15 DE MAIO DE 2021
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O Sr. Presidente: — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Cecília Meireles, do Grupo Parlamentar do CDS-PP.
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Sobre o texto de substituição que acabámos de votar e sobre as propostas de alteração que iremos votar de seguida, é bom que percebamos
que se trata de uma reversão, uma reversão da reforma das freguesias feita em 2013.
Portanto, não estamos a votar um verdadeiro regime jurídico de criação, modificação e extinção de freguesias
que vise corrigir o mapa em função de uma realidade que é dinâmica, que é o território. O que estamos a votar
aqui hoje e o que vamos escolher é entre uma versão absolutamente radical da reversão da reforma das
freguesias e uma versão mitigada, diria, talvez arrependida, da reversão da reforma das freguesias.
E esta reforma — se tiverem vencimento as propostas do PCP já daqui a algum tempo, se não tiverem daqui
a 180 dias — vai acabar na criação de muitas freguesias, provavelmente de centenas de freguesias.
Sr.as e Srs. Deputados, aqui confrontam-se visões muito diferentes de descentralização. É que, do meu ponto
de vista, descentralização não é sinónimo de mais Estado, descentralização não é proliferação de cargos
políticos atrás de cargos políticos, de entidades políticas atrás de entidades políticas. A descentralização faz-se
quando o Estado central fica com menos recursos financeiros e os passa para as câmaras municipais ou para
as freguesias. Isso é que é descentralização. Não é o Estado central ficar exatamente como está, e cada vez
mais gordo, com cada vez mais autarquias locais. Isso, Srs. Deputados, é descentralização «à la político»: cada
vez mais cargos políticos e as populações a ficarem exatamente na mesma.
Portanto, ainda que eu possa ser a única voz a dizê-lo, não é connosco que vai haver proliferação de
entidades públicas e proliferação de cargos políticos.
Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado José Luís Ferreira, do PEV.
O Sr. José Luís Ferreira (PEV): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Por aquilo que estamos a ver, esta Assembleia perde hoje mais uma oportunidade para, de uma vez por todas, dar resposta ao conjunto de
problemas herdados do Governo PSD/CDS-PP em matéria de extinção de freguesias.
Como todos estamos lembrados, a dita «reforma administrativa», como então lhe chamava o PSD e o CDS-
PP, apenas teve como objetivo extinguir um universo muito significativo de freguesias, inclusivamente freguesias
cujos órgãos autárquicos se pronunciaram contra, no respetivo processo de agregação ou de consulta.
É por isso que a proposta de Os Verdes pretendia repor as freguesias que obtiveram parecer negativo à
respetiva agregação e que, portanto, mereceram oposição por parte das populações. Por outro lado, também
se previa dar a possibilidade às poucas freguesias que obtiveram parecer positivo relativamente à agregação
para, passado este período e face à experiência destes últimos anos, poder ser feita uma avaliação sobre as
vantagens e as desvantagens que as agregações trouxeram para as populações e para a sua qualidade de vida.
Sucede que, como já percebemos, o Governo e o PS optaram por um outro caminho. É um caminho que, a
nosso ver, não resolve todos os problemas que exigiam resposta, desde logo porque impede ou vai impedir
muitas freguesias de serem repostas, se as populações assim o entenderem.
Por isso, para Os Verdes, o que se impunha era criar um regime que partisse de um pressuposto-base ou
que tivesse como farol orientador a vontade das populações.
É exatamente esse o motivo que leva o Partido Ecologista «Os Verdes» a não votar a favor da proposta que
o Governo nos apresenta.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente: — Por fim, tem a palavra o Sr. Deputado José Cancela Moura, do Grupo Parlamentar do PSD.
O Sr. José Cancela Moura (PSD): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Não há novas freguesias nas próximas eleições autárquicas por culpa do PCP, sobretudo pela demagogia com que participou na discussão. É que o