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27 DE NOVEMBRO DE 2015 155______________________________________________________________________________________________________________

O interior de Portugal continental constitui, desde logo, uma promissora membrana de

ligação com o resto da Península, gozando de uma posição privilegiada no contexto ibérico

que não tem sido devidamente valorizada. Nas regiões espanholas junto à fronteira vivem 6

milhões de pessoas (14 milhões, se incluirmos a Andaluzia). Só as províncias fronteiriças

têm 3,3 milhões de habitantes. Acresce que as capitais dos nossos distritos fronteiriços

distam apenas entre 60 e 160 quilómetros das capitais das províncias vizinhas. Assim, o

dito «interior» está, afinal, no centro do mercado ibérico, um mercado com cerca de 60

milhões de consumidores e um gigantesco volume de trocas. Pelo que, doravante, as zonas

raianas devem passar a ser encaradas como um extenso interface comercial.

Mas não se trata apenas de fomentar o comércio transfronteiriço. Para vender é preciso

produzir. E a verdade é que o nosso território dispõe de uma relevante capacidade

produtiva que está atualmente a ser desperdiçada. Existem no dito «interior»

infraestruturas, mão-de-obra, recursos únicos e saberes artesanais que estão

subaproveitados ou mesmo em risco de se perder. E que, mediante um influxo de

inovação, tecnologia e métodos de gestão, podem gerar consideráveis mais-valias. No

fundo, há nos espaços rurais e nas pequenas e médias cidades um enorme potencial

adormecido que importa reavivar e colocar ao serviço do progresso nacional.

Para o efeito, é necessário, antes de mais, promover um correto e equilibrado ordenamento

do território. É necessário estimular o desenvolvimento em rede, criando parcerias urbano-

rurais, coligações entre cidades médias e lançar projetos apoiados por instituições

científicas e de produção de conhecimento. É necessário intensificar a cooperação

transfronteiriça. É necessário, por fim, repovoar e redinamizar os territórios de baixa

densidade.

Unidade de missão para a valorização do interior

O governo criará uma unidade de missão para a valorização do interior, na dependência

direta do Primeiro-Ministro, tendo como responsabilidades criar, implementar e

supervisionar um programa nacional para a coesão territorial, bem como promover o

desenvolvimento do território do interior.

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