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2580 I SÉRIE - NÚMERO 65

A Oradora: - Fazemos votos, a bem da democracia, de que esta experiência governativa, de que não gostámos, seja encerrada com a queda do Governo e que um novo capítulo seja iniciado no longo livro da História.

Aplausos do PRD, do PS, do PCP e do MDP/CDE,

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos à Sr.ª Deputada Ana Gonçalves, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Coelho.

O Sr. Carlos Coelho (PSD): - Sr.ª Deputada Ana Gonçalves, começo por dizer que hoje, não obstante a sua intervenção, estou sereníssimo.

Risos do PSD.

Começaria por dizer que a primeira ideia com que ficámos é a de que a Sr.ª Deputada Ana Gonçalves é «uma entre cada dez estrelas que não gostam do professor Cavaco Silva».

Risos do PSD.

A Sr.ª Deputada Ana Gonçalves fez um discurso catastrófico: disse que este Governo foi horroroso, que foi péssimo, não fez nada, não abriu espaço à juventude, falseia todos os números relativos ao trabalho, apresenta expectativas que não pode confirmar na prática da sua actividade executiva.

Vozes do PRD: - E é a verdade!

O Orador: - Nas suas palavras, isto é, portanto, dramático, pois estamos perante um logro ou um mito, uma vez que nada disto se sustenta na prática.
Devo dizer-lhe, Sr.ª Deputada, que se trata de um discurso assaz diferente do discurso prudente que o Sr. Deputado Hermínio Martinho ontem aqui fez, e no qual disse que este governo poderia ir mais além, que terá feito algumas coisas e outras não, apresentando como principal crítica o facto de este Governo não ter aproveitado bem as variáveis da conjuntura económica, quando o deveria ter feito.
Na verdade, esta diferença do discurso é uma questão fundamental. É uma questão fundamental, pois trata-se de saber qual a constatação que o PRD fez da governação, ou seja, se a governação é tão terrível que justificava a moção de censura ou se a governação é má apenas porque, neste equilíbrio, nesta avaliação entre os prós e os contras, poderia ter feito mais coisas do que aquelas que fez.
Esta é uma questão eminentemente juvenil, Sr.ª Deputada Ana Gonçalves, tem a ver com a estabilidade política, tem a ver com a constatação de que para a resolução das nossos problemas há um valor fundamental que releva hoje em dia, que é o valor da estabilidade. Não podemos estar de mês a mês, de ano e meio a ano e meio, a pôr governos na rua. A democracia portuguesa e o regime precisam de se consolidar e precisam de se consolidar com governos de legislatura - na linha, aliás, da brilhante intervenção que o meu companheiro de bancada Rui Machete ainda há pouco fez.

O Sr. António Capucho (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Porque o tempo é escasso, far-lhe-ei apenas duas perguntas, Sr.ª Deputada.
A primeira na retribuição da pergunta que fiz ontem ao Sr. Deputado Hermínio Martinho e à qual, em boa verdade, ele não teve ocasião de me responder: qual é o seu entendimento, como deputada do PRD, e como deputada jovem, sobre a avaliação que o PRD fez ou não do interesse nacional para a apresentação desta moção de censura?
Em segunde lugar, a Sr.ª Deputada entende ou não que para a resolução dos problemas dos jovens, para a resolução dos nossos problemas releva ou não o valor da estabilidade política? E em abono desse valor não se justificaria que a Sr.ª Deputada, como eu votasse contra a moção de censura?

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Para responder ao pedido de esclarecimento tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Gonçalves.

A Sr.ª Ana Gonçalves (PRD): - Sr. Deputado Carlos Coelho, muitos parabéns pela sua brilhante imaginação. V. Ex.ª limitou se a repetir aqui o que já tinha repetido ontem, o que prova exactamente a grande forma em que estão os deputados do PSD.
Diz V. Ex.ª que tem estado sereno, isso é óptimo, pois é o único na sua bancada, e por isso também o felicito.

Risos do PRD.

Sr. Deputado Carlos Coelho, eu nunca disse que o Governo não fez nada; o que eu disse foi que o Governo não fez aquilo que disso, ou não fez como disse que o faria. São pequenas nuances, importantes, e não sei se o Sr. Deputado tem subtileza suficiente para as perceber.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Sr. Carlos Coelho (PSD): - Isso das nuances serem o importante ...

A Oradora: - Sr. Deputado Carlos Coelho, prezo muito a estabilidade política porque ela é um valor fundamental, sem e qual não é possível caminhar com passos seguros para o progresso e para o futuro.
Mas, Sr. Deputado, a estabilidade política não é conseguida a qualquer preço. Aqui há uns anos atrás também houve estabilidade política, ninguém duvida disso, mas essa estabilidade política eu não a quero!

Risos do Sr. Deputado Carlos Coelho

O Sr. Deputado Carlos Coelho está a rir-se, pois, certamente, tal como eu, pela nossa juventude, nunca teve contacto directo com esse tipo de experiência, com esse tipo de estabilidade; folgo que nunca venha a ter, tal como espero nunca vir a ter.
Não confundi, portanto, estabilidade política com aquilo que nós hoje aqui fazemos e com aquilo que pretendemos ao apresentar esta moção de censura.
Estabilidade política sim, mas não a qualquer preço. Não com este Governo, não com os métodos antidemocráticos que ficaram, ontem e hoje, provados à saciedade!

O Sr. Carlos Coelho (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra para exercer e direito de defesa da honra.

Risos do PRD.