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1474 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 58

verno na medida em que desfalcou o desta Câmara, alguém que tem a nossa confiança total, alguém que só a estreiteza de um secretariado - que deveria ser um Ministério provido de todos os órgãos hoje disseminados - pode inibir de cumprir ... e de cumprir como sabe.
Postas estas ligeiras considerações e sugestões, gostosamente vou fazer um agradecimento. Agradecimento sincero, franco, leal, ao Ministro que, dentro do plano de rega do Alentejo, resolveu um dos mais impertinentes problemas de Évora - o abastecimento de água à cidade.
Só quem tenha vivido as ansiedades da população, as preocupações angustiosas das vereações, perante tão grave problema poderá compreender com que prazer e reconhecimento - se diz ao Sr. Eng.º Arantes e Oliveira: muito obrigado, Sr. Ministro.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Lopes Roseira: - Sr. Presidente: embora as minhas palavras venham a ser descolorida repetição de outras já aqui proferidas por pessoas mais esclarecidas, sou inclinado, não só por dever de cortesia, mas também por espontâneo sentimento de simpatia e admiração, a dirigir a V. Ex.ª os meus cumprimentos muito cordiais e as mais respeitosas saudações. E - repito - não é só por mero dever de cortesia que me curvo em preito de homenagem à inconfundível estatura intelectual do professor insigne e do político arguto e experimentado: faço-o, também, com a satisfação de quem muito honrado se sente por servir sob a direcção de um dos espíritos mais robustos do escol da Nação e, logo nas primeiras sessões de trabalhos, se sentiu conquistado pelo irradiante brilho da sua inteligência, pelo trato afável, impregnado de fino bom humor; e pela maneira isenta e superior como orienta a actividade desta Assembleia. E, sob este aspecto, já pude apreciar aqui a invulgar força moral e as superiores qualidades do carácter de V. Ex.ª numa agitada intervenção que ficou, para mim, inesquecível: V. Ex.ª então revelou-se esplendorosamente magnífico de perspicaz ponderação, de generosa compreensão, de lealdade. E eu acabava, nessa ocasião, de receber, em breves minutos, uma das mais belas lições de conduta humana na vida política. É por tudo isto que eu, Sr. Presidente, incondicional e modesto admirador de V. Ex.ª, lhe renovo os meus respeitosos cumprimentos.
Srs. Deputados: para VV. Ex.ªs, por imperativo de consciência, vão também umas breves palavras. Com elas quero dirigir, primeiramente, a todos VV. Ex.ªs, os meus respeitosos cumprimentos, em cada um saudando os povos que, por direito de inteligência e de acção, aqui representam legitimamente. E, ao fazer esta saudação muito sincera, porque cordial, quero manifestar também o quanto me sinto honrado com a distinta companhia de tão altos valores da inteligência, ante os quais o meu ser se reduz a humilde figura cuja presença vos não dá honra nenhuma e só se engrandece e parece alguém com a honra que lhe emprestais.

Vozes: - Não apoiado!

O Orador: - E já que, por insondáveis desígnios de Deus, me foi dado tomar assento nesta Casa, constrangido por opiniões de todos quantos ouviram as minhas razões de recusa, aqui vos afirmo e garanto inabaláveis propósitos de leal colaboração, de máximo respeito - ainda que em campo discordante -, apenas com o natural condicionalismo de reciprocidade. E mais: considero o processo selectivo que nos trouxe até aqui, não aceito a mais leve dúvida ou suspeita quanto à genuinidade do amor patriótico de cada um de nós.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Para mim isto é ponto de honra. Já noutro lugar e noutra circunstância pude afirmar que aqueles que negam a outros a qualidade de bons portugueses apenas porque pensam diferentemente vivem convencidos de que só um caminho existe para depor oferendas no altar da Pátria. E, como dentro desta Casa somos a voz da Nação, posso afirmar solenemente - repetindo o que em Luanda já afirmara publicamente - que estou entre vós livre, independente de subordinações, isento de amizades comprometedoras, sem sujeição a grupos nem a influências suspeitas. Venho só, e ando e andarei só, com a minha consciência de português, visando um alvo: o bem comum do povo, o bem da grei.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Assim fàcilmente podeis concluir, senhores, que o meu único compromisso é com a Pátria. Porque tomado em plena consciência há muitos anos, é sólido, é sério, é dedicado e cheio de interesse: interesse por que se mantenha a sua perenidade com todas as virtualidade» que a não desviem da ascensão infinita pela senda do progresso.
Venho, pois, com o coração na boca e a consciência a servir-me de túnica protectora contra a maledicência ou as insinuações de quantos encobrem despeites e interesses pessoais, próprios ou alheios, com a capa de um patriotismo de duvidosa autenticidade. Não terei outro modo de falar que não seja o da rude franqueza que, embora, uma vez por outra, possa não conter a verdade total, é sempre nimbada pelo cunho da sinceridade, porque não sei adjectivar pessoas por adulação ou lisonja a encobrir fins inconfessáveis. E, por ter sido o meu carácter modelado no rijo granito da Beira, sou inteiriço e duro em demasia para a contumélia fácil e untuosa. É assim que me apresento; e assim me vereis sempre, Srs. Deputados, ao serviço da Pátria e da grei sob a protecção do anjo bom que Deus me deu por guia.
Àqueles que, até há poucos dias, foram nossos colegas e deixaram esta Casa para ascenderem ao exercício de funções de governo dirijo as minhas respeitosas saudações, com os votos sinceros que faço por que Deus os proteja e, nos momentos difíceis, lhes mostre o caminho seguro da justiça e do bem comum. Quero referir-me aos Exmos. Srs. Dr. Paulo Rodrigues, nomeado Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho, e Eng.º Avezedo Coutinho, nomeado Secretário de Estado da Agricultura.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Sem dúvida que será sempre por nós sentida a falta desses, dois brilhantes espíritos que muito contribuíam para a valorização dos trabalhos desta Assembleia; mas, em compensação, ela deve sentir-se jubilosa por ter visto sair do seu seio dois dos seus membros mais esclarecidos para colaborarem nas tarefas do Governo. Congratulo-me com a escolha de SS. Exas. para o desempenho de tão altas funções, que, estou certo, vão honrar em termos de geral aplauso e reconhecimento público.
Também, no curto interregno em que estiveram suspensos os trabalhos da Assembleia, outra destacada figura subiu ao primeiro plano da governação ultramarina: o dis-