I SÉRIE — NÚMERO 90
12
Quanto ao turismo de saúde, quase que subscrevo aquilo que as outras bancadas disseram. Gostava era
que me dissesse o seguinte: em que valências está a pensar? Em que mercados está a pensar? Em que
hospitais está a pensar? Que protocolos é que já fez? Que acordos é que já fez? É que não pode vir aqui com
generalidades, nem com uma ideia que tem «pernas para andar» e que o senhor desvirtuou, não tendo trazido
nenhum contributo inteligente para o debate.
Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Pereira.
O Sr. Carlos Pereira (PS): — Sr. Presidente, Srs. Deputados Virgínia Pereira e Hélder Amaral, muito
obrigado pelas questões.
Sr. Deputado Hélder Amaral, deixe-me confirmar que eu gosto de fazer turismo e gosto de fazer viagens,
mas também devo dizer que o exemplo que deu, da viagem que fizemos juntos, não é o melhor exemplo.
Protestos do CDS-PP.
De qualquer maneira, gostaria também de dizer ao Sr. Deputado que fazer política com seriedade não é
necessariamente fazer um concurso de originalidade. E em nenhuma circunstância eu disse, na minha
intervenção ou em qualquer momento, que estes diplomas que foram apresentados são diplomas
completamente originais. Referi, inclusive, que isto não é nada de novo e que algumas destas matérias já foram
tocadas no País e são tocadas no quadro tanto do setor público como do setor privado.
Referi, inclusive, em resposta a um anterior Deputado, que, no que diz respeito ao turismo científico, há hoje
universidades portuguesas a fazer planos de turismo científico, que, do nosso ponto de vista, são muito
relevantes, pelo que consideramos, contrariamente ao que os senhores consideram, porque os senhores acham
que o Estado não deve ter políticas públicas, não deve intervir, que devemos ajudar as associações e as
universidades para garantir que se potencie esse turismo científico.
Aplausos do PS.
Ora, os senhores acham que devemos ficar sem fazer nada e sem intervir nestas mesmas matérias. Foi isso
que o Sr. Deputado disse durante a sua intervenção.
Concluo a resposta que lhe quero dar lembrando que, numa entrevista dada ao i, há pouco tempo, pelo
anterior Secretário de Estado do Turismo, que pertence à sua bancada, li exatamente isto que vou referir: «Sou
completamente insensível às necessidades do setor do turismo». Isto foi dito por um Secretário de Estado do
Turismo que o foi durante quatro anos. O Sr. Deputado acha que isto é algo relevante, que sossegue o setor e
que contribua para que o setor possa ser, de facto, um setor forte, robusto e com garantia de mais crescimento
e mais receitas para o País?
Sr.ª Deputada Virgínia Pereira, gostaria de referir que eu não disse, e também não está escrito, que o diploma
e a recomendação para a promoção do turismo científico era prioridade nacional. De facto, não é. Nós também
concordamos que há aqui um conjunto de prioridades, no quadro do sistema científico e tecnológico, que
devemos ter em atenção. Mas também quero lembrar que o País já fez um caminho muito significativo nesta
área. É bom lembrar que a Investigação e Desenvolvimento (I§D), no PIB, cresceu significativamente nos últimos
anos, e isso é um fator positivo e um potencial positivo que pode ser aproveitado também para esta área do
turismo.
Acho que devemos ter a capacidade e a coragem para apostar nestas novas procuras e neste novo tipo de
turismo, porque ele pode acrescentar valor, riqueza e emprego ao País. É esta a nossa visão.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Tem, agora, a palavra a Sr.ª Secretária de Estado do Turismo, para uma intervenção.