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2582 I SÉRIE - NÚMERO 65

Por isso as sondagens foram demonstrando, a pouco e pouco, que o PRD, partindo de 18%, se foi transformando num partido de um terço do que era.

Protestos do PRD.

O PRD na sua prática política foi saindo de uma situação de algum peso político para uma situação de um partido em luta pela própria sobrevivência.

Vozes do PRD: - Não se preocupe, Sr. Deputado.

O Orador: - É por isso, e só por isso, que hoje em dia o PRD, numa atitude que tem a ver acima de tudo com a sua sobrevivência política, joga o futuro de Portugal pelos seus próprios interesses.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Confunde e quer colocar no âmbito de Portugal, da sua estabilidade e da sua governabilidade, aquilo que foi sempre a sua postura e, sobretudo, a postura do seu líder: estar sempre em oposição ao maior partido português ...

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - ... criando-lhe dificuldades, criando dificuldades à própria governabilidade.
O PRD é o partido que em Portugal se coloca como o partido que vive da dificuldade, vive da anormalidade democrática e de uma coisa que é a inexistência de maiorias.

Vozes do PRD: - Olhe que não!

O Orador: - O PRD é importante enquanto Portugal for instável, porque quando Portugal caminhar numa marcha de progresso, de estabilidade política e governativa, o PRD é um partido que é prescindível no espectro político. É útil enquanto a confusão reina, é útil enquanto a estabilidade não existe. É um partido condenado, por isso, a ser satelizado por qualquer outra das suas grandes forças partidárias portuguesas!

Aplausos do PSD.

O PRD sabe-o, e sabia-o. Por isso mesmo escolheu o momento em que duas circunstâncias se podiam perfilar.
Ou paralelamente provoca eleições antecipadas e teria a derrota mínima possível - neste momento, pois se as eleições fossem mais à frente o PRD passaria de partido que luta pela sobrevivência a partido em extinção política, donde escolhe o momento onde apesar de tudo ainda possa sobreviver - ou, em alternativa, encontra uma fórmula governativa com outros que lhe desse o acesso ao poder para, com base no poder, reconstruir do poder e pelo poder um poder que não tinha.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - O PRD optou por uma de duas lógicas, abrindo assim uma crise política para a sua sobrevivência e não para a defesa dos interesses nacionais.

Aplausos do PSD.

Srs. Deputados, o primeiro acto constitutivo do PRD foi destruir uma parte da base eleitoral do PS e o segundo acto foi o de uma hostilidade política para com o maior partido, que é o PSD - e isto quando o PRD está no momento da sua pior queda eleitoral.
O PRD, tal e qual como o general Eanes, nesta Câmara, no dia 25 de Abril de 1977 - que todos lembramos! - são o prolongamento da permanência da crise em Portugal, da crise do adiamento em Portugal, gerando eternamente conflitos e problemas nos dois maiores pá tidos portugueses, quer seduzindo-os, quer atacando-os, quer minando o seu próprio terreno.
Hoje, o que o PRD faz é sobreviver e, para isso, luta e destrói aquilo que era a estabilidade, o progresso, que noutros tempos já existiram.
O segundo acto constitutivo do PRD é, pois, um acto não pela afirmativa, não pela apresentação de um programa - por exemplo, de revisão da Constituição, renovação do sistema económico português, de revisão do sistema político, do sistema educativo ou do sistema de segurança social. Nada pela positiva é apresentado pelo PRD ... apenas uma coisa: a destruição. O PRD apresenta-se não como algo que renova, que aponta caminhos, que desbrava futuros, mas impõe-se hoje, em Portugal, tal como no passado o seu líder, pelo bloqueamento, pela paralisia, pela travagem, para evitar que Portugal caminhe na marcha e no esteio do progresso que vinha trilhando.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Destino triste o de um país que nasceu para ser diferente, e a verdade é que é diferente. Pensámos que inicialmente o PRD era um partido igual a todos nós, com as mesmas virtudes, com os mesmos defeitos que todas nós temos e, hoje em dia, damos razão ao PRD: e PRD é um partido diferente, porque é pior.

Aplausos do PSD.

Não chega, Sr. Presidente e Srs. Deputados, analisar o comportamento político do PRD exclusivamente dentro da sua própria lógica. O PRD cumpre, do nosso ponto de vista, um objectivo táctico que lhe é exterior.
No final do Outono do ano passado, o dirigente do Partido Comunista, Sr. Dr. Álvaro Cunhal, lançou uma vez o mote: «Governo para a rua.» Só que antigamente pedia sempre eleições; desta vez, o Dr. Álvaro Cunhal deixou de confiar no povo português. Percebe-se porquê! E daí começou automaticamente uma campanha de conexão com a actuação táctica que o PRD veio a cumprir. C PRD, objectivamente - não falo de coligação política - no terreno, cumpriu o objectivo táctico do Partido Comunista, que tem dois tabuleiros de jogada política.
A vossa coligarão objectiva, não política, tem dois fins diferentes: uni atinge a estabilidade, atinge o maior partido português, o PSD, atinge a governação. Paralelamente, os senhores actuam em «pinça» contra o Partido Socialista, entalando-o, obrigando-o ou a levá-lo a reboque, perdendo a liderança política, ou vai atrás e, nesse caso, é um partido subalterno.

Vozes do PSD - Muito bem!