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18 DE JANEIRO DE 1936 281

exteriorizar a nota emotiva que neste momento sugeriu. Foi numa dessas escolas, a de Leça da Palmeira, há muito devorada pelo porto de Leixões, que fiz o exame de instrução primária. Tenho, pois, um motivo sentimental para evocar esse grande benemérito, que marcou notavelmente o principio de que o homem rico deve contribuir, pela propagação do ensino, para o bem da colectividade.
No campo científico, porém, são mais raros os beneméritos, e não me recordo agora de grandes nomes, a não ser o de Bento da Bocha Cabral, mercê de quem pude criar-se uma coisa pouco comum entre nós e excepcional então: um instituto de investigação científica. Recentemente, é de citar o nome de Abílio Lopes do Rego; com justiça se deu o seu nome ao laboratório de isótopos do Instituto de Oncologia.
Tudo isto é produto do acção individual de pessoas que querem assinalar por essa forma a sua cultura c o seu patriotismo. Mas, em Portugal, que me conste, nunca uma empresa industrial se lançou no caminho de proteger, de maneira bem saliente, materialmente vultosa, a cultura portuguesa. É um caso insólito que merece comentário, mais que pelo montante do donativo, pelo que significa no estado social contemporâneo. Aqui, como em toda a parte, irão rareando as grandes fortunas. Se ainda hoje há alguns muito ricos, riquíssimos mesmo, entre eles há muito poucos não absorvidos pelo prazer da contemplação do seu dinheiro e do seu amontoamento. Oxalá assim não fosse...
Hoje, as grandes empresas industriais, por efeito da concentração, dispõem de largos recursos excedentes da justa remuneração dos capitais respectivos. São elas que podem, sem necessidade de vencer egoísmos, contribuir para o progresso nacional por meio de donativos para obras culturais.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Dai a valiosa projecção que entendo ter este caso insólito da Sacor. Dizem-me que se deve à iniciativa do maior dos seus accionistas, o Sr. Martin Sain. Honra lhe seja dada, mas para o caso não foi uma pessoa, mas uma empresa que teve esse magnifico gesto. Que ele constitua um exemplo a seguir, sem demora, são os meus votos e são por certo os votos de quantos ouviram esta pequena intervenção.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Sr. Pedro Cymbron: - Sr. Presidente: as vantagens que para a acção governativa advém das visitas ministeriais às mais variadas regiões do País são claras e indiscutíveis.
Sem dúvida, o facto de os estadistas percorrerem todas as províncias, indo até aos meios rurais e urbanos mais modestos a ouvir grandes e pequenos permite ao Governo não se conhecer o valor dos anseios dos povos, a razão das suas reclamações e as possibilidades económicas das terras em que vivem, mas ainda, o que me parece muito importante também, captar a confiança dos governados.
Só a posse de ideias exactas, como as colhidas ou originadas em contactos directos com a alma da Nação, pode dar lugar a estudos sérios e conclusões rigorosas, que são base da administração sábia e justa e, consequentemente, de distribuição equitativa de benefícios e desenvolvimento equilibrado das diferentes regiões do País.
Ainda se estão a sentir os efeitos da viagem realizada há três anos ao distrito de Ponta Delgada pelo Sr. Ministro do interior, que, apercebendo-se da necessidade de aliviar a pressão demográfica em S. Miguel, logo determinou fosse atribuída àquela ilha elevada parcela do contingente imigratório concedido a Portugal pelo Canadá.
E o tempo não levou o Sr. Dr. Trigo de Negreiros a esquecer o que observou no passeio magnífico que fez aos Açores, pois outra quota importante voltou este ano a ser destinada a S. Miguel, estando a ultimar-se os trabalhos que permitirão a saída em breve de mais algumas centenas de micaelenses.
Sr. Presidente: poucas semanas antes de findar 1955 visitou o círculo que represento nesta Assembleia o Sr. Ministro das Obras Públicas, e começam já a surgir os resultados do trabalho escrupuloso e extenuante realizado por aquele ilustre estadista durante os seis dias que permaneceu no distrito de Ponta Delgada.
Apesar das limitações impostas por horário muito apertado para tão vastos afazeres, o Sr. Eng. Arantes e Oliveira só não esteve em contacto com duas freguesias do distrito e atendeu a toda a gente com uma solicitude admirável, que impressionou profundamente os homens simples daquelas terras simples e os animou a falar, sem rebuços, das dificuldades que os afligem.
Infelizmente não estou autorizado a dar publicidade a um despacho do Sr. Ministro das Obras Públicas, relativo à sua viagem ao distrito de Ponta Delgada, que me foi comunicado com a nota de confidencial, mas posso afirmar tratar-se de documento notável que, pela superior visão de conjunto e pelo magnífico programa traçado, dá a medida da estrutura do homem de governo que o subscreve.
Exprimo o sentir do distrito de Ponta Delgada ao agradecer ao Sr. Eng. Arantes e Oliveira a sua visita e tudo o que já fez a nosso favor e espero Sr. Presidente, que as terras e gentes de Santa Maria e S. Miguei tenham causado ao Sr. Arantes e Oliveira impressões tão fortes e Agradáveis como as que S. Ex.ª deixou espalhadas por todos os cantos daquelas ilhas.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Agnelo do Rego: - Sr. Presidente: entrámos há pouco no ano de 1956. É novo o ano, mas são, infelizmente, velhas as deficiências morais com que se apresenta.
O progresso material, na verdade admirável, não tem correspondente no campo moral, e, sob este aspecto, o novo ciclo agora iniciado retrotrai-nos, por assim dizer, aos tempos longínquos do império romano na véspera das invasões dos bárbaros. É de facto grande na nossa época o desequilíbrio entre as realizações da matéria e as obras do espírito.
Em meio do pleno e aliás legítimo gozo das conquistas e aperfeiçoamentos materiais, esforçam-se os governantes por assegurar a paz, mas esquecem por vezes que, se ela só pode ser fruto da justiça e se esta consiste em dar a cada qual o que lhe pertence, eles não dão, afinal de contas, à moral, com frequência, o respeito, a defesa e o império que lhe são devidos.

Vozes: - Muito bem !

O Orador: - Não se lembram, por isso, de que a paz não se consegue apenas com a preparação dos exércitos, senão também com a mobilização das almas.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E, assim, vocifera-se contra a ideologia do comunismo - o Islão dos nossos dias - e prepara-se até a resistência à sua possível investida armada.