I SÉRIE — NÚMERO 57
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Esse futuro passa, inevitavelmente, pelo sucesso das empresas nos mercados internacionais, pela sua
consolidação como produtores alternativos às importações e, naturalmente, pela capitalização geográfica de
Portugal entre a Europa, as Américas e África.
É, por isso, com estranheza, que registamos o atraso do Governo na implementação do programa
Internacionalizar, anunciado em junho de 2016 pelo próprio Primeiro-Ministro. Oito meses passaram, Sr.as e Srs.
Deputados, e hoje nada temos!
Onde está o programa Internacionalizar? Onde está o plano estratégico da AICEP (Agência para o
Investimento e Comércio Externo de Portugal) para os próximos dois anos? Como pretende o Governo
assegurar a sustentabilidade das exportações? De que forma está o Governo a trabalhar para atrair investimento
privado? Como se propõe o Governo capitalizar as empresas nacionais? Quais são os novos mercados que o
Governo aponta na diversificação das exportações? E, já agora, qual é o contributo do Ministério dos Negócios
Estrangeiros na estratégia a seguir?
Diz-se, Sr. Presidente, que não há bons ventos quando não sabemos para onde queremos ir. Esperemos
que o Governo vá definitivamente a jogo e que diga para onde quer ir.
Depois de oito meses do anúncio político e da propaganda do Primeiro-Ministro, queremos acreditar — não
podemos deixar de o fazer — que o Governo já tem algumas ideias do que quer para o programa
Internacionalizar.
Aplausos do CDS-PP.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, não nos conformamos com uma taxa de crescimento a divergir da
média europeia, que é praticamente metade do que era suposto e que é muito menos do que era previsto no
célebre plano macroeconómico socialista.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, hoje, podemos fazer já um balanço dos resultados do Governo em
2016, nomeadamente na evolução das exportações nacionais e na captação de investimento estrangeiro.
Em primeiro lugar, é preciso dizer que o Governo desistiu do setor exportador. Ao rever em baixa as metas
para 2020, pôs à vista de todos a falta de ambição que transmite aos empresários e a todos aqueles que têm a
coragem de arriscar e de não desistir.
Em segundo lugar, o valor global das exportações de bens e serviços aumentou apenas metade do que
sucedeu em 2015. Mais: as exportações de bens registaram a variação anual mais baixa desde 2009. O mesmo
se pode dizer do abrandamento do investimento estrangeiro em Portugal, o qual, em 2016, correspondeu a
metade da variação registada em 2015.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, em terceiro lugar, com o vosso Governo, com a vossa marca, com as
vossas políticas e apenas com o vosso desempenho, Portugal caiu oito lugares no ranking mundial da
competitividade, comparativamente a 2015. Pasme-se, Sr.as e Srs. Deputados, o vosso Governo, com a vossa
marca, com a vossa política e apenas com o vosso desempenho, consegue metade dos valores obtidos pelo
anterior Governo.
A continuar assim, diria mesmo que a palavra «metade» se arrisca a ser a palavra do ano. Já não será a
palavra «geringonça», como foi em 2016, mas será simplesmente a palavra «metade».
Um sucesso, portanto, Sr.as e Srs. Deputados! Tudo isto confirma a responsabilidade desta maioria, da vossa
maioria, da maioria patrocinada por Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Os
Verdes na criação de uma situação de bloqueio, de abrandamento económico, de retração, de desconfiança e
de incerteza dos agentes económicos.
Da parte do CDS, a nossa obrigação é olhar para estes sinais com atenção e procurar fazer com que o
Governo saia do estado de adormecimento em que se encontra. É hora de acordar, Sr. Ministro!
Não podemos ficar pelas metades, Sr.as e Srs. Deputados.
A internacionalização da economia é, e não pode deixar de ser, uma prioridade.
Aplausos do CDS-PP e de Deputados do PSD.
O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Sr. Deputado Filipe Lobo d’Ávila, a Mesa registou a inscrição
de dois Srs. Deputados para pedir esclarecimentos. Como pretende responder?