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8.3 Working on Fire

O Programa «Working on Fire» (WOF) é um programa suportado pelo Governo da África do

Sul cuja implementação está a cargo de uma entidade privada. Embora se trate de uma

atividade num contexto socioeconómico e ambiental muito diferente do de Portugal, constitui

um programa interessante que tem sido adotado por outros países. Uma das componentes

deste programa é o de trabalhar com as comunidades a fim de criar sensibilidade para o

problema do fogo e para incentivar a sua prevenção.

Esta dimensão tem alguma semelhança ao programa Firewise, embora opere numa sociedade

com um nível educacional e económico diferente do que se encontra nos EUA ou na Europa.

Dispõe do suporte de uma entidade ativa, que emprega recursos humanos e financeiros

importantes, com apoio local, junto de um grande número de comunidades afetadas pelo risco

de incêndo naquele País. Por conhecimento direto pudemos avaliar o efeito muito positivo que

o WOF tem na sensibilização das populações e no seu empenho nas tarefas de prevenção e

de autodefesa.

Por iniciativa da AGIF, uma delegação deste programa Sul-Africano deslocou-se a Portugal,

tendo realizado diversas ações de sensibilização da população e das autoridades, em 2019.

Desconhecemos a continuidade dada a estas ações ou a sua articulação com os PAS/PPS.

9. Conclusões e Recomendações

Os Programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras constituem, no seu conjunto, uma iniciativa

muito válida, que vai ao encontro do que deve ser a primeira prioridade do sistema de defesa

da floresta, que é a salvaguarda da vida das comunidades que vivem nos meios rurais, em

geral em aldeias ou lugares sujeitos a um elevado risco de incêndio.

A designação dos Programas, que é atualmente a de «Programa Aldeia Segura» e «Programa

Pessoas Seguras», deveria ser repensada, visto dar a ideia de se tratarem de dois programas

separados, o que na prática e na opinião pública não acontece. Talvez se pudesse designar

«Programa Aldeia Segura e Pessoas Seguras», mantendo a ideia de que se trata de duas

realidades distintas – as casas e as pessoas – mas mostrando que a proteção de uma implica

a das outras.

Embora estejam bem fundamentados conceptualmente, correspondendo às prioridades de

ação que são definidas em programas congéneres noutros países, a sua implementação em

Portugal parece ainda incipiente, com uma hierarquia das atividades pouco desenvolvida. O

Programa é muito ambicioso e abrangente, mas a sua implementação não tem uma estrutura

de suporte adequado. É manifesto que faltam na ANEPC recursos para levar a efeito um

programa desta natureza e importância. Alguma inconsistência nos dados que reportam a

atividade do Programa em alguns relatórios consultados, constitui um reflexo desta

insuficiência. A concretização deste Programa requeria um trabalho profundo e continuado com

as comunidades, que exige meios humanos formados e recursos financeiros, por parte de

quem gere o Programa.

O Programa deverá ser suficientemente robusto para ter capacidade para ultrapassar

dificuldades conjunturais. Temos a perceção de que uma questão menor, como foi o processo

de seleção e aquisição dos componentes de um kit pedagógico, de apoio, se constituiu num

problema importante na implementação de um programa de grande interesse nacional. As

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