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Diário das Sessões do Senado

massa vemos no dia glorioso de Monsanto.

Apoiados da esquerda.

É com 6lo que a República leni contado, e a nação, pela boca das urnas, tem--se sempre pronunciado a seu favor.

jjDeve entãox um partido destes abandonar o seu posto? N ao.

Que outros o conquistem pela legalidade (Apoiados da esquerda},' que outros o conquistem pelos meios que os republicanos devem usar, isto é, pela propaganda sincera pelas urnas, e não pela ameaça, como subrepticiamente o declarou o Sr* Cunha Leal.

Mas. apesar de tudo, as frases do Sr. Cunha Leal esqueceram 110 firn do banquete, transformaram-se em fumo apenas.

.0 Partido Republicano Português tem uni alto destino; há-de caminhar como até agora, e a este Ministério, que se apresenta com profundas reformas, devemos acompanhá-lo sinceramente, dedicadamente, ercquanto ele cumprir o seu dever.

Apoiados. .'

O orador foi muito cumprimentado,

O orador não reviu.

O Sr. Afonso de Lemos: — Sr. Presidente : compro o dever de, em nome dos nacionalistas desta Câmara, dirigir ao Sr. Presidente (Io Ministério e aos seus colegas os meus cumprimentos.

Eu talvez devesse, antes de iniciar as considerações que desejo fazer a propósito da apresentação do novo Governo, referir-me, como nacionalista, às considerações que o Sr. Catanho cê Meneses acaba de fazer relativamente ao que se passou no banquete oferecido ao Sr. Cunha Leal.

Mas eu não quero cair no mesmo erro que caiu. o Sr. Catanho de Meneses. S. Ex.a u o dia ter levantado esta questão no «antes da ordem do dia», ou então pedir a palavra para antes de se encerrar a sessão, e referir-se ao assunto.

Levado, porém, pela sua paixão, S. Ex.a deslocou-se, o que não é costume, dado o seu aprumo, e intercalou num debate sobre a apresentação do novo Governo uni assunto àe carácter político, e até mesmo de carácter pessoal.

Eu p"eço, portanto, licença para não

responder às suas considerações, neste ponto, para não incorrer no mesmo erro em que S. Ex.a acaba do incorrer, à face do Regimento desta Câmara.

Direi apenas que o Sr. Cunha Leal foi a um banquete, .não do Partido Nacionalista, mas oferecido por vários amigos políticos.

Pausa.

E natural que o Sr. Presidente do Ministério e o seu Governo estejam convencidos de que o país ficou satisfeitíssimo ao ter c notícia da constituição do novo Gabinete, e é também natural que S. Ex.!l esteja convencido de que 6 milhões de portugueses tivessem um destes momentos de tam exuberante prazer que realmente encontrassem nesse prazer a justi-, ficação da constituição do novo Ministério.

Também é natural que essa nova constelação que apareceu no mundo sideral, que escapou aos estudos do próprio Flam-marion, e que é conhecida entre nós pela denominação de bloco, esteja igualmente convencida de que o país ficou satisfeitíssimo.

Essa constelação, todos nós sabemos, tem por centro de gravitação, como astro de primeira grandeza, o Partido Democrático, e tem outros grupos como seus satélites.

K também natural que o Sr. Presidente da República tenha a mesma convicção.

S. Ex.a deve ser o intérprete das conveniências do país, e ao nomear este Governo certamente o fez nessa mesma convicção.

Pois eu é que não estou nada convencido disso, e creio que comigo os meus correligionários.

Eu, pelo contrário, estou certo de que o país ao receber a notícia da constituição do novo Governo, encolheu os hom-brcs —desculpem-me a expressão— teve um gesto de aborrecimento e^de enfado, dizendo de si para consigo: É sempre a mesma cousa.