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Sessão de 21 de Março de 1916 9

dências que julgou necessárias; assim como se essa comissão tem publicado e entregue os seus relatórios.

Eu desejava ainda preguntar a V. Exa. se tendo recebido - como recebeu - inúmeras representações dos povos do concelho de Chaves, relativamente ao caminho de ferro de Vidago àquela vila, demonstrando que o traçado pela margem direita é o pior, técnica e economicamente, se V. Exa. já tomou providências no sentido de sustar a construção dêsse caminho de ferro.

Eu não fiz há mais tempo considerações sôbre êste caso, porque estava anunciada uma interpelação do Sr. Fernandes Costa a V. Exa. Como, porem, êsse meu ilustre colega desta Câmara agora faz parte do Govêrno, eu desejaria que V. Exa. me informasse se tomou providências sôbre êsse caso. Eu já tenho conhecimento de que foi mandada sustar a construção no local designado; mas isso não é o bastante. Eu podia demonstrar a V. Exa. que essa construção de caminho de ferro, por essa margem, traz grandes encargos para o Tesouro, fica mais dispendiosa e é muito pior; mas isso seriam considerações muito extensas e eu reservo-me para breve as fazer, demonstrando o que acabo de afirmar, visto que a interpelação do Sr. Fernandes Costa a V. Exa. sôbre êste assunto não se pode realizar.

O Sr. Ministro do Trabalho (António Maria da Silva): - Sr. Presidente: o ilustre Deputado, Sr. Azevedo Antas, referiu-se a assuntos que correm pela pasta do Fomento, pedindo-me para eu transmitir ao meu colega as suas considerações.

Pode S. Exa. ficar certo que eu comunicarei ao Sr. Ministro do Fomento as suas observações. Quero fazer notar, porêm, que S. Exa. tratou de alguns casos que julgava que à pasta do Trabalho se referiam, quando realmente a ela não pertencem.

O engano de S. Exa. partiu do facto de supor que os serviços da comissão de subsistências, durante a vigência da lei n.° 480, pertencia ao Ministério do Trabalho.

Transmitirei ao meu colega do Fomento as considerações que S. Exa. fez referentes a essa pasta.

Com relação ao enxofre e ao sulfato de cobre, devo dizer a S. Exa. que alguma
cousa fiz quando geria a pasta do Fomento. Pedi ao meu colega dos Estrangeiros que tratasse do assunto com a Inglaterra e com a Itália.

O Sr. Ministro dos Estrangeiros envidou os seus esforços nesse sentido e obteve a promessa de que algumas quantidades de enxofre e de sulfato de cobre seriam cedidas, não tanto como as correspondentes aos pedidos que se encontravam no Ministério dos Estrangeiros. O ilustre Deputado compreende que o cobre é um produto que dificilmente se obtêm nos outros países pela utilização que tem tido. Não é possível obter da Inglaterra todo o sulfato de cobre que lhe é pedido.

Relativamente ao sulfato de cobre produzido pela União Fabril, tenho a declarar a S. Exa. que mandei um funcionário da minha confiança analisá-lo e o resultado dessa análise foi de que essa produção estava dentro dos limites tolerados, ficando ao Ministério do Fomento as responsabilidades do seu acto. E poderá até mandar repetir as análises, mesmo quanto ao sulfato de cobre, ficando assim autorizado a garantir os produtos. Hoje não se faz em Portugal o tratamento, e a produção vinícola tem de ser muito tratada. Se os lavradores fossem cuidadosos e os produtos fossem bons, nós poderíamos alcançar muitos mercados, o que espero sucederá de futuro com o cuidado dos lavradores e a escolha dos produtos.

Relativamente ao álcool, eu transmitirei as considerações do ilustre Deputado ao Sr. Ministro do Fomento. Mas como é um assunto de que já em tempos me ocupei, vou fazer sôbre êle algumas considerações.

Quando no Parlamento falei dêste assunto declarei, sob a responsabilidade do meu nome, que não deixaria de importar álcool para os usos industriais, porque os vinhos do Pôrto não são, nem podem ser tratados com álcool industrial. Não tenho certa, neste momento, a quantidade de álcool que há no país; mas está-se a fazer um inquérito, que, se se não estivesse já a fazer, eu não tinha dúvida em ordenar, mesmo porque mo autoriza a lei das subsistências, votada aqui nesta Câmara. Tendo nós uma produção vinícola importante, deixar que no país funcionem fábricas de álcool industrial, era, em pouco, a ruína do comércio de vinhos. Não há álcool industrial no país?! Então, que