20 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 171
táncias. Entretanto as populações não beneficiaram das vantagens que podiam ter sido.
Fazendo contas simples podemos chegar à conclusão de que um empréstimo nos teria sido incomparavelmente mais barato, dando-nos ainda a vantagem de, por um trabalho Feito em cadência certa e segura, porventura realizando certa economia nas construções, termos antecipado de muitos anos os benefícios que se desejava proporcionar à população escolar e consequentemente ao País. Este exemplo podia multiplicar-se o veríamos que o admirável e fecundo esforço que se tem feito podia ler sido também multiplicado com consequências felizes para o Pais. visto que nos orgulhamos justamente de tudo o que está feito e não poderia deixar de ser salutar que se tivesse desenvolvido em muito maior escala.
Mercê duma política inacreditável, que todavia, tem ainda a desvergonha, de querer voltar à sua obra de ruína e ,de miséria, a actual situação encontrou este país no .mais lamentável, no mais vergonhoso, dos atrasos. Realizou um esforço heróico de recuperação, não só no campo financeiro, mas no que diz respeito ao brio e dignidade nacionais.
Se éramos ontem um devedor perigoso, somos sem dúvida hoje um devedor apetecido, e penso que é pena que desse tinir de dinheiro que leni corrido pelo Mundo não nos tivéssemos utilizado, com cautela naturalmente, com aquela seriedade do bom e probo administrador, que aliás não exclui a pequena audácia de antecipar o que, com proveito para todos, se tem a certeza de poder pagar.
O Mundo apetrecha-se vertiginosamente, na ânsia de dominar, pelo aumento da produção, as dificuldades que decorrem de uma demografia em constante evolução: os. que não puderem, pelo menos, acompanhar essa evolução sofrerão as duras consequências de tal facto e nós. detentores de grandes, de enormes extensões de terrenos, ricos de todas as possibilidades, nas nossas províncias ultramarinas, que requerem constantes investimentos de verbas de vertiginosa grandeza, não poderemos, aproveitando, além do mais, o orientador excepcional que a Providência nos outorgou, deixar de acompanhar o momento que passa e as possibilidades que se põem à nossa disposição.
Vozes: - Muito bem, muito bem!
O Orador: - Disse o Sr. Eng. Daniel Barbosa na brilhante conferência que realizou no recente Congresso da União Nacional, depois de ter justificado porque o nosso regime pode e deve continuar:
Mas o termo «continuar» não poderia ter aqui o sentido de manter unicamente o que se encontra, mas sim o de procurar dar seguimento, renovando, agitando, esclarecendo e interessando, a um processo político que se mostrou capaz, isto é. actuando sem desunimos, nem marasmos nem rotinas, antes criando no País a certeza de que há energia, ousadia e vida na forma de aproveitar todos os meios que temos ao novo alcance para satisfazer, sem temores nem tibiezas, os mais altos interesses da Nação.
Adiro inteiramente a esta doutrina, porque sempre foi e é-o particularmente neste momento, indispensável ser-se audaz, sem. todavia, deixar de se ser prudente, na administração do Estado, embora a evidente antinomia que existe entre aquelas duas palavras.
Quando Salazar se apresentou sozinho com o seu programa para salvar a Nação da bancarrota iminente, propondo-se resgatar a situação financeira que nos legaram os erros do passado apenas pelo nosso próprio esforço abstraindo-se do auxílio externo impossível, foi audaz, mas a sua audácia assentava numa prudência de que logrou tirar todos os frutos, que são a sua glória o o nosso orgulho.
Pois creio, Sr. Presidente, que é tempo de voltarmos a ser audazes duma audácia temperada pela prudência e; pela experiência, mas audazes, em todo o caso pois nunca a tibieza alcançou fama ou glória.
Deu S. Ex.ª o Sr. Presidente do Conselho a este país novas possibilidades abrindo-nos com a sua acção novos horizontes, despertou em nós,, com o seu génio, novas esperanças; pois tomemos em mão essas possibilidades e encetemos pelos novos caminhos o arranque audacioso que essas esperanças justificam.
A nossa dívida pública está apenas um 10 234 milhões de escudos, ,dos quais 950 milhões são certificados de dívida tomados pelas caixas de previdência. As contas do listado apresentam sempre saldos positivos importantes. As disponibilidades; verificadas através dos depósitos à ordem dos bancos, e caixas económicas são vultosas, a situação das reservas cambiais, do Banco de Portugal é de 18 829 milhões, de escudos, em face das responsabilidades à vista por emissão de notas (20 166 milhões de escudos), e ainda a respeitabilidade da Administração, tudo isto leva a O. E. C. E. a referir o alto valor dos nossos recursos financeiros e nos autoriza a procurarmos tanto no interior como no exterior, a possibilidade de alargarmos e aceitarmos o nosso esforço de recuperação económica que, apesar de tão grande como já o é, por uso mesmo parece poder autorizar-nos legitimamente a sacar sobre o futuro, com a certeza não só de o não comprometermos, mas antes o tornarmos mais auspicioso e prometedor.
Ao apresentar este meu ponto de vista suponho não estar só a significar o que a este respeito pensam muitos portugueses quo entrevêem hoje, graças à situação criada por S. Ex.ª o Presidente do Conselho a possibilidade de evoluirmos mais rapidamente ainda sem beliscarmos sequer a sábia prudência da sua orientação.
As estradas - Tem sido ultimamente vivamente discutido o problema das estradas e essa discussão nasce naturalmente do fado de dia u dia vermos que aumenta o número daquelas que deixam de estar em perfeita conservação e até mesmo as (pie passam a estar em mau estado.
As minhas primeiras palavras sobre este momentoso assunto, que, aliás, já várias vezes aqui foi por mim abordado, são do mais incondicional louvor à Junta Autónoma de lastradas, organismo que goza no País da melhor reputação, através duma obra cujos méritos não foram nunca contestados, nem o poderiam ser com justiça.
Não nos falta poisai técnica, que se revela competente, não nos falta a administração, que é cautelosa e severa, não nos falta o espírito de bem servir que em tal departamento do Estado é por de mais evidente. Todavia é também evidente que o estado das nossas estradas tem piorado ultimamente. A que pode atribuir-se tal i- tão importante facto? Apenas a falta de verbas suficientes .
Reparem VV. Ex.as nas nossas estradas principais e verificarão como estão remendadinhas, a atestarem um cuidado e uma atenção permanentes, mas, ao mesmo tempo, uma pobreza de recursos que se não coaduna com a indispensabilidade não só de manter a nossa rede de estradas mi perfeito estado de conservação, mas de a ir aumentando, corrigindo, aperfeiçoando, adoptando numa palavra, os modernos processos de transporte.