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10 Diário da Câmara dos Deputados

o Douro peca que se importe álcool industrial, e não que se deixem funcionar no país fábricas para a preparação dêsse álcool, o que, no meu entender, acho muito inconveniente para o comércio dos vinhos da região duriense.

Sr. Presidente: eu tratarei, com o Sr. Ministro do Fomento, de resolver êste assunto, esteja a Câmara descançada.

E encontrei já resolvida esta questão quando tornei conta da pasta do Fomento no Ministério transacto, isto é, vi-me na presença dum facto consumado, e se não modifiquei o despacho do meu antecessor foi porque, em consciência, entendi que o não devia modificar.

Emquanto ao caminho de ferro a que S. Exa. se referiu, se o ilustre Deputado me fizesse a interpelação que estava para ser realizada ao Sr. Fernandes Costa, eu teria ensejo de mostrar que há toda a vantagem em que o traçado siga pela margem direita. Havia argumentos que eu tencionava aduzir e que, tecnicamente, provariam que as vantagens são todas em favor da adopção dêsse traçado.

Resta ainda um outro assunto a resolver e êsse vem dar a questão um outro aspecto. Refiro-me ao local da estação. Eu mandei vir do norte o processo relativo a êsse caso, estudei-o detalhadamente, pesando os argumentos dum e doutro lado. Mandei tambêm, e debaixo do critério de que as estacões se não devem pôr aqui ou acolá conforme os caprichos de cada um, mas atendendo simplesmente às necessidades do país, mandei, dizia eu, fazer um estudo relativo à construção da referida estação num local que se me afigurava propício.

Não pude perder de vista, tambêm, a idea de não aumentar a despesa.

Preguntei se já se tinha feito a aquisição dêsse terreno, que não só vinha trazer grande despesa, mas não dava compensação, sendo, portanto, inútil o gasto.

Eu verei com mais atenção o estudo mandado fazer para a ligação dessa estacão e se V. Exa. necessitar mais esclarecimentos, terei muito prazer em lhos fornecer. Até agora são estas as informações que lhe posso dar.

O orador não reviu.

O Sr. Azevedo Antas (para explicações): - Agradeço ao Sr. Ministro do Trabalho as explicações que acaba de me dar.

Em relação ao álcool, concordo que o tratamento dos vinhos generosos deve ser feito com álcool vínico, mas o que é certo é que nas condições actuais é absolutamente impossível alcançar álcool por um preço inferior ao que existe no mercado e nesse caso o tratamento dos vinhos ficará muito caro.

Aconteceria que os vinhos generosos tambêm subiriam de preço, e, se há dificuldade em os colocar ao preço que actualmente tem, muito mais haveria, se o seu preço subisse.

O orador não reviu.

O Sr. Ministro do Trabalho e Previdência Social (António Maria da Silva): - Não há dúvida de que as considerações feitas pelo Sr. Azevedo Antas são duma grande importância, sendo necessário resolver o problema. Mas pode S. Exa. estar certo de que tudo quanto estiver ao alcance do Govêrno para a sua resolução, será por êle pôsto em prática.

O Orador: - Quanto ao caminho de ferro de Chaves, folguei de ouvir S. Exa. fazer uma calorosa defesa do traçado dessa linha pela margem direita, o que foi, para mim, uma grande surpresa, porquanto tinha lido nos jornais que S. Exa. era, tecnicamente, de parecer contrário.

O orador não reviu.

O Sr. Ministro do Trabalho e Previdência Social (António Maria da Silva): - É curioso que os jornais tivessem dito que eu tinha parecer sôbre a directriz dessa linha, quando ainda não estudei êsse problema.

O ilustre Deputado compreende a responsabilidade que adviria para o meu nome de engenheiro, se começasse a discretear sôbre êsse assunto, sem o ter estudado.

O mais que posso fazer é pôr todos os documentos à disposição de S. Exa. para conjuntamente estudarmos a questão, pois é meu desejo que ela seja tratada com a maior clareza.

Eu não oculto absolutamente nada, e V. Exa. fica sabendo quais os argumentos que eu tinha, porque eu sei que esta questão, quando for tratada, não há-de