O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

14 DE DEZEMBRO DE 1981

889

coisas, insubstituíveis uma e outro. O que soubestes fazer desde 1974 mostra bem que, a partir de uma situação de domínio colonial, fostes capazes de forjar relações dignas e de mútuo respeito, cujos benefícios vireis a conhecer mais tarde.

Aplausos do PSD, do PS, do CDS, do PPM, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE.

Com efeito, a maior parte destes países estão na disposição, ultrapassando conflitos e provações, de se tornarem parceiros preferenciais de países como os nossos. Nós, a França, renunciámos - falo-vos do que se passa no meu país, como é normal, fazendo uma espécie de confidência pública -, renunciámos, dizia eu, a intervir, como fazíamos, não poucas vezes, nos conflitos políticos internos dos países em questão. Prestamos a nossa assistência aos governos regulares, quando estes no-la pedem, por forma a garantir-lhes a segurança, a ajudá-los na reconstrução do Estado ou a assegurar-lhes a sua unidade. O respeito pelo estabelecimento das independências, a garantia da soberania, a autodeterminação das populações em causa, o apoio aos esforços da Organização de Unidade Africana, constituem o conjunto de princípios em que a França se baseia quando se trata de conflitos, de que citarei três exemplos: a Namíbia, o Chade e o Sara Ocidental.
A França, que mantém relações amistosas com o conjunto dos países do Norte de África, regozijar-se-á com todos os esforços que forem desenvolvidos em favor da paz nesta região. Pensamos igualmente que o conjunto dos países da bacia do Mediterrâneo, de que sois vizinhos chegados, deve aproveitar todas as oportunidades para atenuar as tensões e reduzir as causas de afrontamento. Vós mesmos, tão próximos do Norte de África, o Magreb, deveis sentir, talvez ainda mais intensamente do que nós, a necessidade de restabelecer a harmonia, quando ela se quebra, entre os principais países desta região, a que estamos ligados pela história e muitas vezes pela cultura e que têm ainda alguma dificuldade em sair do período perigoso que vivemos. Parece-me que os políticos de Portugal e da França, nesta matéria como noutras, conseguirão facilmente pôr-se de acordo. Nesta África, onde uma história bastante semelhante nos permitiu manter tantos laços e onde o vosso Presidente da República, o Presidente Eanes, acaba de fazer uma viagem notável, penso que poderíamos fazer mais e realizar em conjunto uma espécie de cooperação triangular, que eu recomendo muitas vezes noutros países - estive ainda há pouco no México e empreguei lá esta linguagem -, cooperação que tem por fim poder cada um encontrar aí o seu lugar, o seu interesse, a sua influência, contribuindo para desenvolver as formas de cooperação necessárias.

Tal é a mensagem, minhas senhoras e meus senhores, que o Presidente da República Francesa veio trazer a Portugal, ao seu povo, aos seus representantes. Vós e nós, Portugueses e Franceses, inseridos na grande tradição dos nossos pioneiros que marcaram - e estou a pensar nos vossos - a história da Humanidade com um grande rasto de luz, que descobriram o Mundo, poderemos, creio, partir, de um modo ao mesmo tempo real e simbólico, em busca de novos horizontes, onde o homem, reconciliado, em primeiro lugar, consigo próprio, o que talvez seja o

mais difícil, mas também com o progresso e com a sua história, possa ser senhor do seu futuro.
Ouvimos juntos o grito da liberdade que desperta a consciência das nações, ao findar o século xx, em todos os continentes. E temos em comum - estou certo - a vontade de lhes levarmos a resposta da democracia e da justiça. E, se dúvidas houver a tal respeito, necessário será ancorarmo-nos juntos nessa vontade.

Esta grande tarefa, na qual incitamos a nossa juventude a participar, não pode ter êxito senão num Mundo em paz - é necessário afirmá-lo.

Ainda ontem à noite tive oportunidade de o lembrar (o que faço quase todos os dias no meu país): para garantir a paz, o equilíbrio de forças entre os blocos militares constituídos é uma regra de ouro e deve ser assegurado, a segurança colectiva deve ser organizada e a lei internacional respeitada. Seja qual for o preço, estes pincípios devem ser constantemente relembrados, sem esquecer o primeiro de todos eles e que ainda não citei: o direito de cada povo à autodeterminação.

Aplausos do PSD, do PS, do CDS, do PPM, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE.

Para além deste hemiciclo, desejo ser ouvido nas conferências internacionais onde se fala de desarmamento - e onde é bom que se fale do desarmamento! Retive, como uma boa notícia, que em 30 de Novembro último os dois países mais poderosos do Mundo aceitaram, finalmente, encontrar-se em Genebra para falarem de uma paz que a todos nos diz respeito. Comprendo que cada um deles tenha necessidade de assegurar a sua própria segurança. Após tantos dramas surgidos por esse mundo fora, pode compreender-se o estado de desconfiança que os opõe um ao outro. Mas como vencer essa desconfiança senão discutindo? Cada um deles insiste em abordar a discussão partindo de uma posição de força. Também isso se pode compreender - saber quando começar -, desde que o bom senso acabe por prevalecer, ou então formar-se-á uma espiral que arrastará consigo todos os povos do Mundo. Regozijo-me, pois, com as conversações, e a França fará tudo o que estiver ao seu alcance para que tais conversações tenham êxito. Conhecendo cada um dos dois países as intenções do outro, convém doravante, repito, procurar o equilíbrio de forças, ao mais baixo nível, em armamento.
Acrescento que, deixando cada um dos povos em questão de consagrar o essencial das suas forças ao equipamento militar, talvez possam preparar melhor o desenvolvimento económico e social, não só para si próprios, mas também para os outros.
Sr.ªs e Srs. Deputados, achei conveniente abordar perante vós toda uma série de problemas que excedem, de longe, as simples relações franco-portuguesas. Não tinha obrigação de o fazer. Não quero, todavia, reduzir Portugal e a França ao simples nível de um debate, por mais respeitável que seja, de questões ou interesses bilaterais. Vós sois um Estado soberano, estais marcados por uma grande história, história a um tempo retrospectiva e prospectiva. Daí que tivesse de penitenciar-me se acaso não abordasse perante vós alguns dos problemas que dizem respeito ao equilíbrio do Mundo, do qual fazeis parte integrante, tal como nós: o progresso económico, a liberdade, a paz.