O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

20

J^iário das Sessões do Senado

O Sr. Afonso de Lemos:—Perdão!! Eu disse: paixão do seu espírito.

O Orador: — Só por uma paixão do meu espírito eu podia ter trazido para aqnj o que o Sr. Cunha Leal afirmara num banquete, quoro declarar que tenho efectivamente uma paix3,o: é a paixão pela verdade. pa'xão pelos destinos de meu partido, paixão por que os republicanos não se desunam (Apoiados) com semelhantes declarações contra republicanos igualmente militantes, as quais, longe de prestigiarem o regime, o estão desprestigiando.

Se o Sr. Afonso de Lemos tivesse empregado a palavra «perturbação», oa diria que e] a era privativa. do Sr. Cunha LeaL

Mas cníendamo-nos: S. Ex.a o Sr. Afonso de Lemos disse que eu trouxera para aqu: uma questão meramente pessoal.

Perdoe-mo S. Ex.a

O quo a sua consciência lhe deve dizer ó que eu. nas declarações que fiz, apenas referi o que o Sr. Cunha Leal tinhc, proferido, não só a respeito de uma pessoa determinada, mas também relativamente ao Partido Republicano Portugviês.

Portanto, já S. Ex.a vê que era uma questão a que eu não podia ser alheio.

O Sr. Afonso de Lemos:—Apenas me permiti estranhar que V. Ex.a tratasse desse assunto a propósito da declaração ministerial.

O Orador:—Disse S. Ex.a que era uma questão pessoal.

Pessoalmente não tenho senão que r.dmi-rar o talento do Sr. Cunha Leal, assim como as saas qualidades de parlamentar.

Se me tivesse referido ao seu carácter, isso é qna significaria uma questão pessoal.

Quanto a ter metido esse assunto ne, discussão da declaração ministerial, permita-me S. Es.a que lhe diga que ele tinha aqui todo o cabimento, porquanto nela se mostram os destinos do Partido Republicano Português, que importam uma transformação no programa, deste partido. E, comparando esse programa com a frase do Sr. Cunha Leal, quando disse que —o Partido Republicano Por-tu°-uês arrastava a República para a vala

e que nela se havia de enterrar— S' Ex.a compreende que essa frase era imprópria, pois que o Partido Republicano Português, ou só por este Govôrno, ou por sucessivos governos, havia de cumprir €ste programa, que o Sr. Afonso de Lemos, com certeza, não se recusaria a assinar. O orador não reviu.

O Sr. Lima Duque: — Sr. Presidente: começarei por saudar o novo Govôrno, não porque Cie seja estruturalmente republicano, nem porque ele tenha no seu seio alguns dos meus mais queridos amigos da Acção Republicana, mas principalmente porque este Governo aparece num momento ou numa hora da política nacional, em que talvez possa trazer me-Iho- rés dias para o País.

j^ste Governo apresenta-se com um programa perfeitamente definido, com ideas inteiramente concretas e representando uma grande corrente de opinião-dentro da democracia portuguesa.

Sendo assim, e sabendo nós que estamos a dguns passos apenas do período' eleitoral, este Governo terá, além de atender às questões económicas e financeiras do país,, do encaminhar, pelo menos, o programa político que é importante, para não dizer que terá de o resolver, porque não sei o tempo que ele se conservará no Poder.

Porque eu afirmo, com a convicção do qnem conhece o taboleiro eleitoral do país, que se nós, republicanos, nos apresentarmos perante as urnas divididos e cheios de dissidências, anavalhando-nos mutuamente, deprimindo-nos e apresentando-nos sem saber para o que vamos e' paru. onde vr.mos, os mais tristes dias esperarão a República e a Noção.

Digo; pois, com toda a convicção: é preciso reparar bem que contra toda a acção dos partidos republicanos se organizam e trabalham activamente as forças-vivas e se organizam e trabalham' activamente as forças mortas, e que da conjugação dos seus esforços muito mal poderá vir para a República, se nós republicanos não tivermos a força precisa para realizar o acto eleitoral por uma maneira que dignifique os partidos e a República .