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2014 I SÉRIE - NÚMERO 53

roviárias e rodoviárias entre o Porto e Vila Nova de Gaia atingiram pontos de ruptura.
Ninguém contesta que a velha Ponte de D. Maria esta incapaz de servir á ligação ferroviária de que se precisa.
Ninguém contesta que a velha Ponte de D. Luís apesar dos seus dois tabuleiros, e a Ponte da Arrábida são hoje perfeitamente insuficientes para servirem ás ligações rodoviárias.
Sabem-no todos aqueles que nas horas de ponta perdem tempos infinitos para as poderem utilizar com os seus veículos.
Sabem-nos todos aqueles que se têm debruçado sobre os custos de combustível e desgaste de material com as infindáveis bichas de quilómetros ás estradas e saídas dessas Pontes.
Indiscutível, pois, a simultaneidade de necessidade de novas ligações ferroviárias e rodoviárias. Á partida não se privilegia nem prejudica uma ou outra.
Ambas se encaram em perfeito plano de igualdade.
Tanto respeito nos merecem os que precisam de utilizar o veículo automóvel. Isto, não obstante sabermos que a ligação rodoviária serve á cerca de 120 000 cidadãos por dia, enquanto a ferroviária apenas á cerca de 10%. Isto em termos de agora, em termos de hoje.
Se é assim [...] não compreendemos a resolução governamental de Fevereiro último onde se optou por uma ponte exclusivamente ferroviária.
Não compreendemos por que se preferiu uma solução de interesse nacional, necessariamente contida na construção de uma ponte que satisfaça as necessidades dos cidadãos que andam de comboio, mas também as dos que utilizam os veículos automóveis. Não compreendemos ainda por que é que tal solução ou resolução foi tomada sem que previamente tivessem sido largamente consultadas as autarquias e as populações directamente ligadas ao problema.

O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Fazê-las intervir posteriormente á decisão, em ajuda ao estudo do projecto, não é, nitidamente a mesma coisa que pedir-lhes, como cumpria, a sua opinião quanto á solução.
Como já se disse aceita-se sem discussão, que é absolutamente necessária e até urgente, uma nova ligação ferroviária.
Mas é preciso afirmar que também é absolutamente necessária e até urgente, uma nova ligação rodoviária.
É aqui que começamos a estar em desacordo com as instâncias oficiais.
Dizem estas que uma ligação rodoviária não é necessária pelo menos para já.
E segundo os seus próprios termos, um problema a pensar lá para 1995!
Manifestamente errado, a nosso ver já mostrámos que, quanto a necessidades, há pelo menos, igualdade sem menosprezo no que concerne a pessoas que são dez vezes mais as que necessitam de ligações rodoviária. Menos certa, pois a decisão favorecendo apenas um sector.
Ao resolver-se construir uma nova ao decidir-se realizar uma obra que custa milhões de contos, não pode nem deve raciocinar-se com base naquilo que é preciso, mas sim naquilo que vai ser preciso.
Refere-se sem razão, aliás que as ligações rodoviárias, com a Ponte da Arrábida, estão longe do ponto de ruptura.
Mais uma vez errado, mais uma vez próprio de quem não conhece os problemas in loco, mais uma vez produto de quem só raciocina á base papéis e números desanexados da realidade!
Há que atentar em que a Ponte de D. Luís tem um trânsito diário entre trinta a quarenta vezes mais que o trânsito da Ponte da Arrábida. Pois, mesmo assim, todos nós conhecemos os engarrafamentos brutais de trânsito nas horas de ponta na Ponte da Arrábida. Multipliquem-se por trinta ou quarenta e teremos os engarrafamentos da Ponte de D. Luís.
Deixemos passar dois ou três anos e será o caos.
Dizer, depois disto, que não é preciso, pelo menos para já construir uma nova ligação rodoviária é, por certo, estar divorciado da realidade.
Começar a pensar neste problema em 1995 e, o no mínimo dos mínimos, resolvê-lo lá para o ano 2050!
Mas admitamos que ele se resolverá em 1995. Como vamos transitar de veículo automóvel, com pessoas e bens, entre o Porto e Gaia, durante estes quinze anos? O automobilista, ao volante do seu veículo, nas bichas, transformar-se-á no «homem que via passar os comboios».
Será que ninguém prevê que o trânsito rodoviária aumenta extraordinariamente de ano para ano? Será que ninguém se deu ao trabalho de ver quais os índices de aumento de há quinze anos para cá? Será que ninguém se apercebe que nos próximos quinze anos o aumento será muito superior ao dos últimos quinze anos? Será que ainda ninguém se apercebeu de que em Portugal as horas de ponta são de muito maior duração do que ao estrangeiro, precisamente pela falta de pontes? Precisamente pela falta de ligações rodoviárias capazes e seguras?
Por que não optar, pouis por uma solução mista?
Tecnicamente, a solução não tem qualquer inconveniente. Economicamente, é de longe muito mais barata que duas pontes: a ponte mista custará apenas mais 20% a 30% do custo de uma ponte ferroviária. Por aqui, pois nenhum inconveniente.
Mas as instâncias oficiais apontam, é certo um inconveniente o de que a ponte mista vai demorar mais que uma ponte apenas ferroviária.
Poderá ser certo. Mas, considerando que é um problema que anda a preocupar-nos há meio século, considerando que não há ainda qualquer projecto feito, considerando que nem sequer está feito o estudo geológico das margens, considerando por isso, que é puramente hipotético o local escolhido para a nova ponte, considerando que o arranque da obra está necessariamente, e por tudo isso, ainda demorado será de afastar a solução da ponte mista só por demorar mais tempo? Será que meio ano ou um ano contam em obra desta natureza?
Haveremos de convir que a objecção posta pelas instâncias e por de mais fraca para que a tomemos como tendo sido capaz de ter ditado a solução.