O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

22

II SÉRIE-A —NÚMERO 4

pergaminho, além do índice e do registo na Torre do Tombo, é subscrito por Fernão de Pina, filho do célebre cronista Ruy de Pina, e assinado com rubrica pelo punho do Rei Venturoso».

Os nomes de Figueiredo e Bemposta, na douta opinião do consagrado historiador Padre Dr. Nogueira Gonçalves, quererão dizer que o concelho, considerado inicialmente como tendo sede erh Figueiredo, ou sendo Figueiredo o nome genérico de toda a zona, a posterior valorização do sítio da Bemposta, por onde passava o grande caminho do sul a norte, ocupando Uma posição topográfica de excepção, que o nome imposto em qualquer época explica, chamando a nobreza regional para o seu assento, para aqui trouxe o pelourinho e a casa da Câmara.

Conforme pode ler-se no «Registo das cidades, vilas e lugares que há em a comarqua da Estremadura», coligido por mandato real em 1527, o concelho da Bemposta era dos mais importantes de toda a província. Abrangia terras dos concelhos hoje vizinhos, referidas no foral pela seguinte ordem: Figueiredo, Bemposta, Branca, Contumil, Santiais, Canelas, Salreu, Fermelã, Pinheiro, Fonte Chã e Asseqúins. Figueiredo, Bemposta, Contumil, Pinheiro e Fonte Chã pertencem hoje ao concelho de Oliveira de Azeméis; Branca ao de Albergaria-a-Velha; Santiais, Canelas, Salreu e Fermelã ao de Estarreja; Asseqúins ao de Águeda. Fácil, pois, avaliar da dimensão e importância do concelho.

Figueiredo e Bemposta estiveram no século xv na posse dos Albuquerques, mas, falecendo Henrique de Albuquerque, voltou à Fazenda Real; D. Manuel I, 9 de Setembro de 1497, fez doação a Jorge Moniz, sendo em tempo do filho deste, Jorge Moniz, a concessão do alvará. Por ter caído a casa na varonia dos Noronhas (face ao casamento de D. Juliana, sexto senhor, com D. Pedro Noronha, nono senhor de Vila Verde), por este último apelido ficaram conhecidos os donatários, sendo o sétimo, o neto de D. Juliana, D. António Pedro de Noronha e Sousa, o primeiro marquês de Angeja, que já era segundo conde de Vila Verde.

Está historicamente provado que em Figueiredo teve lugar a reunião dos bispos do Porto e de Coimbra, em 1114, numa tentativa de estabelecer concórdia no litígio das fronteiras entre as duas dioceses.

Em 19 de Janeiro de 1109, um presbítero de nome Rodrigo doou à Sé de Coimbra, na pessoa do bispo D. Gonçalo, a quarta parte da vila rústica do Curvai situada entre a Branca e Alviães.

Conta Fernão Lopes, na Crónica de D. João /, que o rei adoeceu no Curvai (nos Paços do Curvai) no fim do mês de Junho de 1387. Tão grave a doença que a própria rainha, que tinha vindo para Coimbra, esteve no Curvai juntamente com seu pai, o duque de Lencastre.

Esta chamada quinta do Curvai foi o prazo fundamental dos Sas de Coimbra. Foi concedido por D. João Galvão, bispo de Coimbra, e primeiro conde de Arganil, em 1482, a João Rodrigues de Sá, pelos serviços prestados, nomeadamente na famosa batalha de Toro, onde ambos estiveram. O prazo era do tipo familiar e continuou nos Sás até ao fim do século xvi, época em que o possuía Artur de Sá, falecido sem geração. Após variadíssimos acidentes, foi repartido pelos senhores do prazo de Anadia e pelo sétimo senhor da casa da Cavalaria.

A freguesia de Pinheiro da Bemposta poder-se-á dizer que é toda ela um museu, não escasseando bem evidentes sinais desse passado de grandeza. É o vetusto pelourinho manuelino; é o velho edifício dos Paços do Concelho em fase de recuperação; é o votivo cruzeiro do século xvii; é do mesmo século a votiva ermida da Senhora da Ribeira, que alberga

um retábulo de João de Ruão; são os brasonados solares escurecidos pela patina dos séculos; são as ruas sinuosas onde avultam varandas graníticas das tradicionais casas portuguesas de há dois e três séculos; é a estação da mala-posta, uma das mais importantes e primeiras da região. Todo um valiosíssimo património que o recém-criado gabinete técnico tentará preservar.

Impensável seria a descrição das casas senhoriais de Pinheiro da Bemposta, descrição que, obviamente, não cabe nos limites naturalmente estreitos deste apontamento.

Embora que em fase adiantada de degradação, é possível ainda apreciar a grandeza da casa de Fonte Chã, ligada por um passadiço à sua capela de São José. Sabe-se que o capitão António Cardoso da Cunha, nascido em 1640, ali mandou realizar grandes obras entre 1660 e 1667. As armas dos Cardosos da quinta de São Martinho dos Mouros, e dos Cunhas da quinta do Mato, de São Martinho de Salreu, ornavam o brasão de um destruído tecto, brasão que cobria o túmulo da família, hoje escondido pelo soalho da igreja.

A esta família se ligava grande parte da nobreza do Norte do País, sendo frequente encontrar-se-lhe referências nos genealogistas.

A Casa do Cruzeiro, ainda na posse da família, do século xvm, encontra-se em perfeito estado de conservação, e o seu brasão, que deverá corresponder ao capitão Manhel José Sá Pereira de Melo Leitão, compreende as armas dos Sás, Pereiras, Meios e Leitões. A chamada «casa de cima», logo a seguir, da mesma família, da época setecentista, apresenta um tecto maravilhoso e uma panorâmica varanda de colunas apoiadas em pedestais.

A Casa do Arco, na Bemposta, do século xvm, como que introduz a povoação.

A Casa de S. Gonçalo, sempre presente nos livros das genealogias, foi dos Henriques Soares, vindo a recair nos Barbosas de Quadros. Data do século xvoi.

A Casa da Bemposta, ainda do século xvm, tem armas dos Tavares, Silvas, Araújos e Albuquerques.

Muitas outras casas poderiam referir-se, como a do Calvário, e tantas que constituem valiosíssimas peças de valiosíssimo património arquitectónico e monumental.

Mas Pinheiro da Bemposta foi ainda berço de cidadãos notáveis na política, nas artes, nas ciências, na diplomacia, na literatura e na virtude.

À já referida Capela da Senhora da Ribeira está associado o nome de D. Frei Sebastião da Ascensão, religioso dominicano, originário do Convento de Aveiro e mestre em Teologia no Convento de Lisboa, sagrado bispo de Cabo Verde a 26 de Junho de 1611 e sepultado na Igreja de Nossa Senhora òx> Rosário da Ribeira Grande em 18 de Março de 1614.

A história deste votivo templo, com festa anual, conta-a a inscrição ainda existente:

ESTA HERMIDA E DA V1RGÊ SANTISS(1M)A N. S. DA R1B(EI)RA. MANDOV FAZER NESTE LVGAR AONDE ESTAVA A ANTíGA D. F. SEBASTIÃO DA ASCE-SÃO BISPO DE SAT1AGO E l-LHAS DO CABO GERDE GINE, E RELIGIOSO DA ORDE DO GLORIOSO P. S. DOMINGOS PER SEVS AVOS E PAIS, E ELLE TER M(VI)TA DEVASAO A ESTA SENHORA

E DEIXOVLHE RÍDA PERA A

FABRICA Ê TODAS

AS FESTAS DE N. S. 1611