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11 DE ABRIL DE 1981 1987

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Peça a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra para dizer praticamente o mesmo que o Sr. Deputado Carlos Lage. O Grupo Parlamentar do PSD fez a apresentação do seu voto através de uma intervenção, de que certamente estarão recordados, feita pela Sra. Deputada Natália Correia. Nós, nos termos regimentais, reservar-nos-emos para uma curta declaração de voto e, portanto, deixarmos aos restantes partidos que ainda não intervieram as intervenções nesta matéria.

O Sr. Presidente: - Há algum Sr. Deputado que ainda o não tenha feito que deseje intervir?
Pausa.
Como não há, passamos à votação do voto de regozijo, apresentado pelo PSD.
É o seguinte.

Voto de regozijo
Na sua solidariedade com a cultura portuguesa o Grupo Parlamentar do PSD propõe à Assembleia da República um voto de regozijo pela atribuição do prestigiado Prémio Montaignt ao grande poeta e prosador Miguel Torga, galardão com que a Fundação F.V.S. de Hamburgo distingue os mais destacados vultos culturais dos países de línguas românicas.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, (exceptuando-se a UDP, que se encontrava ausente).

O Sr. Presidente: - Votamos agora o voto de congratulação, apresentado peto PS.
É o seguinte

Voto de congratulação
Considerando que a atribuição do Prémio Montaigne a Miguel Torga - grande poeta de Portugal e da liberdade - é uma honra para toda a cultura portuguesa, o Grupo Parlamentar do PS propõe a esta Assembleia um voto de congratulação por mais esta distinção que acaba de ser concedida ao grande escritor português.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, (exceptuando-se a UDP, que se encontrava ausente).

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto tem a palavra o Sr. Deputado Vilhena de Carvalho.

O Sr. Vilhena de Carvalho (ASDI): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Colhem o nosso aplauso entusiástico os dois votos apresentados a propósito do Prémio Montaigne recentemente atribuído a Miguel Torga.
Depois dos elogios feitos nesta Assembleia pelos Srs. Deputados Manuel Alegre e Natália Correia, de tão fino recorte literário e tão arguta captação da mensagem artística e humana que flui da obra ímpar de Miguel Torga, dir-se-ia que, a partir daí, nos bastaria um respeitoso silêncio de assentimento e admiração.
Correndo embora o risco de desagradar aos que pensam haver um tempo de cultura e um tempo de agricultura (como se afirmou em frase menos feliz nesta Assembleia), como se esses fossem os campos extremados de um jogo entre o irreal e o concreto e o homem não fosse, ao contrário, um ser integral de tempos e valores entrelaçados e sobrepostos, também queremos dar testemunho de como para nós é julgado necessário exaltar os artistas e a sua obra, que sei elevam acima do comum.
E é o caso de Miguel Torga.
Com mais de cinquenta volumes publicados, atingiu, tanto na poesia como no teatro, no conto como nas suas, anotações do Diário, uma altura que o distingue pela sua autenticidade, e pelos valores universais e humanos de que se fez um intemerato arauto. Mas o humanismo que da sua obra ressuma não o é simplesmente de letrado, ao modo da Renascença, nem do iluminista, em jeito ingénuo de um cientismo progressista, nem um humanismo dia, alienação do homem segundo fórmulas estereotipadas ou predeterminadas.
Chamou-lhe socialista o poeta Manuel Alegre.
Por mim, diria antes que é a ideia de humanismo personalista que melhor se ajusta ao que há de mais autêntico na sua obra. Humanismo, de integralidade, fundado sobre a pessoa como coexistência e tensão de opostos, numa procura constante de erguer o homem, a um horizonte de universalidade e transcendência. O seu livro de poemas Cântico, do Homem ilustra bem o que acabamos de dizer.

O Sr. Moura Guedes (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Em todo o seu longo percurso poético Miguel Torga nunca se desenraíza e na inquietação e irrequietude da força telúrica que o anima e caracteriza exprime o homem total e os seus dramas eternos.
Carregando a sua humanidade e inquietação permanentes nas batalhas que trava as portas da vida colectiva, percorre também, ao longo de toda a sua vida, infatigável caminheiro, por estradas e córregos, o País inteiro e de cada paisagem e de cada pequena comunidade que visita transmite-nos a mensagem do Portugal vivo e autêntico no trabalho, no lazer, no progresso ou no apagamento do nosso quotidiano. As suas páginas do Diário são bem um manual de sociologia do homm português e do seu habitat.
O poder local nunca será bem compreendido nem defendido sem a leitura de Torga. Ele se encarrega de nos denunciar quais são os lugares onde a vida se acha ainda «parada a fazer meia».
Felizes contemplados de um legado literário de tanta valia, paguemos a Miguel Torga, na hora em que estrangeiros o distinguem, com a promessa de ler, amar e divulgar a sua mensagem de homem e de artista.
E, porque ele soube crescer à altura de um povo, eu diria como um poeta moçambicano que Miguel