muitos votos na Área Metropolitana do Porto, perdeu a Junta Metropolitana do Porto. Creio que, quando se faz um balanço sério dos resultados eleitorais, o Sr. Deputado pode ter uma certa tendência para «cantar o fado do vitorioso», mas é melhor medir bem até que ponto tem legitimidade para o fazer.

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Sr. Deputado, ultrapassou o tempo de que dispunha. Faça favor de concluir.

O Orador: - Concluo já, Sr. Presidente.
O Sr. Deputado e os portugueses podem contar com a CDU, com o PCP, como a força política activa e empenhada no quadro do poder local que é hoje e continuará a ser.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Sr. Deputado, havendo mais oradores inscritos para pedir esclarecimentos, deseja responder já ou no fim?

O Sr. José Junqueiro (PS): - Respondo já, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Então, tem a palavra.

O Sr. José Junqueiro (PS): - Sr. Presidente, Sr. Deputado João Amaral, agradeço a questão que colocou, porque me permite lembrar-lhe que, nesta matéria, a autocrítica não fica nada mal e é um sinal positivo na democracia. A recusa da autocrítica é que, em democracia, não é o sinal mais saudável que dela podemos ter.

O Sr. João Amaral (PCP): - Oh, Sr. Deputado José Junqueiro! A autocrítica?!

O Orador: - A verdade é que as câmaras municipais em que o PCP detinha maioria foram, ao longo destes últimos meses, estimuladas para organizarem ou se constituírem em manifestações de ataque ao próprio Governo, em vez de cuidarem da resolução dos problemas primeiros e principais dos munícipes desses concelhos.
A verdade é que Vila Franca de Xira, Amadora, Alpiarça, Cuba ou Montijo - e poderíamos enumerar muitas mais - são o exemplo concreto de como o PCP se ocupou tanto com o ataque ao Governo do PS, aliás, esquecendo-se desse ataque anteriormente, com tanta ferocidade, aos governos da direita, que se distraiu em relação aos seus munícipes, aos seus problemas,...

Vozes do PCP: - Como é o caso de Gaia! E de Tomar!

O Orador: - ... e à resolução concreta das aspirações concretas das populações.
Essa é que é a verdade!
O apelo que fazemos aqui, o que sublinhamos nesta intervenção, é o de que o PCP deve arrepiar caminho e não deve dedicar a maioria do seu esforço ao ataque a uma solução de esquerda para Portugal, conluiando-se com relativa frequência com a direita portuguesa para tentar derrotar o Governo e o PS.
Por último, gostaria de lembrar algo que é fundamental: o PCP ainda tem câmaras - e disse muito bem, ainda tem câmaras -, mas é possível que cada vez venha a ter menos câmaras. Já agora, uma vez que focou a Assembleia Metropolitana do Porto, onde o PS tem maioria, gostaria de lhe perguntar: que maioria é que tem o PCP na Área