29 | I Série - Número: 014 | 15 de Outubro de 2010
PS continue a injectar artificialmente no sistema, sem direitos, com recibos verdes, bolseiros contratados a cinco anos, sem saber o que farão no próximo ano, sem aceitar, sequer, projectos de longa duração,»
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Bem lembrado!
O Sr. Miguel Tiago (PCP): — » porque não sabem o que vão fazer daí a cinco anos»
Protestos do Deputado do PS Manuel Mota.
O Sr. Deputado Manuel Mota sabe perfeitamente que me refiro aos programas Ciência 2007 e Ciência 2008! E, para além de estarem nessas condições, estes investigadores não dispõem das equipas técnicas nem dos meios técnicos nas instituições para levar a cabo a sua missão de investigação.
Portanto, como dizia, o PS pode continuar a tentar manipular os números e resumir esta questão ao número de investigadores, mas a realidade e uma breve visita aos laboratórios de Estado — que, tenho a certeza, o Sr. Deputado Manuel Mota não faz há muito tempo, porque anda a visitar os laboratórios privados, os laboratórios associados, as empresas, uma vez que o Governo gosta muito de abraçar esse tipo de investigação e de enviar milhões e milhões para instituições estrangeiras, como o MIT e o Carnegie Mellon — mostra que a situação é radicalmente diferente.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente (Luís Fazenda): — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado José Moura Soeiro.
O Sr. José Moura Soeiro (BE): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Miguel Tiago, gostava de começar por cumprimentá-lo por ter trazido este tema, porque, de facto, não existe uma política científica consequente se não houver, ao mesmo tempo, investimento na educação, ao contrário do que tem sido feito.
Não há uma política de ciência consequente sem investimento na educação, sem se cuidar das condições sociais do trabalho científico, das equipas de investigação, dos centros de investigação, dos laboratórios associados, sem se reconhecer as condições laborais e sociais dos próprios investigadores, e se tivermos um modelo económico que desperdiça o que é produzido no mundo da educação e no mundo da ciência, porque é um modelo económico baseado nos baixos salários e na desqualificação. E esse é o vosso modelo económico!
O Sr. Bruno Dias (PCP): — «Vosso» do PS!
O Sr. José Moura Soeiro (BE): — Sim, «vosso» do Partido Socialista e do Governo, evidentemente! Se olharmos para o cenário da ciência hoje, verificamos que ele é, em muitos aspectos, decepcionante, Sr. Deputado Manuel Mota, porque direitos sociais e laborais dos investigadores científicos, nem vê-los!» É preciso que haja muita paixão e dedicação pela ciência para alguém tentar iniciar uma carreira científica, porque sabe que, depois de licenciado, ganhará 745 €/mês para fazer investigação com uma bolsa e se ficar desempregado ou doente não tem qualquer direito, além de que nem sequer terá uma reforma decente se, um dia, deixar de trabalhar.
Este é o regime de precariedade do PS e do PSD.
O Sr. Manuel Mota (PS): — Era preferível não estar a fazer nada?
O Sr. José Moura Soeiro (BE): — Para o Governo, os bolseiros de investigação científica são estudantes quando não se lhes quer reconhecer o contrato de trabalho, mas para os obrigar a dar aulas não remuneradas nas universidades, aí já são trabalhadores!