I SÉRIE — NÚMERO 29
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O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — Na política, a ética e a verdade devem fazer parte do nosso discurso,
sob pena de continuarmos a desclassificar tudo isto, e creio que não é isso que o Sr. Primeiro-Ministro quer.
Queria dizer-lhe que, depois de toda esta conversa, e estamos a terminar o ano…
O Sr. Presidente: — Peço-lhe para concluir, Sr. Deputado.
O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — Vou terminar, Sr. Presidente, dizendo o seguinte: esta semana, o Sr.
Primeiro-Ministro teve a ocasião de dizer que este foi um ano saboroso. Creio que, depois de todo este debate,
depois de tudo o que passámos durante este ano, o que ficou muito claro é que, para os portugueses, este foi
um ano bem penoso…
A Sr.ª Isabel Alves Moreira (PS): — Só se foi para o PSD!
O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — … e a responsabilidade, essa, é sua, que é Primeiro-Ministro.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente: — Vamos passar ao Grupo Parlamentar do PS. Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos
César, para colocar questões ao Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Carlos César (PS): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr.as e Srs. Membros do Governo, Sr.
Primeiro-Ministro: De regresso ao País.
Estamos a chegar ao fim de mais um ano. Um ano positivo, é certo,…
O Sr. Amadeu Soares Albergaria (PSD): — Está a chegar agora!
O Sr. Carlos César (PS): — … porém, um ano em que para a nossa memória relevam os acontecimentos
infelizes dos incêndios florestais, que nos sobressaltaram, roubaram vidas e destruíram economias. Ficaram,
ainda assim, avisos que temos obrigação de acatar para não esperarmos mais tempo na execução de reformas,
nas quais temos trabalhado para reduzir riscos futuros, reformas como a das florestas, que o atual Governo,
desde cedo, agendou, reformas como a da descentralização, que o Governo procurou que capacitem o poder
local e o mobilizem para as tarefas indispensáveis de proximidade. Em 2018, o PS estará empenhado na
concretização dessas dimensões reformistas.
Compete-nos agora ressarcir os prejudicados e regenerar os territórios afetados. Estando embora o Governo
a cumprir a sua obrigação, e não a conceder benesses ou sustentar clientelas, como referiu ainda ontem o líder
do maior partido da oposição, saudamos a forma diligente como tem empreendido a reconstrução, bem como a
convocação excecional de recursos a que procedeu para o efeito.
Os beneficiários diretos, como os portugueses em geral, necessitam da comprovação que está a ser dada
para reforçar a confiança que todos têm o direito de ter e de exigir do Estado para a sua proteção e
compensação.
Todos, sem exceção, têm o dever de se irmanar na concretização desses objetivos. As dificuldades extremas
e o sofrimento das pessoas não são palco para divergências fúteis e aproveitamentos partidários. Mesmo que
outros falhem nessa procura do sentido comum que reclamamos, o PS dirá sempre «presente», sempre «os
portugueses, primeiro».
Aplausos do PS.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Fazemos votos, sem qualquer hipocrisia, para que a oposição mude
de vida e esteja melhor em 2018 do que esteve em 2017.
Ao CDS, que anunciou, cito, «o falhanço rotundo da política económica», temos, para devolver, o par de
óculos que a sua líder nos ofertou há precisamente um ano, nesta Assembleia.