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17 DE SETEMBRO DE 1981 3981

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos tem a palavra o Sr. Deputado Borges de Carvalho.

O Sr. Borges de Carvalho (PPM): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A intervenção do Sr. Deputado do PCP, foi, na sua substância, mais uma intervenção de cassete, a que já estamos habituados, e não merece quaisquer comentários.
Há, no entanto, algumas afirmações que saltam das entrelinhas e das linhas da intervenção do Sr. Deputado e me merecem duas ou três observações.
Começa V. Ex.ª por afirmar que a discussão do Programa do Governo é para si uma formalidade penosa. Temos de registar esta escapadela de sinceridade de V. Ex.ª É evidente que para o Sr. Deputado a discussão do Programa do Governo, a própria realidade de um parlamento pluralista e democrático, é uma realidade e formalidade penosa.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

Também o desgosto com que V. Ex.ª se refere às voltas e reviravoltas dos processos não é mais que o seu desgosto perante o desenrolar, por vezes não inteiramente pacífico, do processo democrático, já que o Sr. Deputado e o seu partido estão apenas preparados para entenderem governos unanimistas de longa e ditatorial duração, mas não estão preparados para compreenderem a circunstância do processo democrático pluralista português.

Vozes do PPM e do PSD: - Muito bem! Risos do PCP.

O Orador: -Mais uma observação ainda, Sr. Deputado, e esta faço-a ao mesmo tempo que lhe faço também um convite.

O Sr. Carlos Brito (PCP): - Olá, já faz convites!

O Orador:-Disse o Sr. Deputado que o Sr. primeiro-ministro estava crucificado entre o Dr. Freitas do Amaral e o arquitecto Ribeiro Teles. Não são, evidentemente, V. Ex.ª e o seu partido quem mais autoridade tem para utilizar nesta Casa imagens bíblicas.

Risos do PCP.

Com certeza não é V. Ex.ª, cujas posições são conhecidas, que tem o direito de aqui vir falar nisso. Portanto, convido-o a retirar esta imagem,...

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Parece a Madalena a chorar!

O Orador- ...porque, se a AD não compara o Sr. Primeiro-Ministro a Jesus Cristo, também não pode admitir que V. Exª equipare os Srs. Ministros de Estado àqueles que foram crucificados com Nosso Senhor Jesus Cristo no Gólgota.
Convido, portanto, V. Ex.ª a retirar esta imagem e a considerar-se incompetente para a aplicar.

Risos do PCP.

Há ainda outra realidade que V. Ex. não consegue compreender: é que esta maioria AD, que tem compromissos políticos livremente assumidos entre os três partidos, esteja aqui mais uma vez firme e coesa, perante o espanto, o desgosto e o desespero de V. Ex. e do seu partido.
Aplausos do PPM. do PSD e do CDS.
O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Lino Lima, estão ainda inscritos para lhe pedirem esclarecimentos vários Srs. Deputados. Prefere responder já ou no fim?

O Sr. Uno Lima (PCP): - No fim.

O Sr. Presidente:-Tem então a palavra o Sr. Deputado Silva Marques.

O Sr. Silva Marques (PSD>: - O Sr. Deputado Lino Lima fez uma intervenção que é típica da sua bancada. Ela vale pela abstracção e mesmo aí é susceptível de discussão, mas, para além disso, ela não vale mais nada.
A abstracção do discurso do Sr. Deputado Lino Lima, quando submetido, à experiência de o pôr em contacto com a realidade, evapora-se.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Explique lá como é que se evapora uma intervenção...

O Orador: -O Sr. Deputado disse que os trabalhadores portugueses estão mais conscientes. É exacto. Que têm mais sentido dos seus direitos, das suas aspirações e da justiça que lhes cabe no nosso país.
É exacto. O PCD tem dado um forte contributo nesse sentido.

Vozes do PCP: - Não é exacto!

O Orador. - Esperemos que essa consciência seja cada vez maior.

É por isso, Sr. Deputado, que eu, que concordo com as afirmações genéricas que fez, sobretudo relativamente ao crescente movimento da consciência de classe, lhe pergunto: considera V. Ex.ª que o jornalista Júlio Pinto, neste momento suspenso para despedimento pela empresa jornalística O Diário, que creio que está politicamente ligada ao Partido Comunista - para não entrar num domínio que não me diz respeito e que é o de saber se há ligação orgânica ou financeira -, está inserido no crescente movimento de classe dos trabalhadores portugueses?

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Mas que grande imaginação!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Oliveira Dias.

O Sr. Oliveira Dias (CDS):-Sr. Deputado Lino Lima, deixaria de lado as suas manifestações de humor, que todos conhecemos e até certo ponto apreciamos, para lhe pôr uma questão que me parece séria.
O Sr. Deputado, em dois passos do seu discurso, diz que. as massas populares hão-de derrubar este governo. E depois repete nó final mais ou menos a