10 DE OUTUBRO DE 2014
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Logo, o que era importante hoje perceber — e confesso que até ao momento não percebi — é qual a
opinião, a proposta, a alternativa que têm para uma das matérias que é, seguramente, da maior preocupação
dos cidadãos.
Indo diretamente a duas ou três questões que foram colocadas, quero dizer que esta alteração incorpora
não só aperfeiçoamentos no arrendamento não habitacional, valorizando o papel do comércio na fixação e na
criação de emprego, mas também no arrendamento habitacional, tornando-o mais eficiente com uma
preocupação com a situação dos inquilinos. E, repito, esta não foi a lei dos despejos que muitos diziam que
era, não foi!
Vozes do PCP: — Que ideia…!
O Sr. Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia: — Lamento! Sei que gostariam que
tivesse sido, mas não foi!
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Protestos do PCP e do BE.
A realidade não esteve em linha com o vosso preconceito e tenho pena de que não tenham tido condições
para hoje apresentarem alternativas.
Mas o mesmo Governo que fez a reforma, que mediu a reforma, hoje, apresenta aperfeiçoamentos. O
Governo teve o cuidado de: ao nível da comunicação entre senhorio e inquilino, garantir uma maior informação
para proteger o inquilino; ao nível do processo de obras, garantir que não existem obras que sirvam de
pretexto para despejo quando não sejam verdadeiramente obras de conservação; permitir ao inquilino o
pedido de avaliação fiscal do locado, isto é, um conjunto de propostas que vão mais longe na preocupação
social.
O que é que acontece depois de 2017? Sr.as
e Srs. Deputados, nós não tínhamos nenhuma obrigação de
apresentar um modelo para o pós-2017, mas vamos fazê-lo. Não tínhamos nenhuma obrigação porque até
2017 está garantido um regime de transição que assegura que os cidadãos que estão numa situação de
vulnerabilidade não têm a sua renda aumentada em mais do que 1/15 do valor patrimonial. Mas o Governo fez
questão de, mesmo sendo matéria para depois de 2017, apresentar, em breve, uma proposta de subsídio de
renda e eu espero que todos façamos o nosso trabalho de casa, não só o Governo mas todas as bancadas
parlamentares.
Em relação à última questão que me foi colocada, a da renda apoiada, quero dizer que este regime de
renda apoiada é mais favorável do que o atual regime fragmentado, nomeadamente porque tem em atenção o
rendimento dos agregados familiares, tem em atenção a composição dos agregados familiares. Mas, se
houver algum caso em que exista um aumento de renda, em relação ao regime anterior, e se estava em curso
um faseamento nestes próximos três anos desse valor de renda, não haverá, com o novo regime, uma
atualização da renda, esperando, portanto, que este faseamento se faça; em todos os casos em que a renda
baixa — e é a generalidade dos casos! — ela baixa de imediato.
Penso que esta é uma matéria da máxima relevância e está, aliás, em linha com a preocupação do
Provedor de Justiça e dos vários grupos parlamentares.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente: — A próxima pergunta cabe ao PCP.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Paula Santos.
A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr. Ministro, em primeiro lugar, permita-nos que façamos a
seguinte referência: registamos que este Governo, um ano depois de ter anunciado e de ter prometido às
populações que iria fazer uma alteração à lei do regime urbano, um ano depois, repito, está hoje aqui.