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seja bastante longo. Por um lado, não é preciso ser de esquerda para gostar de cultura…

O Sr. Augusto Santos Silva (PS): - Só é preciso ser culto!

O Orador: - …e, mais ainda, vai acabar a lógica da representação…
Sr. Deputado Augusto Santos Silva, fará depois os seus juízos depreciativos. De qualquer modo, quero assinalar que o Sr. Deputado envereda agora por um caminho que em mim censura vivamente. Aliás, censurou-o no passado em termos que só não me ofenderam porque tenho por si muita consideração. E quero só dizer-lhe que deveria adoptar uma lógica de reciprocidade nessa asserção implícita que deixou. Mas, com todo o respeito, acredite que tenho poder de encaixe suficiente e pode até continuar porque considero isso até um sinal de que lhe mereço alguma observação, o que é melhor do que ser ignorado.
Continuando, vejo que vai acabar com a lógica da representação que coloca em cima do palco mais pessoas do que aquelas que se sentam na plateia e que não vamos ter presente a ideia de que basta pedir para receber. Ora, não estando nós em Bizâncio, em Versalhes ou tão-pouco em Moscovo, com uma concepção oficial de arte, diria que o elogio final é para o rigor da sua gestão, para a solidariedade que revela e para a certeza de que não vamos ter mais episódios do tipo Teatro Camões. Aguardo ansiosamente a resposta a um requerimento que subscrevi com o Deputado João Pinho de Almeida, mas não sou nada favorável a esse tipo de gestão da política cultural. Acho que tínhamos terminado com D. João V, e bem, na altura, uma política de grandes obras. Houve, em determinado momento, a tentativa de auto-entronização de um D. Manuel III, que falhou completamente, e só lhe peço que não opte por isto.
A minha pergunta final é igual à que fiz ao Ministro da Educação, mas agora na área da cultura: está em condições de garantir que em 2006, no fim do seu mandato, teremos mais e melhor política cultural?

O Sr. Presidente: - De acordo com as sugestões que foram feitas há pouco, pergunto se ao Sr. Deputado João Pinho de Almeida se quer intervir agora.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): - Quero sim, Sr. Presidente, para uma intervenção necessariamente curta.

O Sr. Presidente: - Então, tem a palavra, Sr. Deputado.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): - Sr. Presidente, o Sr. Ministro teve a oportunidade de, ao longo das respostas que foi dando aos Srs. Deputados, ir correndo as várias áreas do orçamento da cultura de uma forma serena, discutindo a fundo todas as questões, mostrando que não há no Ministério da Cultura qualquer receio de fazê-lo. Trata-se de mais um orçamento - é o terceiro que hoje discutimos nesta Comissão - de verdade, que, por sê-lo, tem partes mais agradáveis e outras menos agradáveis, mesmo para quem o defende e para quem vai ter de pô-lo em prática, necessariamente, mas não há qualquer problema por parte do Ministério da Cultura quanto à sua discussão. No passado aconteceu exactamente o inverso: existiram, de certeza, orçamentos que não eram tão verdadeiros quanto este e aí, sim, houve mais problemas em discuti-los, porque não sabíamos nunca o que é que dali iria resultar em verdade e o que é que só estava inserido no orçamento como mera ilusão ou sonho.
Obviamente que, para quem considera a cultura uma área importante e fundamental em termos políticos, este não é um orçamento satisfatório, como o não é, em área nenhuma, para alguém que se interesse por qualquer uma das áreas, este ou qualquer outro orçamento. Acontece que a cultura é uma área que faz parte de um orçamento global, o Orçamento do Estado para 2003 e, obviamente, tem de ser integrada num esforço colectivo de contenção e de rigor.
Por outro lado, este é um orçamento que herda também algumas situações na área da cultura que não são propriamente do nosso agrado. Obviamente, nos últimos anos a gestão da cultura não foi sempre igual - durante o governo do Partido Socialista houve várias gestões da cultura -, mas há pouco o Sr. Deputado Gonçalo Capitão deu um exemplo daquilo que não se deve fazer em termos de política cultural. Se noutras áreas há certos negócios que não são desejáveis e que nunca defenderemos, no campo da cultura - e já discutimos isto nesta Comissão -, mesmo se tivermos uma visão frontal desta questão, em termos políticos é muitas vezes difícil de impor, dentro dos partidos, a cultura como área fundamental.
Portanto, um trabalho que todos teremos de desenvolver é o de dar mais protagonismo à área da política cultural dentro do debate político - e, obviamente, casos como o do Teatro Camões prejudicam manifestamente esse trabalho.
No entanto, este Orçamento não é aquilo que muita gente procurou fazer crer que era, ou seja, um orçamento de quase inexistência da cultura para o ano de 2003. Muito pelo contrário!… Vemos, por exemplo, que o grande evento Coimbra, Capital Nacional da Cultura terá um apoio bastante grande, e que vai ser um acontecimento que não se caracterizará apenas, como disse o Sr. Ministro, pelas realizações que ocorrerão no âmbito da Capital Nacional da Cultura mas também pelo que ficará, nomeadamente em termos de infra-estruturas, na cidade de Coimbra.
O Museu do Douro é também uma prioridade que este Governo elege e bem e para a qual tem o nosso total apoio, mas, analisando o Orçamento, vemos que existe um aumento de investimento, por exemplo, na área das bibliotecas, dos livros e da leitura e que outras áreas sofrem, aparentemente, um corte. É esse o caso da arqueologia, mas o facto tem muito a ver com a reestruturação do sector. Desde o início a reestruturação da política em matéria de arqueologia foi assumida como prioridade por este Ministério da Cultura e isso vê-se já neste orçamento. Mas, Sr. Ministro, há questões que são importantes garantir para o próximo ano, tais como a modernização em termos culturais, a introdução de tecnologias não só em termos dos arquivos, por exemplo, mas também em termos da própria utilização que a oferta cultural pode ter. Principalmente para as novas gerações, é fundamental que se invista em tecnologias susceptíveis de proporcionar uma oferta mais próxima e continuar um trabalho grande de aproximação do público. Já aqui foi caricaturada a situação, mas a verdade é que, no passado, por exemplo no caso do teatro, apoiaram-se muitas vezes foram apoiados projectos em que as pessoas presentes no palco eram em maior número do que as que se encontravam na plateia e isso, obviamente, é incompreensível - e com isto não quero dizer que a peça fosse má; o público é que podia não estar formado para