2 DE DEZEMBRO DE 2011
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Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente: — Tem, agora, a palavra o Sr. Deputado Ricardo Rodrigues.
O Sr. Ricardo Rodrigues (PS): — Sr.ª Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as
e Srs. Deputados,
intervenho neste particular para referir-me ao artigo 200.º da proposta de lei, que pretende introduzir uma
norma interpretativa no Orçamento do Estado.
Gostava de dizer, com toda a clareza, que o Governo ensaia nesse capítulo um ataque feroz às regiões
autónomas, na medida em que não é um das primeiras inconstitucionalidades que este Orçamento do Estado
contém. Algumas delas foram emendadas e rectificadas, e bem, nesta Câmara, e eu esperava que esta
também pudesse ser emendada.
Na verdade, fazer uma norma interpretativa tem regras, como todos sabemos. É com base na letra de um
texto legislativo que se faz a interpretação do mesmo.
Gostava de tecer algumas considerações sobre a matéria em causa.
Em primeiro lugar, as regiões autónomas têm um património próprio, um orçamento próprio e as
assembleias legislativas regionais têm a competência de gerir esse património e as receitas. As autarquias
locais têm um património próprio e também têm competência para aprovar os respectivos orçamentos. Isto
está na Constituição, nos artigos 229.º e 232.º. A Constituição não estabelece nenhum preceito que preveja o
relacionamento financeiro entre as regiões autónomas e as autarquias locais.
O que faz o Governo? Pretende retirar dinheiro que é próprio do património e das receitas das regiões
autónomas e transferi-lo para as autarquias locais. Isto é algo invulgar que, pela primeira vez, acontece no
nosso ordenamento jurídico.
De facto, essa norma interpretativa é inovadora, porque a Lei das Finanças Locais estabelece a forma
como as receitas das autarquias chegam às mesmas e porque a gestão do património e das receitas das
autonomias regionais é feita pelas próprias assembleias legislativas regionais. Por isso mesmo, incorre em
ilegalidade e em inconstitucionalidade.
Além de mais, socorrem-se de uma norma interpretativa para fazerem um truque: retroagir os efeitos
interpretativos. Também não gostamos de ver esse truque ao Governo.
O Orçamento do Estado anterior — não o rectificativo, já apresentado pelos senhores — tinha uma norma
que dizia como é que essa matéria se aplicava. Estabelecia correctamente que o património e as receitas das
regiões autónomas eram das regiões autónomas e que o relacionamento financeiro com as autarquias locais
era da responsabilidade do Estado.
A forma de resolver o problema não é a que os senhores propõem. Os senhores foram pela pior solução,
arranjando uma norma interpretativa, que é ilegal, porque não interpreta nada de novo, pois o texto não admite
essa interpretação. Por isso mesmo, violaram também a Constituição ao colocar no Orçamento uma norma
que vem interpretar aquilo que não tem interpretação possível.
Nestes termos, gostava de alertar o Governo, porque ainda está a tempo, no sentido de alterar essa norma,
de não cometer mais esta inconstitucionalidade e de não cometer mais este ataque às regiões autónomas.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Paulo Batista Santos.
O Sr. Paulo Batista Santos (PSD): — Sr.ª Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as
e Srs. Deputados,
começo por dizer ao Sr. Deputado Honório Novo que este Orçamento tem, de facto, uma sigla: SGPS, e a
demagogia que V. Ex.ª aqui, repetidamente, tem feito a pretexto dessas sociedades.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Honório Novo (PCP): — Diga lá qual é a demagogia!