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44 | II Série A - Número: 123 | 27 de Maio de 2009

Características geográficas e demográficas: Castro Laboreiro confronta, a norte e nascente, com as terras da Galiza, a sul e poente, com a freguesia da Gavieira (concelho de Arcos de Valdevez) e, a poente, com Lamas de Mouro.
A freguesia de Castro Laboreiro tem cerca de 88,5 Km2 e localiza-se no planalto com o mesmo nome, em plena Serra da Peneda, numa extensa área dentro do Parque Nacional da Peneda Gerês, e distribui-se por dois patamares: a norte, uma vasta área de planalto que atinge 1335m de altitude, e, a sul, o vale do Rio Laboreiro, o qual corre a uma cota que não excede os 350 metros. Dista 25 Km da sede do concelho.

Natureza histórica: A ocupação humana da zona em causa teve início na pré-história recente, surgindo no planalto de Castro Laboreiro os seus mais recuados vestígios, materializados em dezenas de monumentos funerários megalíticos (mamoas, dólmens/antas e cistas).
Depois, entre o Neolítico e a Baixa Idade Média, os vestígios são bastante difusos. Na Idade do Ferro parece ter existido um povoado no morro onde se implantou, posteriormente, o Castelo de Castro Laboreiro, o qual poderá, segundo alguns autores, tratar-se de um possível castro romanizado.
Na sua obra Pontes romanas e românicas de Castro Laboreiro (1985), o Padre Aníbal Rodrigues identifica vários vestígios da época da romanização, sobretudo pontes. Estudos mais recentes apontam para uma provável cronologia medieval (dentro do estilo românico) ou mesmo moderna da maior parte desses vestígios.
Dos conturbados tempos da Alta Idade Média a informação também é pouca e será a partir da Baixa Idade Média que a história desta freguesia se intensifica. Deste período o Castelo de Castro Laboreiro é o monumento mais marcante, havendo algumas referências documentais de que existiria um castelo anterior no local da fortificação que actualmente aí se conserva, sendo a sua edificação geralmente atribuída ao Rei D.
Dinis, na segunda metade do século XIII. O desenho desta fortaleza, da autoria de Duarte Darmas, regista um pequeno aglomerado habitacional implantado no exterior da mesma, no lado norte. Também a igreja desenhada pelo mesmo autor foi substituída pela actual igreja paroquial, reconstruída na época moderna e que conserva apenas dos tempos medievais uma pia baptismal com decoração de tradição românica.
Sede de concelho desde 1271 até 1855, o primeiro foral foi dado a Castro Laboreiro por D. Afonso III, em 15 de Janeiro de 1271, tendo recebido de D. Manuel I novo foral, em 20 de Novembro de 1513. Da centúria do foral de D. Manuel I data igualmente o pelourinho, monumento que foi desmontado em 1860, para se edificar a «Casa Grande», tendo sido reconstituído pelo Padre Aníbal Rodrigues em 1985.

Aspectos demográficos: De acordo com os últimos Censos (2001), a população Castro Laboreiro era de 996 indivíduos, dos quais 448 homens e 548 mulheres. Esta situação decorre do fluxo migratório que foi mais marcante a partir dos anos 60 do século XX e da taxa de mortalidade, derivada do envelhecimento da população, verificada nas décadas de 80 e 90.
Actualmente ocorre em Castro Laboreiro outro tipo de ocupação e de revitalização, não só por parte de muitas famílias de outras zonas que ali possuem habitação de fim-de-semana e dos turistas que ocupam casas de turismo, mas também por parte de outras famílias vindas dos grandes centros urbanos que fixam residência nesta freguesia.

Situação socioeconómica, cultural e religiosa: A agricultura, a pastorícia e a pecuária foram tradicionalmente as principais actividades económicas de Castro Laboreiro, mas, nas últimas décadas, desenvolveram-se ali actividades de construção civil, comércio e serviços, designadamente restauração, alojamento e turismo.
Na agricultura são de destacar os produtos hortícolas, as batatas e os cereais — o centeio é o principal —, sendo prova evidente da importância desta última produção a quantidade e qualidade de moinhos e fornos comunitários ali existentes e que são consideradas um legado histórico e etnográfico de grande interesse.
Tem também relevância local, para além da produção de mel, a criação de gado vacum, ovino e caprino e, sobretudo, de suínos (porco bísaro), de que resulta a produção do famoso fumeiro de Castro Laboreiro.