22 DE JULHO DE 2021
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Tem a palavra, para esse efeito, pelo Grupo Parlamentar do PSD, o Sr. Deputado Adão Silva.
O Sr. Adão Silva (PSD): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros do Governo, Sr.as e Srs. Deputados, quero começar a minha pergunta ao Sr. Primeiro-Ministro fazendo um elogio aos portugueses, que
nestes tempos de angústia e de grande dificuldade têm sido verdadeiramente valentes, corajosos. Falo,
naturalmente, do cidadão comum, que tem tido grandes penalizações, muitas vezes com mortes e grande
sofrimento em casa, mas também dos profissionais — os da saúde, os dos lares, os das Forças Armadas, os
das forças de segurança, os bombeiros, todas as entidades que têm colaborado para que Portugal não vá ao
fundo, nesta situação pandémica.
Aplausos do PSD.
Os portugueses, Sr. Primeiro-Ministro, têm sido valentes, corajosos, mas o Governo, apesar do esforço de
V. Ex.ª e dos milhões que andou aqui a anunciar, apresenta-se claramente, neste momento, como um Governo
cansado e desgastado.
Aplausos do PSD.
Mais lhe direi: como um Governo que se pressente — desde logo, pelas imensas trapalhadas que todos os
dias nos assolam — que não tem mão para reerguer o País. Veja bem, Sr. Primeiro-Ministro: como é que vai
reerguer o País e vai chegar à tal libertação, se o Governo não é capaz de fazer bem nos tempos de provação?
Se faz mal nos tempos de provação, não dá garantias de que seja capaz de fazer bem nos tempos de libertação.
Veja, por exemplo, no âmbito da saúde, Sr. Primeiro-Ministro. Que fique claro que nós, PSD, somos
fundadores do Serviço Nacional de Saúde, estamos com o Serviço Nacional de Saúde.
Aplausos do PSD.
Protestos do PS.
E esta, Sr. Primeiro-Ministro, não é uma questão ideológica, é uma questão prática, é uma questão do sentido
prático das coisas.
Digo-lhe mais, Sr. Primeiro-Ministro: o que o Serviço Nacional de Saúde teve foi um encontro com uma falta
de investimento no passado recente, e mesmo no antigo, uma falta de mobilização de funcionários para que
funcionasse bem. Mesmo assim, há que fazer um elogio ao nosso Serviço Nacional de Saúde.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Adão Silva (PSD): — Dito isto, acrescento: como é que vamos responder, como é que V. Ex.ª vai responder ao milhão de portugueses que não têm médico de família, quando V. Ex.ª prometeu, em 2016, que
em 2017, finalmente, todos os portugueses iriam ter médico de família? Não têm!
Aplausos do PSD.
E mais do que não o ter, temos hoje menos portugueses com médico de família do que tínhamos em 2015.
E faltar médico de família é sintomático, porque é o prenúncio de grandes dificuldades e de grande sofrimento.
Mais ainda, Sr. Primeiro-Ministro: como vamos responder aos portugueses que não têm as consultas
presenciais — faltarão cerca de 10 milhões de consultas presenciais —, que não têm as cirurgias que deviam
ter — faltarão vários milhares de cirurgias —, que não têm os exames de diagnóstico e terapêutica — faltarão
cerca de 25 milhões de exames — e também aos doentes oncológicos, que não têm apoio? Como vamos
responder a estes cidadãos que têm a sua vida suspensa e, obviamente, estão numa situação de grande
tensão?