3 DE JULHO DE 2019
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É importante responder a isto, porque se não a declaração que veio aqui fazer é uma mera instrumentalização
dos trabalhadores,…
A Sr.ª Clara Marques Mendes (PSD): — Instrumentalização dos trabalhadores?! Nós?!
O Sr. Moisés Ferreira (BE): — … é uma mera instrumentalização dos funcionários públicos, é uma mera
instrumentalização da greve, e tem pouca seriedade, porque, depois, não tem nenhuma proposta para estas
questões que estão em cima da mesa.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — A última questão à Sr.ª Deputada Clara Marques Mendes é da
Sr.ª Deputada Carla Tavares, do PS. Tem a palavra.
A Sr.ª Carla Tavares (PS): — Sr. Presidente, de facto, Sr.ª Deputada, existe um ditado popular que encarna
bem aquilo que a Sr.ª Deputada há pouco veio aqui fazer, que é: «Bem prega Frei Tomás; olha para o que ele
diz, não olhes para o que ele faz».
Claro que — e, caso não se recorde, relembro-a — durante o anterior Governo do PSD/CDS a área da
segurança social e do trabalho perderam 3156 trabalhadores. Até ao primeiro trimestre de 2019, este Governo
já conseguiu recuperar 906 desses trabalhadores, no entanto, reconhecemos todos que esse número poderá
ainda não ser suficiente.
Aliás, Sr.ª Deputada, recordemos também que o Governo do PSD e do CDS foi o campeão da destruição de
emprego, não só na segurança social, mas de todo o emprego, e esse é o reconhecimento que os portugueses
também saberão fazer nas próximas eleições.
Acresce ainda, Sr.ª Deputada, que só no último mês de maio estiveram a pagamento, no Centro Nacional de
Pensões, 15 000 novas pensões, ou seja, mais 63% do que aquelas que estiveram a pagamento no ano de
2014, pensões essas que o Governo do PS aumentou e não cortou, como o PSD e o CDS queriam fazer. Sim,
Sr.ª Deputada, porque os portugueses não se esquecem do corte dos 600 milhões que o PSD e o CDS queriam
fazer.
A Sr.ª Wanda Guimarães (PS): — Muito bem!
A Sr.ª Carla Tavares (PS): — Mais, Sr.ª Deputada: se compararmos 2014 com 2015, 2016 ou 2017,
percebemos de imediato que, nos últimos três anos, houve um aumento de 30% de novos pedidos de pensões,
não obstante os recursos humanos da segurança social terem diminuído em mais de um terço por força dos
cortes de pessoal e das pessoas que foram enviadas para a requalificação pelo anterior Governo.
Aliás, durante a anterior legislatura, por várias vezes, o PS questionou o então Governo do PSD e do CDS
sobre o previsível, agora confirmado, impacto negativo dos despedimentos disfarçados de requalificação, quer
na produtividade, quer na capacidade de resposta dos serviços da segurança social. Esse impacto negativo foi
sempre negado, sendo várias vezes afirmado que essas pessoas não faziam falta.
O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Tem de terminar, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Carla Tavares (PS): — Vou terminar, Sr. Presidente.
Sr.ª Deputada Clara Marques Mendes, sendo hoje claro, e confirmando-se que os 700 trabalhadores da
segurança social enviados para a requalificação, bem como todos os outros, afinal, faziam falta, como, aliás, o
PS sempre acautelou e preveniu, pergunto-lhe o que é que fez o PSD, na altura, para acautelar essa mesma
falta de pessoal, para que, de facto, não se viesse a verificar no futuro, como veio a acontecer, a falta desses
recursos humanos?
Aplausos do PS.