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1988 I SÉRIE - NÚMERO 52

Torga ficará sempre por enterrar porque é muito grande.
Aplausos da ASDI, do PSD, do PS, do CDS, do PCP, do PPM, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Igualmente para uma declaração de voto tem a palavra o Sr. Deputado Barrilaro Ruas.

O Sr. Barrilaro Ruas (PPM): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: o PPM quer associar-se - aliás, associou-se já, votando a favor - aos votos apresentados. pelo PSD. e pelo PS, respectivamente. Pela minha voz, quero apenas dizer, muito singela e sinceramente, tudo quanto nós todos, Portugueses, devemos a este magistério incomparável nos dias de hoje que representa a vida e a obra de Miguel Torga.
Mais do que um grande poeta e do que um grande escritor, ele é, com certeza, um dos poucos portugueses que entre, nós constituem exemplo vivo daquelas virtudes, ancestrais e permanentes que são a razão de ser de uma pátria e que a humanidade portuguesa apresenta à Humanidade em geral como o núcleo intenso de valores fecundos donde pode irradiar alguma coisa, para o futuro de todos.
Miguel Torga, mestre de todos nós, foi para mim - em 1975, na primeira campanha depois do 25 de Abril, na campanha para a Assembleia Constituinte, que eu fiz em Coimbra mais do que um exemplo.
Foi uma voz amiga a aconselhar e a estimular. Recordo as muitas conversas em que estávamos inteiramente de acordo sobre aquilo que havia a defender e a preservar.
A Miguel Torga vai, portanto, por todas estas razões, num feixe de palavras muito simples, e por todas as razões, que não podem ser agora expressas, á homenagem sentida e profunda do Partido Popular Monárquico.
Aplausos do PPM, do PSD, do PS, do CDS, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto tem a palavra o Sr. Deputado Cabral Pinto.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Cabral Pinto.

O Sr. Cabral Pinto (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados. O texto que vou ler deveria ser lido pelo meu camarada José Manuel Mendes, que, por razões associadas a trabalho parlamentar, não pode estar presente nesta sessão.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: «A poesia está na rua», lia-se, nos mais exaltados dias de Abril, num belo cartaz de Vieira da Silva. A poesia: um povo
que despira a ganga dos constrangimentos e buscava, na liberdade e na luta, um tempo novo. A Revolução foi também uma cadeia policroma de instantes poéticos. Foi e é. Quando a arte se nutre das fundas aspirações populares e recria na multiplicidade dos soluções estéticas, na beleza e na esperança, a verdade das raízes de uma pátria.
Mas para que a poesia estivesse na rua foi preciso que milhares e milhares de portugueses, anónimos e verazes, determinados e confiantes, fizessem os poemas sem palavras dá resistência ao fascismo, os escritos anagramáticos do combate, nas cadeias, nos espaços acres da clandestinidade, nas condições da empenhamento unitário. Entre esses obreiros da nova cidade colectiva se inscrevem os nomes de muitos e muitos intelectuais, a esmagadora maioria dos escritores e artistas, que não quebrou a cerviz nem se negou nunca perante os próceres da ditadura. Referir os seus nomes, no momento, seria, certamente, fastidioso e descabido. A outorga do Prémio Montaigne a um autor português trouxe a esta Assembleia
os votos de congratulação, propostos pelo Partido Socialista e pelo Partido Social-Democrata, coroo uma forma de homenagem a Miguel Torga.
Nós, comunistas, pensamos que honrar a obra altamente meritória de Miguel Torga, honrar a obra de tantos outros grandes escritores portugueses, já mortos ou ainda, vivos, exige medidas muito para além dos votos de regozijo, naturalmente justos e positivos. Exige, no mínimo á promoção da cultura no nosso país, o incremento da difusão e leitura dos livros que constituem marcos de um perfil singular: o da criatividade do nosso povo, através dos seus autores, no longo desfilar dos anos. Tais medidas inserem-se na urgência de uma corrente política de cultura em Portugal, mas não se vê que estejam próximos os dias em que, de modo responsável, o Governo coloque sobre a mesa os problema que haverá que defrontar e resolver.
De toda a maneira, foi bom que a poesia viesse, por alguns breves instantes, a esta Casa. É que, com ela, veio também Abril: a memória do antifascismo e o périplo dos caminhos da liberdade. Com ela, com a produção literária de Miguel Torga, no verso como na ficção, no diário como na dramaturgia, veio ainda o clamor no sentido da construção de uma pátria mais justa e mais fraterna.
A seu talante, Torga esteve onde esteve o desconpromisso com o passado; o estandarte solar da libertação. Se a sua poesia, a sua arte, não esteve, a nosso ver, pés descalços sobre as pedras mais ásperas, aí onde toda a coragem e todo o desconforto eram necessários, a verdade é que, decidida, se colocou no lado, certo e também prefez e perfez Abril.
Daí que o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português se associe aos votos apresentados e com lhanura e veemência, se congratule com o prémio atribuído a Miguel Torga e sinalize os libertadores da sua obra.
Aplausos do PCP, do MDP/CDE, da ASDI, da UEDS e de alguns deputados do PSD.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra a Sra. Deputada Helena Cidade Moura.

A Sra. Helena Cidade Moura (MDP/CDE): - Sr. Pressente, Srs. Deputados: Miguel Torga é, de facto, um grande poeta português, e o MDP/CDE associa-se à justa homenagem que a ele é prestada nesta Assembleia.
Miguel Torga é também um grande narrador da realidade concreta, e a violência real dos seus contos empresta sentido mais profundo à sua poesia.