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2358 I SÉRIE -NÚMERO 38

tomo cujo IX centenário do nascimento ocorre precisamente no ano em curso E faço-o com a emoção natural de ser deputado pela região que teve o inestimável privilegio de o ver nascer, no Alto Minho, mais precisamente um lugarejo chamado Tardinhade na freguesia de Ganfei, no concelho de Valença
Seria redundante e mesmo ocioso trazer aqui um relato mais ou menos esgotante da biografia deste Cónego regrante da Ordem de S Agostinho Tal biografia seria, aliás, necessariamente incompleta
É que só aparentemente se pode considerar fechada a trajectória deste português cuja memória continua viva e actuante nas veias por onde corre o sangue da nossa história e da nossa civilização. Não se me levará contudo a mal que, para registo e como homenagem singela recorde alguns dos aspectos mais salientes da sua passagem entre nós
Significativa e, desde logo, a grande dimensão do espaço geográfico onde semeou os seus passos e deixou o rasto indelével da sua passagem, espaço que se confunde quase com o rosto da própria Pátria Nascido no Alto Minho, em 1082 viria a crescer e estudar em Coimbra e Viseu onde faleceu em 18 de Fevereiro do ano 1162 Não admirara portanto que em lugares tão distintos como Viana do Castelo, Viseu, Coimbra. Figueira da Foz, Odemira, etc , se festeje o seu centenário e se evoque a sua memória Dentre os seus títulos avulta o de ter sido eleito l.º Prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, 1.º Santo Português e conselheiro privilegiado do rei Conquistador Foi também um militante activo na causa da reconquista Sabe-se como foi determinante a sua intervenção na tomada de Arronches, o que lhe mereceu, alias, ser imortalizado na estrofe XIX do Canto VIII dos Lusíadas. É nestes termos que o épico exalta S. Teotónio.
Um sacerdote vê brandindo a espada Contra Arronches que toma vingança
De Leiria que de antes foi tomada Por quem por Mafamede enresta a lança.
É Teotónio Prior. Mas vê cercada Santarém e verás a segurança
Da figura nos muros que primeira
Subindo ergueu das cinzas a bandeira

Mesmo durante a sua vida, a sua projecção ultrapassou as próprias fronteiras É o que bem demonstra a amizade que o grande S Bernardo lhe dispensava, amizade expressivamente simbolizada no riquíssimo bastão ou báculo que ofereceu ao monge português. É o que demonstra ainda o facto de o Papa Anastácio IV lhe ter expressamente concedido a prerrogativa de bispo
Terminarei, Sr Presidente e Srs Deputados, com mais 2 notas A primeira para recordar ainda o significado cultural da vida e da obra de S Teotónio: mencionarei, a propósito, a profundidade dos estudos e dos conhecimentos ministrados em S Cru? de Coimbra, que bem pode considerar-se uma antecipação da futura Universidade A segunda para formular um voto que as autoridades competentes façam erguer, no local onde nasceu S Teotónio, um busto que possa perpetuar condignamente a sua memória

Aplausos do PSD do CDS e do PPM

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr Deputado Barrilaro Ruas.

O Sr Barrilaro Ruas (PPM): - Sr Presidente e Srs Deputados, sob a forma de pedido de esclarecimento começava por associar-me, se me é permitido - como natural da região de Coimbra, embora não deputado por Coimbra mas pelo distrito de Braga, o que muito me honra -, às palavras de louvor à memória do grande santo português, fundador de S Cruz de Coimbra, S. Teotónio.
Confiado na generosidade de toda a Assembleia, gostaria de acrescentar ainda algumas palavras, muito simples de homenagem a S. Teotónio.
Nele todos nos temos a ver. antes de tudo, o fundador desse primeiro grande centro da cultura portuguesa que foi Santa Cruz de Coimbra, donde viria a formar-se António de Lisboa, onde teria início a irradiação da cultura ocidental, da cultura portuguesa pelo mundo inteiro, através de S António e depois através da Ordem Franciscana.
A ligação, portanto, do espírito Franciscano com essa antiquíssima cultura agostimana, que tem o seu foco em S Cru/de Coimbra, vai ser decisiva para marcar a cultura universal, a cultura portuguesa, em termos universais
Por outro lado, recordaria a intervenção humanitária que 1.º encontro teve junto de Afonso Henriques da defesa dos direitos humanos dos moçaiabes que tinham sido arrastados, demasiado arrebatadamente, pelas tropas portuguesas num dos episódios da reconquista Essa acção humanitária de S Teotónio não contradiz, evidentemente, a memória que lhe e prestada em Os Lusíadas, antes a completa, como uma aura de espiritualidade própria de um santo que foi
Foi, de facto, o primeiro santo português a ser canonizado, praticamente logo apôs a sua morte, como aconteceria também depois com S. António de Lisboa
Associo-me, assim, em nome do PPM, a esta homenagem e, se me e permitido também, na minha qualidade de antigo estudante de Coimbra.

Aplausos du PPM, do PSD e do CDS.

O Sr Presidente: - Tem a palavra o Sr Deputado António Arnaut.

O Si António Arnaut (PS): - O Sr deputado Armando Costa começou por referir, no inicio da sua intervenção, uma certa decadência dos parlamentos e da instituição parlamentai Agucei o meu ouvido, para perceber a intenção do Sr Deputado e eis senão quando o nosso ilustre colega resvala para considerações hagiológicas, trazendo aqui à colação S. Teotónio - que foi prior de S Cruz de Coimbra, e um homem progressista da sua época - num discurso que deixou muito longe o consabido estilo queiroziano.
Perguntava, pois, ao Sr. Deputado o que é que tem a ver a eventual, hipotética e alegada decadência da instituição parlamentar com a vida de S. Teotónio Que eu saiba, S Teotónio não foi parlamentar, naquela altura não havia ainda parlamentares!...
Pergunto, ainda, se não é este tipo de discurso - embora compreenda perfeitamente que se evoquem as figuras da nossa história que tiveram lugar na nossa cultura -, desprovido de um sentido cultural, que pode provocar um certo alheamento e uma certa suspeita do papel dos parlamentos

Vozes do PS e de alguns deputados do PCP: -Muito bem!

O Sr Presidente: - Tem a palavra, para responder, o Sr. Deputado Armando Costa