2 DE DEZEMBRO DE 2011
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O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Sr. Deputado, a melhor prova do que acabei de dizer — e refiro-me
agora à proposta do PCP que está avocada — é a publicação, feita ontem, do decreto-lei sobre as taxas
moderadoras, segundo o qual o Governo se prepara para aumentar para o dobro, repito, para o dobro, o que
actualmente cobra aos cidadãos portugueses!
O Sr. João Oliveira (PCP): — É uma vergonha!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Enquanto a Sonae, a PT, os grandes grupos económicos passam sem
pagar imposto, os portugueses, que já pagavam muito porque o Partido Socialista sucessivamente aumentou
as taxas moderadoras, vão passar a pagar o dobro.
Vozes do PCP: — Muito bem!
O Sr. João Oliveira (PCP): — É a vossa equidade!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Esta é que é a vossa moralidade, Sr. Deputado! Este é que é o vosso
Orçamento!
Mais: esta vossa proposta sujeita à condição de recursos — que é a cláusula de exclusão de centenas de
milhares de portugueses do acesso aos seus direitos — a comparticipação dos medicamentos! O que quer
dizer que muitos reformados e muitos doentes crónicos não vão conseguir ter acesso à comparticipação dos
medicamentos e vão passar a pagá-los por inteiro!
O Sr. Honório Novo (PCP): — Essa é que é a verdade!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — É esta a política do vosso Orçamento: roubar aos trabalhadores e ao
povo e entregar ao grande capital e aos grandes grupos económicos!
Aplausos do PCP e de Os Verdes.
A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra, a Sr.ª Deputada Ângela Guerra.
A Sr.ª Ângela Guerra (PSD): — Sr.ª Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as
e Srs. Deputados, como
ontem mesmo aqui foi referido pela nossa bancada, a proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda não é
nova. Ela assume-se, e assumiu-se anteriormente, como uma medida de combate à corrupção, mas, na
verdade, trata-se de um remake proveniente de outras legislaturas.
Pois bem, Meus Senhores, registamos que o Bloco de Esquerda não mudou de ideias. Também nós não
mudámos a nossa opinião.
O Sr. Francisco Louçã (BE): — Com certeza. É dinheirinho!
A Sr.ª Ângela Guerra (PSD): — Ontem, foram-nos aqui apresentadas cincos ordens de razões pelas quais
discorda o PSD dos termos em que a proposta em apreço se encontra formulada. Hoje, para vos ajudar,
acrescentamos umas quantas mais.
Entende, então, esta bancada que a corrupção não é regra do comportamento dos nossos cidadãos.
Vozes do PSD: — Muito bem!
A Sr.ª Ângela Guerra (PSD): — Não devemos por isso, e não podemos, abordar esta questão com
propósitos alarmistas ou populistas.
Certo é que há sinais que nos obrigam a reflectir sobre o combate a estes fenómenos, e o Governo está e
estará atento. Mas tal combate não se pode circunscrever a medidas de legislação fácil e populista.