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1 DE MARÇO DE 1978 1625

mica das ideias; é válido que se utilize, para levar, como se costuma dizer, «a água ao nosso moinho», determinado tipo de habilidades retóricas quando elas têm algum equilíbrio e alguma decência. Tudo isso é legítimo dentro da discussão e da controvérsia parlamentar, mas o Sr. Deputado Cunha Leal, que tantas vezes aqui procura, enfaticamente, acentuar a dignidade do Parlamento, não é com esse tipo de actuação que o dignifica, porque, se nós fôssemos utilizar o estilo do Sr. Deputado Cunha Leal e brincar com os nomes, também lhe poderíamos chamar Sr. Cunha e dizer que afinal o Sr. Deputado era uma cunha.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Sr. Cunha Leal (PSD): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Tenha a bondade, Sr. Deputado.

O Sr. Cunha Leal (PSD): - É para explicar ao Sr. Carlos Laje...

Vozes do PS: -Sr. Deputado Carlos Laje!

O Orador: - A circunstância de dentro desta Casa um Deputado se esquecer de chamar Deputado ao seu colega significa algo desprimoroso para com ele?

Uma voz do PS: - Dobre a língua!

Sr. Cunha Leal (PSD): -Dobre a língua?! Dobre o senhor! Protestos do PS.

O Sr. Presidente: - Peça atenção, Srs. Deputados.

O Orador: - A única coisa que eu aqui quero dizer é que não estou impedido, em nenhuma circunstância, de me referir ao nome de uma pessoa para, usando dele, dizer que dou por finda uma questão pondo uma laje sobre a discussão. Parece-me que isto não tem nada de desprimoroso para ninguém.
Registo apenas o facto de o Sr. Deputado Carlos Laje ter pedido a palavra, não para rectificar qualquer ofensa desprimorosa, que não houve, da minha parte, mas tão-somente para trazer à colação qualquer coisa que, ao que parece, tinha esquecido de dizer aquando da sua primeira intervenção. E, se o meu nome serviu de cunha para o efeito, pois sinto-me duplamente satisfeito por essa circunstância

O Sr. Presidente: - Tem a palavra a Sr.» Deputada Maria Emília de Melo, para uma intervenção.

A Sr.ª Maria Emília de Melo (PS): - Sr. Presidente, antes da intervenção propriamente dita, eu pedia autorização para ler um relatório muito breve que diz, aliás, respeito à própria intervenção.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Maria Emília de Melo (PS): - É um relatório sobre a participação da delegação portuguesa na Conferência Internacional de Parlamentares sobre Chipre, que passarei então a ler:

A 19 e 20 de Novembro de 1977 decorreu em Nicósia a Conferência Internacional de Parlamentares sobre Chipre, reunindo número elevado de parlamentares de vários continentes e das mais diversas correntes ideológicas.
Componham a delegação portuguesa os Deputados Cândido Matos Gago, do PCP, Rui Pena do CDS, António Loja do PPD/PSD e Maria Emília de Melo do PS.
O objectivo desta Conferência era o de obter, entre os parlamentares, suporte internacional para a implementação das resoluções das Nações Unidas sobre Chipre.
Depois de dois dias de trabalhos intensos em plenário e comissões foram aprovadas, por unanimidade, três resoluções que se encontram anexas a este relatório.
Da resolução da Comissão de Iniciativa Política destacam-se pela sua possível incidência imediata na actividade da Assembleia da República, as seguintes:

1) Obter informações e proceder à sua divulgação regular entre os parlamentares, Governo e outras organizações e órgãos de informação;

2) Promover o intercâmbio regular de visitas de parlamentares entre Chipre e os outros países;

3) Promover a entrada do parlamento cipriota nas várias organizações internacionais tais como a UDP (União Inter-Parlamentar).
A delegação portuguesa ficou assim sensibilizada para o problema das comunidades cipriotas, mas consciente do imperfeito conhecimento do mesmo como consequência de só o ter estudado sob uma perspectiva e por um período de tempo reconhecidamente curto.
No seguimento das resoluções aprovadas, a delegação portuguesa resolveu constituir-se em núcleo organizador da Comissão Parlamentar dos Amigos de Chipre e aproveita para convidar todos os colegas que, a título individual, pretendam colaborar a dirigirem-se a um dos deputados que integraram a missão.
O presente relatório foi aprovado por unanimidade.

O Relator, Maria Emília de Melo.

Entro agora na intervenção propriamente dita.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Poderá estranhar-se que só agora, decorridos três meses sobre a realização da Conferência Mundial de Parlamentares sobre Chipre, venha a esta tribuna debruçar-me sobre tal assunto.
Na verdade penso que, em princípio, devem ser comunicados a esta Câmara, no mais curto espaço de tempo, os resultados de todas as reuniões onde delegações de Deputados portugueses tenham participado em representação da Assembleia da República.