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Sessão de 9 de Dezembro de 1924

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rio e pelo Sr. Ministro da Justiça com aquela boa vontade que S. Ex.ls efectivamente devem ter em fazer uma obra sã e justa, uma obra republicana.

O Partido Republicano Português, Sr. Presidente, tem um largo futuro diante de si. Não morre, não vai para a vala comum.

Apoiados.

Há pouco tempo, infelizmente, num relato que li no.Século dum banquete oferecido ao Sr. Cunha Leal, vi que este homem público se referiu ao meu partido nos termos mais ásperos que podemos imaginar.

Não devo intrometer-me nos banquetes íntimos dos partidos adversários e até entendo que nada há mais justo do que republicanos da mesma fé procurarem associar ideas e, em banquetes, transmitirem uns aos outros as suas impressões; mas o que não posso permitir — desculpem-me V. Ex.a e a Câmara que aluda a este assunto— ó que se aproveite a ocasião do um banquete para injuriar o Partido Democrático.

Eu repilo com toda a força da ininha energia, e decerto este lado da Câmara também o repele, o que aí se disse e que vem transladado no Século.

Frases duras foram lançadas pelo Sr. Cunha Leal contra o Partido Republicano Português que, entretanto, o nomeou, pelo Ministério transacto, reitor da Universidade de Coimbra.

Nesse banquete falou o Sr. Ginestal Machado com aquela gravidade e correcção que é própria do seu carácter; falou o Sr. Júlio Dantas, com a elevação de conceitos adequada à sua índole de literato consagrado; da boca de nenhum deles saiu uma palavra que fosse de injúria para o Partido Democrático.

Só o Sr. Cunha Leal, agradecendo os. brindes que .lhe fizeram com toda a correcção, ó que proferiu as palavras a que acabo de me referir e que não posso de modo algum deixar passar sem um protesto enérgico e veemente, porque nunca deviam ter saído da boca de um republicano como o Sr. Cunha Leal, que sabe e conhece as conveniências que a República exige.

O Sr. Cunha Leal referiu-se também a quem não tinha que ser chamado para o caso, dizendo que o Sr. Afonso Costa era

o dono do Partido Republicano Português, mesmo depois de o abandonar.

O Sr. Afonso Costa, por quem tenho a- maior consideração e de quem sou amigo, não precisa da minha defesa, mas manda-me a consciência que eu não deixe passar também essas palavras sem um. protesto.

Vi muitas vezes que o Sr. Afonso Costa, para tomar qualquer deliberação, ainda a mais ínfima, reunia o grupo parlamentar do seu partido" e seguia as suas indicações.

£ A que vem então dizer-se que o Sr.. Afonso Costa é o dono do Partido Demo-crático r

A mim, a minha consciência diz-me o seguinte: pode o Sr. Afonso Costa ter cometido erros — e qual o político mais em, evidência no nosso país e fora dele-que os não tenha cometido ? — mas o que ó certo ó que ele fez uma grande obra dentro da República. . Apoiados.

Não venho aqui censurar nem atacar & Sr. Cunha Leal, ou quem quer que seja, mas não posso ficar calado quando vejo-afrontar um homem que à República prestou relevantes serviços (Apoiados), e que-a República não pode esquecer, porque seria uma ingratidão máxima esquecê-lo.

Apoiados.

Vou terminar, e a Câmara que me desculpe pelo tempo que lhe tomei; mas em minha consciência pensei que não devia limitar-me a um mero cumprimento de-satidação, antes, falando em nome deste lado da Câmara, outra missão mais alta tinha a cumprir do que apresentar a respeito dum ou outro assunto os meus pontos de vista.

Cumpri o que em minha consciência julgo um dever, e confio que se dará no-Partido Republicano Português aquilo a que .me referi no princípio das minhas observações : o Partido Republicano Português continuará uno e indivisível na sua acção, e, obedecendo aos preceitos dos seus congressos, há-de marchar.