22 DE DEZEMBRO DE 2012
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interesses das populações. Aliás, ainda nem percebemos por que é que ela foi feita. Se calhar, foi porque
tinha 150 anos?! É um bom motivo.
O PSD e o CDS acabaram de dar o maior golpe no poder local, extinguindo 1200 freguesias, e ninguém vê
vantagens nesta proposta, nem sequer os seus autores, o PSD e o CDS, que, por várias vezes, tentaram fugir
à paternidade da obra. É verdade! Ouvimos, por várias vezes, da bancada do PSD, uma coisa que sintetizava
o estado de espírito dos proponentes desta lei: a proposta é boa, mas a proposta é tão boa, tão boa, que a
culpa é do Partido Socialista, que a pôs no Memorando. Meus senhores, isto revela exatamente a convicção
com que os senhores trabalharam esta proposta. Hoje, foi dito pelo Sr. Deputado Altino Bessa: «A proposta é
boa, mas a culpa é do Partido Socialista, que a pôs no Memorando».
Agora, vamos esperar que o Presidente da República faça o que tem a fazer, porque, felizmente, ainda
temos uma Constituição a que também os partidos da maioria estão sujeitos.
Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, não há mais inscrições para declarações de voto, pelo que os
nossos trabalhos chegaram ao fim.
A próxima sessão plenária realizar-se-á na quinta-feira, dia 27, às 15 horas, e terá a seguinte ordem de
trabalhos: declarações políticas; apreciação, na generalidade, da proposta de lei n.º 110/XII (2.ª) — Estabelece
um regime temporário de pagamento dos subsídios de Natal e de férias para vigorar durante o ano de 2013; e
apreciação do projeto de resolução n.º 378/XII (1.ª) — Recomenda ao Governo o aprofundamento, revendo,
do Regulamento das Contrastarias, a intensificação e alargamento dos atos fiscalizadores e a disponibilização
de informação no âmbito da defesa do consumidor, bem como a introdução de novos instrumentos e
procedimentos para facilitação da investigação (Comissão de Economia e Obras Públicas).
Srs. Deputados, aproveito para desejar a todos um Natal muito feliz.
Está encerrada a sessão.
Eram 18 horas e 16 minutos.
———
Declarações de voto enviadas à Mesa, para publicação
Relativa ao projeto de resolução n.º 530/XII (2.ª):
O Grupo Parlamentar do PSD partilha da preocupação manifestada no texto do projeto de resolução n.º
530/XII (2.ª), apresentado pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, no que diz respeito à cobrança
coerciva com recurso à autoridade tributária, das dívidas de estudantes e antigos estudantes relativamente ao
pagamento de propinas. Tendo em conta que:
a) Em regra, um estudante do ensino superior não tem património em seu nome, ou se tem o mesmo é
pouco expressivo;
b) Os jovens recém-licenciados enfrentam, atualmente, algumas dificuldades em conseguir emprego
imediatamente após a conclusão do seu ciclo de estudos, podendo retardar, desta forma, a regularização de
eventuais dívidas à instituição que frequentaram;
c) O processo de análise de bolsas se encontra a decorrer, podendo alguns destes estudantes estar a
aguardar o resultado da sua candidatura para, eventualmente, regularizarem a sua situação junto dos serviços
administrativos das instituições;
d) Um processo de cobrança coerciva pode afastar definitivamente o estudante da instituição que frequenta
ou frequentou.
No entanto, o Grupo Parlamentar do PSD votou contra esta proposta pelas seguintes razões:
— A justificação para as propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda deturpa a realidade e não
coincide, nem de perto nem de longe, com os dados da ação social escolar no ensino superior em Portugal