4 DE FEVEREIRO DE 1956 437
aberto, vivem, perfilham e professam os princípios doutrinários definidos pelo génio criador e renovador do grande homem de Estado que nos orienta, nos guia, nos governa.
Vozes: - Muito bem!
O Orador:-Bem merecem, Sr. Presidente, ser destacadas e lembradas na Assembleia Nacional, como assembleia política que é, na sua mais alta representação, algumas afirmações, todas quantas foram feitas nessa magistral oração, que indica e aponta com a mais expressiva clareza e a mais notável verdade o caminho a trilhar, a orientação a seguir, trajectória luminosa de fé e de certeza nesta nova fase da União Nacional como «intensificação bem necessária da nossa actividade política».
São bem dignas de ser meditadas e seguidas toda essa série de indicações e considerações, elaboradas com o propósito de definir e compreender com a justeza e precisão necessária o que e política, qual o seu valor, o seu objectivo e a sua utilidade perante as necessidades e os problemas da Nação.
Sr. Presidente: Salazar é incontestavelmente a figura mais representativa da intelectualidade portuguesa na sua generosa actividade, possuidor de nina mentalidade tão superiorizada e tão distinta, digna da admiração do mundo inteiro, mentalidade inconfundível, que não pode aceitar confronto ...
Vozes: - Muito bem, muito bem!
O Orador:-... tão largamente se observa a sua projecção. Os seus discursos são modelares na forma, profundos nos conceitos, ricos nos ensinamentos; lições magistrais que orgulhosamente e embevecidos ouvimos e aprendemos.
Ao lê-los ou ao escutá-los, seja qual for o motivo superior que lhes der causa, o nosso espirito sente-se dominado pela verdade do sen raciocínio, pela acção doutrinária que exprimem e exercem com a claridade da fé, que a todos ilumina dentro do fervor refulgente da verdade, alheia a ficções. Ele é sempre o mesmo, e tão grande que o seu valor não sofre limitações, sabendo como ninguém ligar, separar e coordenar a administração com a política.
Infelizmente, Sr. Presidente, tem-se descurado esse aspecto em alguns sectores do Estado Novo, não lhe reconhecendo o seu verdadeiro significado, da mais alta nobreza humana. Só a política - que entra em todos os ramos da governação, mas política de interesse colectivo verdadeiramente nacional na sua actividade criadora e doutrinadora- pode manter bem vivos, bem presentes, os princípios inerentes às posições da ideologia que ocupamos, professamos e defendemos com todo o vigor do nosso entendimento.
Povo sem ideal político é povo sem alma, e Salazar restituiu a Portugal o orgulho, a grandeza e sublimidade dessa aluía, que fez a imortalidade da Pátria. Ele, nas considerações e nos conceitos expendidos sobre política, soube reabilitá-la de noções erradas, valorizá-la, engrandecê-la, colocá-lo na função que tem a desempenhar como factor necessário de engrandecimento e progresso, quando convenientemente compreendida e associada à administração pública e à técnica.
Assim, «governar representa afinal uma actividade empenhada numa realização política», diz Salazar. E numa síntese admirável do seu alto pensamento afirma o Sr. Presidente do Conselho:
«Ora o outro significado da política que eu desejaria reabilitar também é exactamente o da acção, tendente a criar a consciência nacional dos problemas e o convencimento geral da bondade das soluções, para que a acção governativa se desenvolva em ambiente esclarecido e favorável.
O estudo e discussão das questões, em formação dos factos que as originam ou condicionam, a sugestão de soluções possíveis ou convenientes, a defesa dos princípios em causa, a apreciação das limitações existentes - tudo isso é acção política, tudo isso é política.
Em tal sentido, em tais termos, com tal objectivo, a política foi sempre não só útil mas necessária, e é-o sobretudo no Estado moderno, seja qual for a sua constituição.
Se aos governos compete tomar conhecimento dos problemas, equacioná-los, definir as soluções, adoptar as providências atinentes a resolvê-los na ordem prática, é sobretudo aos organismos políticos que incumbe esta segunda missão. E se falham nela, ou o governo se lhes substitui, com prejuízo da actividade própria, ou a consciência nacional pode deixar de encontrar-se em condições de seguir e apoiar a acção governativa».
Verdades profundas, eloquentes, incontroversas, plenas de consciência, encerra este conjunto de considerações, que são factos bem demonstrativos da importância existente, no acto de fazer política, dentro dos moldes e princípios sãos, duma política verdadeiramente construtiva, eminentemente nacional, baseada no interesse da comunidade e nas aspirações e necessidades da grei. Essa tem sido sempre, desde a primeira hora, a política de Salazar. Sem ela não seria possível o milagre do nosso ressurgimento financeiro, económico, social e moral, obra digna dum inigualável chefe, realizada com aplauso unânime dum povo inteiro.
Vozes: - Muito bem!
O Orador:-E, considerando que a actuação do regime tenha sido «predominantemente governativa e deficientemente política», o Sr. Presidente do Conselho dirige-nos convite formal para uma intensificação bem necessária da actividade política, por razões e motivos que S. Ex.ª com toda a autoridade indica e perfilha.
Sr. Presidente: na essência da verdadeira política vivem, com toda a sua acuidade, todos os problemas em que a humanidade se debate: problemas económicos, sociais, religiosos, morais, e tantos outros em que estes se desdobram. Na política brilha como esperança a luz da Fé, que remove montanhas; facho que domina e ilumina o Mundo, que não pode nem quer viver alheado, divorciado dessa grande força que a política representa.
Salazar falou e todo o seu discurso é modelo de clareza, modelo de verdade. A sua palavra foi escutada e ouvida com a atenção dedicada a todas as portentosas manifestações do seu prodigioso espirito, donde irradia a chama que galvaniza o coração e a alma dos Portugueses, na plenitude de confiança nos destinos da Pátria, criados pela generosidade do seu esforçado labor.
«É necessária e útil a política». Pois façamo-la, dentro da maior compreensão e das directrizes estabelecidas, desprezando mesquinhos interesses, adoptando atitudes de isenção e nobreza, com dedicação e sacrifício, de que resulte engrandecimento e prosperidade para a Nação.
Sigamos, Sr. Presidente da Assembleia Nacional, a trajectória balizada pelas palavras com que V. Ex.ª, na sequência da orientação marcada pelo Sr. Presidente do Conselho, finalizou o discurso proferido no Porto:
Lancemo-nos à política de alma e coração. Salazar nos convidou, expressa e formalmente, para uma intensificação bem necessária da nossa actividade. E sejamos ambiciosos: continuemos a revolução em paz, sim, evidentemente em paz, em paz, mas agora mais depressa.