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II SÉRIE-A — NÚMERO 50 168______________________________________________________________________________________________________________

Taxa de juro nominal

A taxa de juro nominal inclui o efeito conjunto da taxa de inflação e da taxa de juro real, captando ainda o efeito das condições de acesso ao crédito. Um aumento da taxa de juro nominal poder resultar de restrições de financiamento, com efeito positivo sobre a poupança por motivos de precaução. Em geral, é identificado na literatura um sinal positivo entre a inflação e a taxa de poupança. Este efeito surge na medida em que períodos de elevada inflação surgem relacionados com maior incerteza, induzindo a poupança por motivos de precaução. Adicionalmente, uma inflação mais elevada tenderá a diminuir o valor da riqueza das famílias, o que poderá motivar uma maior poupança para compensar este efeito. O aumento da taxa de juro real tenderá também a conduzir a aumento da poupança, uma vez que promove o aumento do custo de oportunidade do consumo no momento presente (efeito substituição). Contudo, o efeito de aumento do rendimento futuro associado à maior remuneração das poupanças acumuladas poderá levar a um aumento do consumo atual (efeito rendimento).

Os resultados do modelo apontam para uma relação positiva entre a taxa de juro nominal e a taxa de poupança no longo prazo, sendo que para uma subida de 1 p.p na taxa de juro espera-se um aumento da taxa de poupança em 0,6 p.p..

Saldo orçamental

De acordo com a teoria económica será de esperar que a diminuição do saldo orçamental se reflita num aumento da taxa de poupança, tendo em conta que a uma diminuição do saldo orçamental poderão estar associadas diminuições de impostos ou aumento das prestações sociais com impacto positivo sobre o rendimento disponível das famílias. Adicionalmente, em situação extrema de desequilíbrio das contas públicas caracterizada na equivalência Ricardiana, a diminuição do saldo orçamental (ou aumento do défice público) resulta num aumento da poupança por motivo de antecipação de despesas futuras com impostos. Esta condição depende fortemente da fração de famílias com restrições de liquidez.

Os resultados do modelo apontam para uma relação negativa entre o saldo orçamental e a taxa de poupança no longo prazo, sendo que para uma descida de 1 p.p no saldo orçamental (agravamento do défice) espera-se um aumento da taxa de poupança em 0,9 p.p..

Taxa de variação do PIB real

A taxa de poupança tende a aumentar com o rendimento em termos agregados, tendo a poupança um comportamento geralmente pró-cíclico.

Os resultados do modelo apontam para uma relação positiva entre a taxa de variação do PIB real e a taxa de poupança no longo prazo, sendo que para uma subida de 1 p.p na taxa de variação do PIB real espera-se um aumento da taxa de poupança em 0,6 p.p..

Poupança e desigualdade do rendimento

Para além destes fatores determinantes da poupança no longo prazo, a caracterização da poupança sugere a relação entre a taxa de poupança e a desigualdade na distribuição do rendimento. De facto, a análise histórica parece identificar uma relação entre a redução da desigualdade na repartição do rendimento e a redução da poupança.

Esta relação poderá ser explicada pelo facto de em momentos de menor desigualdade verificar-se uma maior afetação do rendimento aos escalões com maior propensão ao consumo, entre outros fatores (Gráfico 5).21

A redução da poupança tende a ser associada à redução da capacidade de financiamento.22 Contudo, nas famílias portuguesas, a diferença entre a poupança bruta e a capacidade líquida de financiamento resulta sobretudo do

21 Note-se que poderá existir endogeneidade entre a redução da desigualdade e o crescimento económico. 22 Note-se que a poupança bruta se refere ao conceito das contas nacionais setoriais, calculado com base no rendimento disponível menos consumo final das famílias e ajustado da participação das famílias em fundos de pensões. A capacidade/necessidade líquida de financiamento corresponde à poupança bruta somando as transferências líquidas de

UTAO | PARECER TÉCNICO n.º 3/2016 • Análise à Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2016

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