I SÉRIE — NÚMERO 42
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O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado João Rebelo.
O Sr. João Rebelo (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Antes de mais, cumprimento o
Partido Comunista e o Bloco de Esquerda pela apresentação destas duas iniciativas.
Em 2013, se não me engano, discutimos propostas similares. Não sou daqueles que acho que isto é
repetitivo; acho que é sempre importante acompanhar, nesta área específica, o que se passa com as nossas
empresas públicas. Portanto, acho importante que esta matéria seja debatida.
Vou repetir o que disse ao Sr. Deputado Bruno Dias há dois anos. Como sabe, não foi o nosso Governo
que adotou este modelo empresarial para o Arsenal do Alfeite, mas, à época, achei que essa era a melhor
solução. Todas as vezes que visitei o Arsenal do Alfeite, tanto integrado na Comissão de Defesa como
sozinho, apercebi-me de que o modelo anterior também não era o modelo que os seus trabalhadores
desejavam. Como eles diziam, e bem, era um modelo que não era nem carne nem peixe. Ou seja, não eram
funcionários públicos, mas também não eram considerados trabalhadores de uma empresa privada. Estavam
numa situação híbrida, que não satisfazia em nada os próprios trabalhadores.
Se entendi bem, as propostas do PCP e do Bloco de Esquerda defendem um regresso à situação anterior.
Percebo as vossas preocupações. Neste momento, o Arsenal do Alfeite encontra-se no perímetro do Estado, é
uma empresa do Estado, 100% do Estado, e o PCP e o Bloco têm receio de que, em projetos futuros, como
nesse tal estudo que foi encomendado, se possa pensar em alternativas em relação a isso, pelo que o
regresso à situação em que estava anteriormente seria uma garantia de evitar tal evolução.
Compreendo essa preocupação, mas não resolve a questão de fundo. E a situação anterior do Arsenal do
Alfeite não era positiva para os próprios trabalhadores. Foi isso que ouvimos reiteradamente nas visitas que
fizemos ao Arsenal do Alfeite.
Sabemos que nenhum partido tem dúvidas quanto à importância do Arsenal do Alfeite no que diz respeito à
manutenção dos navios da Marinha. Também é verdade — e foi aqui dito por todos os Srs. Deputados — que
houve uma redução substancial do número de navios da Marinha, que foram alvos de recuperação no Arsenal
do Alfeite nos últimos anos, quer por problemas financeiros, é verdade, quer por opção de manutenções mais
simples.
Mas também não é verdade que o Arsenal do Alfeite esteja parado. Não é verdade! O Arsenal do Alfeite e
os seus trabalhadores têm feito serviços absolutamente notáveis para a recuperação dos navios da Marinha.
Acho que passou de ideia de que o Arsenal está parado, mas gostava de desmentir isso. Têm feito um
excelente trabalho. Eu próprio visitei o Arsenal há dois anos e vi a recuperação absolutamente notável que
fizeram de uma corveta antiga e também de navios mais antigos.
Em relação ao projeto que foi aqui falado sobre a tentativa de encontrar outros clientes que não a Marinha
para garantir postos de trabalho e o melhor desenvolvimento do Arsenal do Alfeite, em parte, é limitado, com
certeza, e não foi o desejado. Mas foi feito um esforço e, como sabemos, a Marinha de Marrocos faz a
manutenção de parte dos seus navios — é uma manutenção simples, é verdade! — no Arsenal do Alfeite. Isso
também é feito e é uma novidade.
Os resultados foram negativos em 2012 e em 2013 — 5 milhões de euros — e nós responsabilizamo-nos
por essa gestão deste Governo, mas parece-me que, embora os dados ainda não estejam finalizados, os
números de 2014 serão substancialmente melhores do que os de 2012 e de 2013.
Peço desculpa, Sr. Presidente, por estar a ultrapassar o tempo de que disponho.
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Sim, Sr. Deputado, faça favor de terminar.
O Sr. João Rebelo (CDS-PP): — Pelos números da Lei de Programação Militar, vários projetos de
manutenção passarão pelo Arsenal do Alfeite, e isso é essencial ser aqui referido.
Contudo, existem algumas manutenções — e termino, Sr. Presidente — que o Arsenal do Alfeite ainda não
pode fazer. O Sr. Deputado Bruno Dias falou, e bem, da manutenção dos submarinos. Não sou, nem o Sr.
Deputado, especialista nessa matéria, mas parece que este tipo de manutenção a que foram sujeitos os
nossos submarinos não podia ser feita no Arsenal porque ainda não tinha essa capacidade e era de tal ordem
importante que, de facto, era necessário enviar para os estaleiros alemães.