I SÉRIE — NÚMERO 92
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Infraestruturas — e dizer-lhe que o balanço demonstra que o Governo cumpriu, é verdade, alguns dos
compromissos assumidos com Os Verdes, mas outros ficaram por cumprir, nomeadamente um que nos parece
estruturante e que tem a ver com o cumprimento de uma resolução aprovada por esta Assembleia, a qual teve
origem numa proposta de Os Verdes e diz respeito à elaboração de um documento estratégico que seria a base
de um plano ferroviário nacional.
Ora, passou o prazo determinado, e nem uma linha. Mas nós continuamos à espera, Sr. Ministro, que o
Governo dê resposta aos compromissos que assumiu connosco, mas que assumiu também com as populações.
Refiro-me, concretamente, ao ramal de Portalegre, que, com a construção de uns meros 9 km, aproximará a
capital de distrito mais despovoada do País a Lisboa e ligará a sua zona industrial ao porto de Sines, a Espanha
e, obviamente, ao resto do País, abrindo as portas ao investimento e criando oportunidades de emprego.
Recordo que, por proposta e por pressão de Os Verdes, a reposição do transporte diário de passageiros na
Linha do Leste é hoje um facto e, juntamente com a reabertura da ligação com Espanha, em Badajoz, representa
um estímulo para o distrito de Portalegre que não pode voltar atrás, necessitando, aliás, o serviço de ser
melhorado, nomeadamente com mais horários.
Refiro-me também à eletrificação da linha ferroviária entre Beja e Casa Branca, devolvendo a ligação direta
da capital do Baixo Alentejo a Lisboa. Refiro-me à eletrificação da Linha do Douro até ao Pocinho. E refiro-me
ainda ao estudo de viabilidade da reabertura da Linha do Corgo.
É verdade que, muito por força desta locomotiva verde, o comboio passou a integrar as medidas de
governação não só com a reabertura de serviços mas também com a aquisição e locação de novo material
circulante. Sucede que o Governo demorou tanto a avançar com estas medidas que delas certamente só
teremos resultado lá para dois mil e nunca mais!
Resta-nos, portanto, a EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), como boia de salvação,
para que não haja um colapso no serviço ferroviário.
Sr. Ministro, a EMEF viu entrar novos trabalhadores, é verdade, mas não chegam, face às necessidades
geradas pelo estado em que se encontra o material circulante da CP, depois de décadas de subfinanciamento
e sem qualquer investimento.
O que pergunto, Sr. Ministro, é se o Governo vai, de facto, contratar, ainda neste ano, mais trabalhadores
para a EMEF, o que propusemos no Orçamento do Estado, mas que o PS rejeitou, ou se temos de esperar pelo
pior para, depois, contratar.
Será preciso instalar-se o caos para, depois, se agir?
Aplausos de Os Verdes e do PCP.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos
Silva, do PSD.
O Sr. Carlos Silva (PSD): — Sr. Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as e Srs. Deputados: As alterações
climáticas são hoje uma realidade cada vez mais sentida no nosso dia a dia.
O setor dos transportes é uma das maiores fontes de emissão de gases com efeito de estufa, qualquer coisa
como 25% do total de emissões nacionais, exercendo forte pressão sobre o ambiente e a qualidade de vida dos
cidadãos.
Neste particular, a descarbonização da mobilidade passou a estar na agenda. Infelizmente, no âmbito da
mobilidade e transportes, Portugal não segue essa agenda. Apesar da muita propaganda que o Governo faz,
como hoje mais uma vez aqui assistimos, não faltam propostas para 2050.
Assiste-se, hoje em dia, ao degradar constante do serviço público de transporte de passageiros, conduzido,
em alguns casos, até à indigência.
Face a comboios a caírem aos bocados, elétricos da Carris a descarrilar, utentes a sentirem-se mal e a
passarem maus bocados por falta de ar condicionado, em serviços que pretensamente seriam de excelência,
presidentes das empresas de transportes a queixarem-se do excesso de cativações e da falta de investimento
— de resto, estes indicadores superam negativamente os tempos da crise — e com presidente da empresa do
transporte fluvial a apelar aos utentes para não virem em hora de ponta, que respostas dá o Governo aos
portugueses? Cria uma espécie de transporte público low cost, suprimindo lugares sentados, para os utentes