I SÉRIE — NÚMERO 27
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Tem a palavra, Sr. Deputado.
O Sr. Guilherme Silva (PSD): — Sr.ª Presidente, trata-se de uma interpelação sobre a condução dos
trabalhos em relação à matéria que vamos discutir de seguida.
Começo por dizer que a Sr.ª Presidente, numa Conferência de Líderes, teve uma atitude adequada ao
agendar para depois das eleições regionais na Madeira o projecto de resolução, apresentado pelo PCP, sobre
a dívida daquela Região, e fê-lo com o argumento certo, de que não faria sentido a Assembleia da República
envolver-se nessa matéria em pleno período de campanha eleitoral.
O Partido Socialista, o último dos partidos que tem alguma ética moral para criticar a dívida da Região
Autónoma da Madeira face à situação desgraçada em que deixou o País, usou aqui um expediente regimental
para impor este debate.
Quero dizer que a Assembleia da República não se sai bem por, 72 horas antes da eleição, trazer a debate
nesta Câmara um tema que tem sido central na campanha eleitoral.
Protestos do Deputado do PS João Galamba.
A Assembleia da República, em ocasiões eleitorais, tem, inclusivamente, suspendido os seus trabalhos
para manter a equidistância, a não envolvência na campanha eleitoral, e, desta vez, por via deste expediente
do Partido Socialista, a que a Sr.ª Presidente é alheia, naturalmente,…
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Guilherme Silva (PSD): — … vamos ter aqui, 72 horas antes da eleição, um tempo de antena.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Guilherme Silva (PSD): — Não quero deixar de dizer, em nome da dignidade desta Câmara, em
nome daquele que deve ser o papel da Assembleia da República, como órgão de soberania, que, tanto na Lei
Eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, que aqui foi aprovada, como na Lei
n.º 27/99, se recomenda aos órgãos do Estado que não tenham atitudes que não sejam de mera neutralidade
em pleno período de campanha eleitoral.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Guilherme Silva (PSD): — É inédito, é a primeira vez que a Assembleia da República o vai fazer!
Farei chegar à Mesa um pequeno estudo sobre a dívida do Estado para demonstrar que a dívida indirecta
somada à dívida directa…
Risos do Deputado do BE Francisco Louçã.
A Sr.ª Presidente: — Sr. Deputado, já saiu dos limites da questão da ordem de trabalhos.
O Sr. Guilherme Silva (PSD): — Sr.ª Presidente, vou fazer chegar à Mesa este documento para
demonstrar que a dívida directa e indirecta do Estado atinge 333 000 milhões e que as comparações de
percentagens que se fazem entre o PIB e a dívida regional e a dívida do Estado não são as adequadas.
Sr.ª Presidente, peço, pois, a V. Ex.ª que providencie a distribuição deste documento.
Aplausos do PSD.
A Sr.ª Presidente: — O Sr. Deputado Guilherme Silva fez uma interpelação à Mesa, que, em boa verdade,
se enquadra na lógica e nos fundamentos da figura da interpelação à Mesa que consta do Regimento,
colocando a questão da oportunidade e também da legalidade do debate de actualidade que hoje terá lugar.