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10 DE MARÇO DE 1965 4477

O seu alto e exigente espírito, sempre ansioso por mais e melhor, e o seu abnegado exemplo de entrega total à Pátria e ao Regime, dão-lhe autoridade bastante; julgar abaixo do ideal e até do mínimo indispensável tão o esforço que nesse sentido, tem sido despendido. Ao fazer semelhante afirmação não estava, porém, no seu pensamento menosprezar, por qualquer forma, o esforço de todos aqueles que, até ao dia 18 de Fevereiro de 1965, haviam servido na sua Comissão Executiva, ou nas suas comissões distritais e concelhias.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Atesta-o o preâmbulo do seu discurso quando diz ser «coisa devida e justa» louvar os que saem e apresentar os que entram confirma-o uma longa vida de rectidão e de cordura, onde nem um só gesto se conhece de falta de gratidão ou de justiça.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Desagradável foi pois aos meus sentidos, ouvir na última sessão desta Assembleia o Deputado Sr. Dr. Martins da Cruz, logo depois de prestar calorosa homenagem ao Sr. Presidente do Conselho e de louvar com vivo entusiasmo «a lição ímpar de serenidade e de confiança» do seu magnífico discurso, entrar a atribuir todos os diligentes da União Nacional (com simples e tíbia ressalva de dois nomes eminentes) toda a responsabilidade do marasmo político e da falta de acção doutrinaria verificada nesta organização política desde o seu começo.

O Sr. Martins da Cruz: - V. Exa. dá-me licença?

O Orador: - Faz favor!

O Sr. Martins da Cruz: - Peço já licença para fazer uma rectificação. Não é exacto que eu tenha apenas prestado as minhas homenagens a dois dirigentes da União Nacional. Prestei as minhas homenagens a todos quantos nela trabalharam e citei o nome de dois homens que se não conseguiram fazer vingar o pensamento do Sr. Presidente do Conselho é porque condicionalismos poderosos se opunham à União Nacional.
O escalão da União Nacional que a mim se afigura estar compreendido no discurso do Sr. Presidente do Conselho é um. Aquele que V. Exa. defende é outro.

O Orador: - É possível que V. Exa. não pretendesse atingir, depreciativamente, aqueles que, até agora, têm servido a União Nacional, mas a verdade é que outra ilação se não pode tirar das suas palavras depois das referências que fez não só à inactividade, mas ainda à sua incapacidade para a utilização dos meios de Informação junto da Nação. De resto, tanto foi esta a impressão deixada nesta Câmara que dois Srs. Deputados se viram obrigados a interrompê-lo, na última sessão para protestar em contra esta e outras afirmações.
E com respeito a escalões, se V. Exa. quer referir-se as duas partes do discurso em que o Sr. Presidente do Conselho fala do que não conseguiu dos governos, por um lado, e da União Nacional, por outro, não sei porque há-de V. Exa. a ocupar-se somente da segunda parte, e não igualmente das duas, como eu faço.

O Sr. Martins da Cruz: - As palavras para, mim têm um sentido lógico. E se V. Exa. tirou deles um sentido diferente daquele com que eu as escrevi não tenho culpa.

O Orador: - Também para mim as palavras tem sentido lógico. O que parece é que a lógica não é igual para nós.
Pausa.

O Orador: - E foi-me desagradável por dois motivos primeiro, porque todos aqueles que sacrificada e devotadamente têm sei vido nos seus quadros até agora não merecem a implacabilidade de tal crítica negativa, segundo, porque semelhantes alusões ou acusações, feitas a propósito do discurso do Sr. Presidente do Conselho, poderiam erradamente fazer supor que elas não eram mais do que simples glosa de algumas das suas afirmações.
A União Nacional não é uma organização fácil de servir nem de alentar.
Constituída, na aparência como simples e único parte do político, ela desde, o início que nega a si própria esta qualidade, tanto na letra dos seus estatutos, como na prática das suas acções.
Exigindo tão-sòmente a observância de certos princípios informadores consubstanciados no lema «Tudo pela Nação, nada contra a Nação» ela nem sequer pergunta aos, que voluntàriamente pretendem inscrever-se nas suas hienas qual o credo político ou religioso donde provêm.
Ela não visa ser governo nem escolhe exclusivamente na lista dos seus filiados os nomes que por vezes indica como mais capazes para a normal administração dos órgãos do Estado.
Também nunca fez questão, embora sempre o verificasse com mágoa, de que muitos daqueles que ocupam altos cargos do mesmo Estado e se dizem integrados no Regime não figurem no número dos seus inscritos.
Não dispondo de meios materiais suficientes, ela não teve até dúvidas em impor-se a obrigatoriedade de uma quota individual que a ajudasse a manter as suas despesas habituais e lhe permitisse preservar a sua independência política
Todas estas normas de isenção, se lhe deram ou deviam dar enormíssima força moral, nunca lhe trouxeram paralelamente igual força política.
Por mais que os seus atentos e leais servidores se esforçassem por lhe emprestar o seu prestígio pessoal, a sua inteligência, a sua cultura, a sua dedicação, o seu tempo e até o seu dinheiro, ela nunca viu engrossar grandemente a massa dos seus primeiros adeptos, nem em número nem em qualidade.
Porque lhe faltou completamente uma acção esclarecedora inicial?
Não.
Numerosas foram as conferências os discursos e os artigos que proferiu ou escreveu, explicando às cidades às vilas e às aldeias as virtudes do regime que defendia múltiplas foram as publicações que editou, trazendo à pluralidade do conhecimento público os princípios os métodos e os fins que informavam e informam a vida do Estado Novo frequentes foram também as reuniões em que apreciou e ponderou assuntos referentes à administração geral, quatro foram os congressos em que reviu ou discutiu não só os problemas relativos à sua orgânica, mas ainda a questões políticas, económicas ou sociais de âmbito nacional ou mundial.

O Sr. António Santos da Cunha: - Muito bem!

O Orador: - Parece, pois, que se a doutrinação que tez no começo da sua acção, com todo o entusiasmo, e depois, a espaços dilatados, com menos ânimo, não foi suficiente paro uma completa classificação do panorama.