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20 DE FEVEREIRO DE 2016 181______________________________________________________________________________________________________________

com a estimativa mais otimista do OE/2016 (em relação à projeção do FMI), o consumo privado não atinge o nível observado antes da crise. Também em relação à recuperação do consumo de bens duradouros verifica-se, de facto, uma tendência positiva, mas o peso destes bens no total do consumo fica ainda aquém dos valores atingidos antes da crise de 2009 (Gráfico 8). A recuperação do consumo tem sido acompanhada por uma redução significativa da taxa de poupança, tal como referido pelo FMI. Em todo o caso, não será de esperar que o consumo privado atinja o valor anterior à crise, associado ao aumento do peso dos bens duradouros, uma vez que nos anos que se seguiram verificou-se um ajustamento interno e externo, podendo admitir-se que uma parte desse ajustamento externo é estrutural.

Gráfico 7 – Recuperação do consumo privado Gráfico 8 – Evolução do consumo privado e do desde o primeiro ano de recessão do PIB em peso dos bens duradouros no consumo

2003 e 2009 (em percentagem, dados encadeados em volume) (em percentagem)

12,0

10,0 15,08,0

6,0 10,04,0

2,0

0,0 5,0

-2,0

-4,0 0,0-6,0

-8,0-5,0

-10,0t t+1 t+2 t+3 t+4 t+5 Bens duradouros - % do total do consumo Consumo privado - tva

2003 2009 -10,0

Fontes: INE e cálculos da UTAO. | Nota: O momento t Fonte: INE. corresponde ao ano de 2003 na série de 2003 e ao ano de 2009 na série de 2009, refletindo os anos de taxa de variação anual negativa do PIB em termos reais.

A relação entre o consumo privado e as importações tem evidência empírica nos dados de Portugal, tal como apontado pelo FMI. Com efeito, um abrandamento do crescimento das importações poderá estar relacionado com um menor crescimento do consumo privado. O indicador quantitativo do consumo privado, disponível até novembro, parece apontar que o crescimento do consumo privado ainda não terá atingido o seu pico. De acordo com o INE, “o indicador quantitativo do consumo privado, disponível até novembro, registou um crescimento homólogo ligeiramente mais acentuado nos últimos dois meses, suspendendo a trajetória descendente iniciada em maio. No último mês, a evolução do indicador resultou do aumento do contributo positivo da componente de consumo de bens duradouros. O indicador de consumo duradouro acelerou de forma acentuada em novembro, depois de ter recuperado de forma ligeira no mês anterior. A informação sobre as vendas de automóveis ligeiros de passageiros, disponível até dezembro, revelou uma acentuada desaceleração, passando de uma variação homóloga de 19,6% em novembro para 13,6%. O indicador de consumo corrente estabilizou em novembro, observando-se esta evolução nas duas componentes, alimentar e não alimentar.” Além disso note-se que o abrandamento da atividade económica no 4.º trimestre, de acordo com a Estimativa Rápida das contas nacionais publicada pelo INE, foi atribuído à desaceleração do Investimento. Sobre a relação entre as medidas de política económica e a evolução do consumo privado, o FMI considera que estas têm um impacto marginal. De facto, a existência de medidas discricionárias de política económica poderá compensar, em termos agregados, os efeitos de aumento de rendimentos observados nos últimos anos com a reposição de salários. Contudo, parece existir evidência empírica ao nível micro do efeito do aumento das remunerações e o aumento do consumo privado (Gráfico 9).

UTAO | PARECER TÉCNICO n.º 3/2016 • Análise à Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2016

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