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Diário da» Senões do Senado

Emqaanto S. Ex.a o não fizer, não dá o tiro de canhão. Portanto, nãc é S. Ex.a capitão de um barco, cuja nacionalidade lhe pertence.

-. Tem S. Ex.a o apoio da Confederação •Geral do Trabalho, porque esta já o declarou em comício público.

Mas o Sr. Presidente do Ministério afirmou peremptoriamente na outra Câmara •que só governará dentro da Constituição. E essas palavras são, por fatalidade, igaais às qae João Franco proferiu, dias antes de entrar em ditadura, qaando pedia, a colaboração do Parlamento.

É esse o mesmo caminho que S. Ex.a o Sr. Domingues dos Santos deixa que os outros prevejam.

, S. Ex.a está separando a opinião pública do Parlamento e o Parlamento da ^opinião pública.

Nem se explica doutra forma que, não -sabendo S. Ex.a se seria ou nãc aprovada .a moção apresentada na Câmara dos Deputados, deitasse cá para fora notas ofi-•ciosâs, que são simplesmente a reprodução das razões daqueles que pensam bem. Foi por isso que S. Ex.a fez baratear o pão. E eu ainda desejo saber como é que o.Sr. Domingues dos Santos tal conseguiu, quando o anterior Sr. Ministro da Agricultura, aliás muito bem intencionado, no o o poda fezer.

O que é que se vê da declaração ministerial?

.Que é ama declaração de quem não quere governar.

Faço-lhe j estica. S. Ex.a é bastante inteligente para saber que a declaração ministerial é absolutamente irrealizável.

É o libreto de uma opera que não tem -cantores que a cantem, nem mesmo no prólogo.

O seu conteúdo é de retalhos heterogéneos,, por vezes sem gramática nem lógica, apesar de fazer parte do Governo o Sr. Joio de Deus, filho do imortal João de Deus, autor do método do saa nome.

Os apoiados que a maioria dirigiu ao Sr. Rodrigues Gaspar íoram outros ían-tos não apoiados dados ao Sr. Domingues •dos Santos.

Se S. Ex.a não se mantivesse nesse lugar, ou antes se o não mantivessem, o que diria agora a opinião pública?

Não se explica doutra forma a entrada neste Ministério do Sr. Helder Ribeiro,

republicano de sempre, e que está como sentinela vigilante no Governo.

Aquilo que S. Ex.a julga uma'glória, o facto de trazer para o tablado político o Sr. João de Barros v o Sr. Ezequiel de Campos, apenas veio provar que esses dois homens possuem espírito de grande abnegação e sacrifício.

Entrando propriamente na análise da declaração ministerial, ou, antes, dos retalhos da declaração ministerial, em que o Sr. Presidente do Ministério, logo no prólogo, anuncia a necessidade de fazer uma liquidação, direi que espero que essa não seja a liquidação do País, tanto mais que S. Ex.a já nos vai preparando, fazendo apelo à nossa coragem.

S. Ex.a afirma que vai fazer reorganizações de serviços e, para isso, conta que o Parlamento colaborará com o Governo.

O Parlamento está pronto a colaborar com os Governos, e a .prova é que já deu autorizações ao Governo transacto, e até ao actual, na proposta de lei dos dqodé-cimos.

Declara S. Ex.a que vai fixar vencimentos em ouro aos funcionários.

Fixar vencimentos em ouro quando a política financeira a seguir é a da compressão de despesas e a da valorização do escudo!

Começam aqui as contradições. Isto não está certo. >

4[Redução das despesas normais?!

^São as despesas supérfluas?

Então não é ao Poder Legislativo que compete fixar as despesas e autorizar as receitas?

A actualização das receitas está feita na sua maior parte. Por assim dizer, só as classes pobres é que não têm as suas contribuições actualizadas.

& impossível actualizá-las, porque a capacidade tributária, se não está esgotada, está cheia. _ '

É preciso, talvez, fazer uma nova distribuição do imposto. A isso daria o meu voto se o Sr. Presidente do Ministério a pudesse fazer.